Fugindo da superfície

25 junho 2011

A pisciana
Enquanto a maioria corre pro mundo de fora, ela se cria no mundo de dentro. Em sonhos e fantasias que a fazem até lembrar daquele carnaval, que ela não foi. Daquele dia que ela não viveu, por estar ocupada demais se fantasiando nos sonhos, ao invés de estar se preparando na frente do espelho. Que o tanto que ela é ama é compatível com as vezes em que se machuca, se decepciona, porque é menina demais para isso aqui. E a preguiça inconstante de se tornar real que ela deixa pra amanhã, ou até para outra vida porque é nisso que ela acredita. Outras vidas; outros mundos, mas desacredita de sí mesma. Até porque essa insegurança em que vive é impossível de desatar. Não deixa de ser, a surpreendente por quem eles se apaixonaram uma vez, duas vezes, três e se apaixonam todos os dias. E tem como não se apaixonar? De nada vale fechar os olhos, se de olhos fechados sua imagem invade o pensamento. Sem jeito! A menos que se entregue, faça como ela, se perca em palavras e em momentos bonitos oferecidos por tudo que ela acredita. E ela acredita. No fim das contas, é feliz. Os que conhecem concordam comigo: mulher de peixes já diz tudo, e o mergulho é o que importa, a questão é: voltar ou não a superfície? Que graça teria? Se a vida em baixo d'agua é tão melhor? A superfície é tão fria, tão sem graça e não trás nada além de vento no ouvido e resfriado depois. Que enquanto pede por tudo que vê pela frente, acaba se tornando a melhor menina do mundo por querer tudo na mais bela poesia, na mais pura inspiração que é o que tem de sobra, desde o instante em que acorda de manhã e segue a vida arrastada até a noite. Andando assim, suavemente quem sente? Todos notam, sem ela querer, sem ela ver. Ao descobrirem os seus sonhos por ter pisado forte, sem querer, vai sentir necessidade de aparentar uma menina fria que nós sabemos que ela não é e por acreditar em teorias, horóscopos, e principalmente em amor e algo bom que venha com ele vai estar se tornando a mulher que tanto sonhou, só por ser do jeitinho que é. Só incomoda aqueles que não estão na mesma linha de pensamentos, ainda não pisaram na mesma nuvem. Como não acreditar nas histórias que ela cria em sua cabeça? Mesmo que para isso precise fazer uma visita ao mundo real, imprevisivel, vai sem medo. E descobre, as vezes, quando quer. O tempo é pouco, o tempo é nada. Indefesa até quando pode e se não pode não teme as ondas que venham pela frente, dá se um jeito até mesmo aquelas que não sabem nadar. Porque é peixes, e uma hora outra a vida salva. Quem é do bem, a vida salva. Eu acredito, mas ela acredita muito mais. E será que ela esta ouvindo, de tão distraida que é deve estar criando algum sonho, o próximo, mais um. Quem é ela? É atriz, é poeta, é mulher, é vida. Eu sei, mas ela... ainda não sabe!


Postado por: Bárbara Clara
Bárbara Clara Ex-@desejosdemenina, dona do blog Clara Mente e colaboradora aqui no blog fala sobre signos e cria textos de amor, ou não, depende de como e quando você vai ler.

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