Desencontros do Amor (Capitulo VI)

29 maio 2011

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Marina foi a primeira a abrir os olhos. Ele a acariciava com as pontas dos dedos, como se fosse uma delicada flor, sendo apreciada com grande zelo. Ele ergueu os olhos e disse a ela:
- Faz algum tempo que algo mudou, entre nós. E cada vez que eu fico perto de você, minha pulsação muda, eu mudo! Parece que é como se eu fosse ligado numa tomada, como se acendesse uma chama nova dentro de mim, um sentimento forte entende? E eu não posso mais guardá-lo somente para mim...
- Mas eu pensei que...
- Não, eu não tô querendo te enrolar, nem te magoar, nem ao menos sei se você sente o mesmo. Só queria que você soubesse que eu tô aqui, inteiro pra você. E que não vou desistir de você, jamais.
- Você não sabe de nada mesmo, não é?
- Como assim?
- Eu te amo, seu bobo. Sempre te amei, só você não percebeu.
E se beijaram, como se o mundo não tivesse fim, como se  por um instante o tempo pudesse parar, somente para ver o tal casal.
- Mas eu ainda tenho que fazer uma coisa... - disse ele, num tom um tanto suspeito.
- O que???
- Quer namorar comigo, senhorita Marina Cavalcanti?
- Hummm... deixa-me pensar... Sim, Fernando Lacerda! Te amo.

Passaram-se duas semanas, desde a oficialização do namoro, e o novo casal parecia mais e mais feliz.
- Ai, Ju. Eu tô tão feliz, eu nunca imaginei que pudesse encontrar alguém que me amasse, como o Nando.
- Amiga, eu fico muito feliz por vocês dois e torço pela sua felicidade como ninguém, mas tome cuidado, tá? Não vai deixar que..
- Calma, Ju. Dessa vez nada vai dar errado, nós nos amamos e é isso que importa.
- Aham. - e abraçou a amiga, com todo carinho que tinha por ela - Só espero que você esteja certa.

Marina seguia para a reta final de um ano longo de provas, se preparando para o vestibular, e acompanhada de Nando, fazia cursos e lia livros enquanto tinha tempo. Eles estavam cada vez mais unidos, e nada poderia abalar um amor tão verdadeiro.
Foi então que Marina recebeu uma carta.

" Olá. Fiquei sabendo do seu novo namoradinho. É bom vê-la feliz novamente, depois de um longo período de 'luto'. Ah, fala sério Marina! Você acha mesmo que conseguiu me esquecer? Você acha mesmo que vai conseguir me tirar da sua cabeça? 
Fique sabendo que estou de volta ao Brasil, e não vou permitir que um amiguinho qualquer tome o meu lugar de direito no seu coração. Não mesmo.
Ass.: Gabriel "

Não podia ser.

Gabriel fora um grande amigo de Marina durante muitos anos, mas ela sempre fora apaixonada por ele, sem que ele percebesse. Até que um dia, numa festa da escola, ela o convidou para que fosse seu par. Ele aceitou, e foi nesse dia que ela se declarou. Ele ficou sem falar com ela por muito tempo. E ela acabou se afastando, temerosa de que ele a odiasse por ter estragado sua amizade. Ela mudou de escola, pois já era final de ano e por querer não manter contato com Gabriel depois do que fizera. Mas ele não aceitou.
Depois de muito, resolveu contar a verdade: também era apaixonado por ela. Só que sua mãe não aceitava seu namoro, porque era muito jovem e porque não ia muito com a cara da garota. Ela não acreditou. E disse que não queria vê-lo mais.
Foi aí que ele, num estado de loucura pela falta que sentia da garota, tentou suicídio.
Ela chorou. Se culpou pelo amigo, se culpou por ter sido tão dura com ele. E por medo de perdê-lo, se culpou ainda mais. E também foi culpada, injustamente, pela mãe do garoto.
Seus pais, sabendo da história, resolveram se mudar para a sua cidade natal, no interior. Não queriam que a menina sofresse ainda mais.
Gabriel se recuperou, mas, por mais que tentasse, os pais de Marina nunca mais permitiram que ele tivesse contato com ela, por saber da culpa que a garota sentia pelo amigo. Por isso, ele achava que Marina tinha repulsa total dele, por tê-la renegado enquanto ela o amava. Ele, depois da tentativa de suicídio, foi mandado para a Europa, onde passara seus dias, até aquele momento.
Até que ele conseguiu mandar-lhe uma carta, sem que seus pais soubessem.
Estava decidido a ter Marina de volta, como nunca fora capaz de tê-la.
Foi aí que Marina, confusa por receber uma carta de um amigo que há tantas não via, que há tantas amara, que há tempos entregara seu coração e o recebera machucado, começou a se perguntar:
Se então, seu grande amor do passado e o do presente, estivessem dispostos a lhe oferecer total amor, qual dos dois ela escolheria?
Um passado, que a machucara muito, mas que não tivera ao menos, tempo para justificar seus erros e desencontros; ou seu presente, que apesar de demorar a dar certo, finalmente era tudo o que ela queria?

(continua...)
 

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