Apimentada

02 julho 2011


Moça bonita, inteligente. Formada, pós graduação, se duvidar tem até phd. Diz ele, que a completa de todas as formas possíveis, até as que não existem. Todos dizem fazer um belíssimo casal, mas bobo é quem confia na voz do povo. O que dizem ser a voz de Deus; garanto que Deus não alfineta cada detalhe do teu cabelo liso, muito menos aquele vestido curtíssimo. Entre palavras, entre enrolações; a moça até que é certinha. Família boa, dedicada aos estudos, ganhou na loteria e de quebra o homem dos sonhos de qualquer princesa abandonada.   Mas no final, será se merecia tudo isso mesmo?
Adiciona sal, adiciona açúcar, quem sabe até um pouquinho de limão.. Mas ela continua com o sorriso-monalisa de sempre. Vestidos abaixo do joelho, decote nunca se ouviu falar.. Se tem um lado devasso, o mundo concerteza desconhece. Dúvidas minhas são aquelas se ele já foi apresentadas às tais. Seus risinhos mecânicos, quase sempre programados, passa bem despercebida e seu olhar vago não intitula sua presença. Aos praxes de filmes, e por mais americanizados que possam parecer, a realidade – infelizmente – é brasileira mesmo.
Conhecendo-o como conheço, ele é bem mais que isso. Bem mais que livros, palavras bonitas e simpatia em pessoa. Ele exige bem mais dele mesmo, algumas vezes convencido e auto suficiente; mas admiro a determinação de ter chegado aonde chegou. No meio do caminho, topou com o mulherão, mais apagada que faixa de pedestre e assim; na sua garupa seguiu caminho às estradas de Hollywood. E que com certeza, às trocentas que no seu caminho se meteram, ele esqueceu as vendas retirar. Ele era feliz, contente com a mocinha de família; mas não o suficiente para fazer seus olhos brilharem. Suas mãos suarem. Ela estava ali. Simplesmente.
Ele precisava mais do que isso. Não que inteligência gratificada à mocinha não seja fundamental; mas ele como pertence à raça dos homens, exigia mais que isso. Sensualidade, atitudes sem explicação e sem nexo, beijos e ligações inesperadas. A capitã da relação, a comandante dessa tripulação à beira de um dilúvio, assumiu com poder absoluto. Não era de sal, de açúcar, muito menos de limão. Era de pimenta que ele procurava. De ação-reação, montanhas-russas de looping e tapete voador. Aventura, talvez essa seja a palavra. De carne, osso, pele suave alá perfume francês e um tempero natural.
Mas e que seja assim. Às vezes nossas escolhas não correspondem às vontades. Ou algumas, o temporário é passageiro. E o permanente há de chegar. E como chegará. Esvoaçante, neblinoso e avassalador. Pra revirar a vida da cabeça aos pés. Do jeitinho que ele merece. Que eu sei que ele espera. Que no futuro, não seja apenas vinho no jantar. Que saia dessa mesmisse. Que seja água, suco, vodka e até refrigerantes se a dieta permitir. Que seja razão, emoção, tudo-junto, misturado, homogêneo. E apimentado.

Postado por: Alana Monteiro
Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

2 comentários:

  1. Que lindo texto, simplesmente adorei! Forma bonita, casual de escrever. Me identifiquei! Parabéns, grande talento!

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  2. Obrigada, Clara. E o cômico que foi em um momento de explosão de sentimentos, baseado em uma situação real.. hahaha =)

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