Invisível (capítulo catorze)

16 março 2011

- Você não me ouviu - ele disse.
- Mas é porque você estava lá com ela, vocês estavam se beijando, vocês estavam se querendo tanto que eu... - estava sem palavras.
- E quando você foi lá no hospital, quando você voltou... Eu estava sozinho, e mesmo assim... - ele começou.
- - não consegui falar nada.
- Realmente eu pensei que você fosse diferente, Laís - disse e foi embora.

- Guilherme! - acordei gritando.
- Amiga, que que foi? - disse a Pâmella, ainda meio dormindo.
- Nada, não, só tive um sonho que... - parei.
- Eu te entendo, mas volta a dormir, amanhã tudo isso estará resolvido - ela me abraçou e virou para o outro lado. 
Mas é óbvio que eu não consegui nem fechar os olhos. As imagens começaram a passar pela minha cabeça repetidas vezes. Fiquei pensando na atitude que eu tinha tomado, nas palavras que eu não havia dito, nas que eu não havia ouvido... Tomei uma decisão, mas eu precisava da aprovação da Pâmella para colocá-la em prática.

- Aleluia - berrei, quando ela acordou, depois do almoço.
- Ah, desculpa, eu estava num sonho tão gostoso com o Felipe... - ela percebeu que falar de sonhos não era o assunto mais adequado no momento e parou.
Fingi que nem liguei e contei tudo para ela. Minha resposta:
- Super te apoio, vá em frente - ela disse e eu saí correndo.
Chegando no ateliê, contei tudo para a mãe dele. Ela me disse que já havia percebido, que o nosso olhar nos entregava, que ela lembrava do tempo de garota, quando se sentiu exatamente igual a mim.
- Eu não posso te ajudar em nada, a única coisa que te digo é: ele te ama - fiquei olhando para cara dela, ainda meio tonta com a informação - vai, menina, vai até esse hospital - e quase me expulsou da casa dela.

- Oi - falei entrando.
- Ah, eu queria... - ele tentou começar, mas eu não deixei.
- Me desculpa, eu fui uma idiota, eu não te escutei, eu sei que você deve ter seus motivos, mas eu não quero ouvi-los. Quero que você saiba que eu te amo, que eu penso em você todos os dias, que eu te imagino comigo, que eu, ah, que eu te quero pra mim. Não sei o que você tem ou sente pela Patrícia, mas isso não vai mudar o que eu sinto por você - pronto, falei.
- Eu só ia falar que te amo - ele abriu um sorriso que me proporcionou borboletas no estômago - vem aqui, vem.
Eu fui, e ele me beijou. Um beijo indescritível, como nunca ninguém havia me beijado. Ficamos lá, horas e horas, rindo, nos beijando e conversando.

- Guilherme, amanhã você volta para casa - disse o enfermeiro.
- Ainda bem, não estava aguentando mais esconder uma coisa de você, Laís.

(continua)

Um comentário:

  1. não aguento mais esperar pelo fim.. é mt bom esses textos, olho o blog diariamente, parabénss e por favor acabem com a minha ansiedade pelo final de invisível.. e continuem escrevendo mais textos do tipo, ADOROO bjs

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