Invisível (capitulo oito)

05 fevereiro 2011

- Oooooooooooooooi - disse uma loira que surgiu de algum lugar.
Enxuguei minhas lágrimas, fingindo que nada estava acontecendo.
- Droga - Guilherme/Felipe disse baixinho.
- Ops, atrapalhei alguma coisa? - ela perguntou, e sem ouvir a resposta, continuou - prazer, Patrícia, mas pode me chamar de Paty.
Vi que a apresentação foi só para mim, ela parecia conhecer o Guilherme/Felipe (ok, eu tinha que decidir como eu ia chamar esse menino. Ia ser Guilherme, porque Felipe já tinha o Lipe né. Guilherme, combinado).
- O que você está fazendo aqui? - ele perguntou.
- Ué, sua mãe me convidou - e fez uma cara de falsa que eu não suportei.
Naquele dia, Guilherme não chegou mais perto de mim, ele ficava me observando de longe, mas aquela Paty tinha alguma coisa que eu ainda ia descobrir.
Terminei o que eu tinha que fazer no ateliê e voltei para casa.
- Filha, o que houve com você?
- Nada mãe - sabia que ela não tinha nada a ver com esse problema, e eu também não estava afim de contar. Só fui para o quarto e caí no sono, mesmo sendo seis horas da tarde.
Eu estava começando a sonhar quando ouço meu celular tocando:
- Alô - ainda com voz de sono.
- Menina, que voz é essa? - era o Lipe.
- Eu estava dormindo - respondo.
- Nossa, essa hora? Mas ah, deixa - fala.
- Você já me acordou, pode falar - sou sincera.
- Ok, vainafestadaPâmellacomigo - ele fala, bem rápido.
- Ah, não tô com muita von... - tento.
- Em meia hora, estou ai - e desliga.
Ele já tinha feito tantas coisas por mim, não custava nada... E ia ser bom para eu me animar um pouco. 
- Mãe, eu vou sair com o Lipe, depois vou dormir lá, tá?
- Tudo bem, filha - acho que ela viu que eu não estava muito bem e me poupou das perguntas de sempre: onde? Com quem? Que horas volta? e etc.
Coloquei um vestido e esperei ele lá em baixo.
- Nossa Laís, sério, isso é sacanagem - a primeira coisa que ele me disse.
- O que? - não fazia ideia do que ele estava falando.
- Você simplesmente SEMPRE fica linda - e riu.
Não respondi, e ele sabia o que meu silêncio significava: vergonha.
Fui mesmo só para acompanhá-lo. Foi uma SUPER FESTA, a Pâmella era uma diva, super fofa, acho que poderíamos ser amigas um dia, mas eu escolhi ficar sentada em um sofá que tinha num cantinho... Até eu ver o meu melhor amigo beijando-a. Felipe beijando a Pâmella. COMO ASSIM? Primeiro eu fiquei morrendo de ciúmes. Era meu melhor amigo, poxa. Mas depois eu vi que os dois ficaram tão fofos juntos, e que ela era tão gracinha, ele queria tanto isso, que eu fiquei só observando. E minha observação durou. Eles ficaram juntos a festa inteira. Não aguentava mais, resolvi sair para dar uma volta na rua.
Sentei no meio fio e fiquei observando os carros passarem; ela morava em uma avenida, então mesmo sendo tarde, ainda tinha gente passando.
Como sempre, acabei envolvida nos meus pensamentos, mas um clarão e um barulho muito alto me fizeram voltar para o mundo real. Dois carros tinham batido, e uma batida feia. Resolvi ir até lá, para ver se eu poderia fazer alguma coisa. Saíram duas pessoas de um carro e uma do outro. Pensei que estava tudo bem até ver uma mão do lado de fora do vidro do carro que tinha capotado.

(continua)

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