Nem regra, nem manual

28 junho 2011


Não gosto de ler manual. Nunca entendi as regras do jogo. Quero tudo assim, na prática. Na queima-roupa. Eu gosto assim: se não for pra me jogar de cabeça prefiro ficar estática. Se não for 8, nunca será 80; e se depender de mim, vai acontecer. Cansei de ouvir regras, de ler manuais - ou fazer parte de um - de deixar de vestir um vestido curto com medo do que irão rotular. De colocar a camisa-vestido do meu pai, e sair na rua como se usasse uma tomara-que-caia. Já fui de me importar mais, viver menos e hoje sou assim. São só reflexos solares de um passado duvidoso, um dúvida que me persegue até esses dias, mas hoje não me importa tanto assim. Ás vezes tem lá suas consequências, mas o que seria da vida sem os erros e os acertos?
Quero pular de bung-jump, sentir o vento passar pelo meu cabelo; quero ir à Fortaleza só pra me jogar do insano com toda a insanidade que há em mim. Quero ir ao sul e assistir um pôr-do-sol nas serras gaúchas apreciando um chimarrão, que tantos dizem ter gosto de mato. Quero conhecer o Acre e provar que ele existe, mesmo que pra mim, lá no fundo eu sustente essa dúvida. O que seria da vida se você deixasse seus medos tomarem conta de sí?
"Espere ele ligar primeiro" "Não retorne a ligação" "Se ele estiver interessado, que ligue". Não, definitivamente isso não faz parte de mim. Eu gosto do que dá-na-telha, do que fazem meus olhos brilharem e do me arranca um sorriso com facilidade. Gosto de atirar na lata, se ela cair, caiu. Se não, atiro na outra e um dia uma terá que cair. Regras não me fazem, não me acompanham. Não abaixo minha voz quando tenho razão, muito menos deixo de gargalhar quando o momento pedir silêncio. Não faz parte de mim.
Eu tenho lá as minhas crenças, meus medos e minha virtudes. Mas sei controlá-los dentro de mim. Aprendi a dizer não, e dizer sim quando tenho vontade, não porque devo fazer desse jeito. Não precisei me jogar de uma ponte nem ir à um parque aquático pra ser assim. Nasceu em mim. Vai morrer em mim. Se eu tiver que beijar eu beijo, se eu tiver que ligar no dia seguinte eu ligo. E nem pense você que seja feminismo meu. Eu deixei meus medos irem, e dei asas a mim mesma. Pra voar e conhecer o mundo. E com certeza delas, eu não precisei ler o manual.

Postado por: Alana Monteiro
Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

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