Desencontros do Amor (Capítulo VIII)

11 junho 2011

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- Ju, desculpa chegar assim de repente, mas é que eu precciso da sua ajuda com o Gabriel.
- Mais conselhos, Marina? Eu já não te falei que...
- Não, ele está aqui. Só preciso de uns curativos.
- Hein?
- Venha que eu te conto.
E Marina contou para a amiga tudo o que tinha acontecido, enquanto cuidava do roxo que se estampara no rosto claro de Gabriel.
- Isso até que foi merecido, por você me beijar a força. - disse Marina, com os olhos baixos, arrumando a maleta de primeiros socorros
- Mas valeu a pena. - respondeu baixinho Gabriel. Marina fingindo não ouvir a indireta, continuou:
- Agora você vai para sua casa e amanhã conversaremos, ok? Tô cansada e...
- Eu tô num hotel. Mas não preocupe. Tô bem.
- Espero que você não esteja me instigando a te convidar a dormir lá em casa né?!
- Não é que seria uma ótima idéia?!
- Já não basta ter me feito brigar com meu namorado, Gabriel? Por favor né!
- Tá, tá. Namorado... Humpf! Sem mais brigas. Só que eu te levo até sua casa.
Eles se despediram de Juliana e seguiram de pé. Ele olhava sorrateiramente para Marina, enquanto ela, tentava não dar importância a sua presença, até que começou:
- Olha Gabriel, eu queria que você entendesse uma coisa: Há muito tempo atrás, era você quem eu amava. Era com você que eu sonhava todas as noites, com você que eu pretendia dar meu primeiro beijo, era você que eu desejava que fosse meu primeiro namorado. Mas não foi assim que aconteceu. Eu queria muito poder voltar no tempo e mudar o que te aconteceu, aquele ...
- Não precisa falar sobre minha tentativa de suicídio, isso pra mim já é página virada.
- Ok,ok. Mas se eu pudesse voltar no tempo, e mudar os nossos destinos, com toda certeza, eu o faria. Mas agora...
- Agora é a oportunidade que estamos tendo de ficarmos juntos novamente Marina, e dessa vez da maneira certa! Só você não consegue ver que eu te amo e o que eu mais quero é ficar do seu lado de novo? - ele olhava agora nos olhos dela, com um ar de certeza do que dizia, e do que queria.
- Não, Gabriel, por favor... Não estrague tudo novamente.
- Não entendo você, Marina. Eu tô me declarando da forma mais sincera possível e você parece nem ligar... Não sei mais o que eu faço pra você entender que eu quero você comigo, hoje e sempre!
- Olha, quando você foi embora, meu coração foi partido em mil e um pedaços. E eu não tinha ninguém para cuidar dele. Eu tive que juntar o que me restava e seguir em frente. E agora, tenho alguém que cuida de mim, que me ama de verdade...
- Duvido que tanto quanto eu...
- Mas, Gabriel...
- Eu não vou desistir de você, Marina.
- Por favor, não torne tudo mais complicado.
- Eu só quero que você tenha certeza do que você sente por mim e por ele. Aí sim, eu posso deixar de te querer a qualquer custo e seguir sozinho.
- Mas...
- Vou te dar um tempo pra pensar, e depois eu volto. - ele abraçou-a e de leve, encostou os lábios na sua testa. - Só espero que você escolha pelo certo. Tchau.
E partiu.
Quando olhou pra frente, já na calçada a alguns passos de sua casa, ainda tonta com tudo que lhe ocorrera, Marina viu Nando.
Ele estava sentado em sua moto, olhando-a, como se a há muito tempo estivesse fazendo isso.
- Oi, amor. - disse Marina.
- Err, oi.
- Não vai me dar um beijo, um abraço, nada?
- Hoje não.
- Humm, tá de greve?
- Não, Marina. Só acho que deveríamos conversar um pouco sobre ... nós.
Ela puxou-o para a beirada da calçada, e sentou-se ao seu lado.
- O que você quer saber?
- O que aconteceu hoje, entre você e aquele... com o Gabriel?
- Bem... Ele me beijou a força.
- Mas não foi o que me pareceu, quando eu me aproximei...
- Foi uma tática que eu usei. Quanto mais eu tentava me soltar, mais ele me prendia. Então acabei cedendo um pouco para ver se eu conseguia me soltar de uma vez. Foi isso.
- Tem certeza, mesmo, Marina?
- Porque eu mentiria pra você, Fernando?
- Não sei, me responda você.
- Olha, eu tô cansada de perguntas sem justificativa alguma. Foi isso que aconteceu e acabou.
- E esse papinho que tava rolando entre vocês enquanto vocês vinham?
- É que ele quer que eu diga se eu prefiro ele ou você...
- Então você ainda gosta dele. Já entendi tudo.
- Não, Fê. Eu te amo, mas é que...
- Não, Marina. Se você ainda tá em dúvida na hora de responder é porque ainda sente alguma coisa por ele. E eu não quero alguém pela metade.
- Fê, você está sendo muito duro comigo.
- Ok. Vou fazer o contrário agora. Deixar o caminho livre pra você decidir. Ele ou eu. Só depende de você. Só fique sabendo de uma coisa: se você optar por ele, está tudo acabado. Não tem mais amizade, nada. A escolha é sua. - e se ergueu sobre a moto e aumentando a velocidade, saiu vazado, deixando Marina sem o que dizer.
Mais tarde, ela pensava. Mas como poderia ter tanta certeza sobre o que sentia?
Será que só a escolha entre um ou outro seria capaz de fazê-la feliz?
' As vezes, desejamos tanto uma coisa, que quando ela chega, outra coisa já ocupa o seu lugar. Mas o que fazer quando se quer ter as duas ao mesmo tempo,ou melhor, quando não se sabe qual das duas coisas escolher para si?' era o que Marina escrevia em seu blog.
Caiu na cama e então, dormiu.
Quando acordou, seguiu para sua rotina de sempre.
Ao voltar do colégio, o telefone tocou e ela atendeu:
- Alô, eu gostaria de falar com a senhorita Marina Cavalcanti?
- Sim, é ela.
- Marina, você poderia vir para o Hospital São Lucas, agora?
- Porque, o que houve? Qual o problema?
- O Fernando...

(continua...)


Postado por: Isabela Santiago
Isabela Santiago 16 anos, vários desejos e sonhos e muito a dizer pra caber nesse pequeno espaço. Aqui no blog faço contos e textos. Prazer, Isabela. :)

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