Invisível (capitulo sete)

03 fevereiro 2011

De dentro do helicóptero sai uma menina perfeita; morena, alta, super arrumada, cabelo mega liso, sapato de salto alto, uma bolsa maravilhosa e, ai ai. Todos pararam para vê-la descer as escadas do 'jatinho particular'.
- Laís, Laís, Laís, Laííííííííís - grita Felipe, chegando perto de mim - ela não é perfeeeita?
- É sim, ela é linda - respondo, ainda desanimada.
Estavam todos paralisados com o 'evento' que acabara de chegar que foi preciso chamar o diretor para colocar ordem naquela bagunça:
- Todo mundo voltando para a sala, JÁ.
Não sei mais o que aconteceu naquele dia de escola, eu estava muito preocupada em entender o que se passava na cabeça do Guilherme/Felipe. Como ele tinha tomado conta do meu pensamento em apenas algumas horas? E outra, ele mentia para mim. Burra burra burra. Ainda tinha a coisa que o Fred precisava me falar, que eu não sabia o que era, mas estava morrendo de curiosidade. Estou eu, mergulhada em meus pensamentos, quando escuto:
- A Laís gostaria de explicar para nós, certo? - meu professor de Literatura.
- Claro. O que eu quero explicar mesmo? - depois do susto, fiz a sala inteira rir com meu jeito idiota de ser, mas eu não estava nem ai.
- O porque da Capitu, personagem de Machado de Assis, era assim, dissimulada, misteriosa...
Essa eu sabia, de verdade. Eu amei ter lido o livro, fui uma das únicas que leu, foi fácil:
- Talvéz não tenha um motivo. Algumas pessoas não precisam de motivos para se tornar alguém misterioso. Mas a Capitu, ela é diferente. Ela seduz, ela envolve, ela te manipula. Que homem não ficaria louco por uma mulher cheia de mistérios? (e continuei perfeitamente bem, falando tudo o que sabia. Meu professor ficou boquiaberto e até bateu palma para mim no final. Me senti, confesso).
- Uau, todos leram o livro? - ele resolve perguntar, após meu 'discurso'.
O silêncio responde a pergunta. Volto aos meus pensamentos anteriores. Espero que depois dessa, ele não me pergunte mais nada. Bate o sinal do final da aula e eu nem percebo.
- Laís, vamos? - Felipe pergunta.
- Ahm, vamos sim.
- Você vai? - diz.
- Onde? - não estava entendendo nada que ele estava falando.
- Na festa que a Pâmella vai fazer, de recepção - fala, todo feliz.
- Não vou não, beijo - e saio correndo. Do nada, me dá muita vontade de chorar. Sento no ponto e é inevitável segurar.
- Posso sentar?
- Ai, por que você sempre chega assim? - pergunto.
- Desculpa - diz Guilherme/Felipe, eu não sabia mais - mas você não respondeu minha pergunta.
- Qual?
- Se eu posso sentar - repete.
- Isso não é meu, é público, você não precisa pedir - digo.
- Ok - diz e senta.
Fica um clima insuportável, daqueles que você sabe exatamente o que se passa, mesmo com a ausência de palavras.
Meu ônibus chega e a única coisa que consigo pronunciar é:
- Tchau Guilherme... Felipe... Ahm, tchau - entro no ônibus.
Aproveitei que minha mãe não estava em casa, não almocei, porque eu não estava com a mínima fome, e fui parao computador. O Fred não estava lá, mas abriu uma janelinha de mensagem off line:
Fred diz:
eu sou fake. eu sei que você nunca ia olhar pra mim... mas é que eu não estou aguentando mais suportar essa mentira. eu prefiro perder a menina que eu amo do que continuar enganando... e eu não te amo há apenas alguns dias, não mesmo, eu já te amo há bastante tempo. não sei como, mas eu sempre te observei na internet e sei lá mano, o seu jeito é muito apaixonante e como eu sei que você nunca olharia pra mim, acho eu, eu resolvi fazer isso, agora você deve ta me achando um maluco, mas não é, acho que não é maluquice nenhuma amar, até onde eu sei né... mais enfim, eu sei que agora você já nem deve ta querendo olhar pra mim, nunca mais. vai ser foda...

Eu não acreditei no que eu li. E mais uma vez eu tinha acreditado em uma mentira. Fiquei em estado de choque. Fui andando para o ateliê ainda sem saber o que fazer. Estava tudo fechado e eu esperei do lado de fora, ainda tentando raciocinar.
- Está aberto, Laís - Guilherme/Felipe disse.
Entrei, sentei e comecei a desenhar.
- Ei, o que houve? - ele veio e me abraçou.
Dessa vez eu nem pensei em chorar, as lágrimas simplesmente caíram. Ele me abraçou de um jeito tão fofo, tão apaixonado, que eu até pensei que ele sentia alguma coisa por mim. Levantei a cabeça para agradecer, quando ele colocou a mão no meu rosto e se inclinou em direção à minha boca.

(continua)

Um comentário:

Desejos de Menina: Invisível (capitulo sete) © 2009 - 2015 - Todos os Direitos reservados
Volte sempre!