Desencontros do amor - (Capítulo XIII) - A reta final

16 julho 2011

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No dia seguinte, Fernando acordou de um sonho bem peculiar.
Pelo primeira vez, depois do acidente, sonhara. E não foi algo comum, ao que estava acostumado a sonhar desde então.
Sonhara com Marina.
Ela aparecera em seus sonhos pela primeira vez. Uma garota triste, que desviava-lhe o olhar a cada vez que ele tentava olhar para ela.
Ela era tão linda quanto as fotografias que estavam em sua gaveta. Até mais.
Tinha um cabelo brilhante, olhos grandes e profundos, uma pele macia e exalava um perfume doce. Só que não conseguia conter suas lágrimas ao vê-lo. Algo que o próprio Fernando não entendia, porque apesar de sentir que a conhecia há muito tempo, ele não sabia quem era aquela bela garota.
Acordou, sentindo ainda aquele perfume, como se estivesse ao seu lado.

Marina continuava tentando se aproximar cada vez mais de Gabriel.
Seguiam juntos para o shopping, passavam horas um no colo do outro, fazendo cafuné, trocando carícias. Mas nada era suficiente para ela. Faltava-lhe algo que, por mais que tentasse esconder, sabia bem o que era. Quem era, na verdade.
Fernando.
Só que ainda havia um detalhe nessa história que nem ela mesma sabia.
Gabriel, apesar de todo amor que lhe dedicara, tinha um gênio muito difícil. Era possessivo com ela, sentia ciúmes até do ar que ela respirava, por mais que tentasse confiar nela.
E esse detalhe mudava bastante as coisas para Marina, que precisava de alguém que lhe desse firmeza e apoio, ao invés de querer controlá-la e mandar nela a todo instante.

- Ma, é a Ju! O Lipe marcou comigo de ir ao cinema, você quer ir?
- Hum, não sei, Ju. O Gabriel viajou esse final de semana e acho que ele vai ficar meio chateado se eu for sem ele...
- Que nada, Marina! Deixe um recado pra ele, e vamos!
- Ok, então.
Marina tentou ligar por diversas vezes para Gabriel, mas seu celular se encontrava fora de área. Mandou um sms, se arrumou e foi.
Mas para sua surpresa, encontrou com alguém que jamais imaginara.
Ao chegar no cinema, comprou sua pipoca e um refrigerante, e sentou-se na porta do cinema esperando pela amiga e seu namorado. Poucos minutos depois, sem que ela percebesse um rapaz sentou ao seu lado.
- Esse lugar está vago?
- Aham.
Ao olhar para aquele que fizera tal pergunta, sentiu como se uma faca em chamas atravessasse seu peito.
Era Fernando.
- Moça, desculpa perguntar, mas não nos conhecemos de algum lugar?
Marina estava em choque. Paralisada.
- Err, desculpa. Eu não costumo falar com estranhos sobre isso, mas acredita que eu sonhei com você? Sério, parece inacreditável, mas é a mais pura verdade. E você estava triste, como se não quisesse falar sobre algo de extrema importância...
Marina sem se dar conta deixou sua pipoca cair, se espalhando pelo chão.
- Oh, meu Deus. Desculpa, Fernando, quer dizer, moço. Eu sou muito atrapalhada...
- Deixa que eu te ajudo
- Não precisa eu, eu...
Ele pegou o restante da pipoca que ainda estava dentro do saquinho e deu a ela.
- Espera um pouquinho.
Virou-se, e pouco tempo depois, voltou com dois sacos grandes de pipoca e um refrigerante.
- Toma, uma nova pra você.
Juliana enfim, apareceu acompanhada por Felipe. Em choque ao ver os olhos de Marina, se esforçando para não desabar em choro ali mesmo.
- Marina! Você veio! - disse Felipe, assustado com a situação que criara sem perceber - Eu trouxe o Nando, porque pensei que você não viria. Desculpa! - e quase sussurrando ao ouvido de Marina, abaixou os olhos.
Juliana, que não aguentava suportar aquela situação constrangedora por mais tempo, chamou os três para entrar e ver o filme, enfim.
- Acho que eu já vou Ju. Não sei se é uma boa ideia continuar aqui, não sei se eu ag...
- Não, Marina né? Fica. Eu faço questão. Acho que você é uma garota bacana, e pelo que eu tô vendo, precisa de amigos. Fica, por favor. Aí eu vou poder te conhecer um pouquinho mais...
Eles entraram, enfim.
Marina sentou-se entre Juliana e Fernando. Felipe estava chateado pela situação constrangedora, sentado ao lado de sua namorada.
Ao desenrolar do filme, Marina tentava se conter, desviando o olhar de Fernando, que insistia em analisá-la a todo instante.
Ele pôs a mão esticada no braço de sua cadeira, como se esperasse pela mão dela, mas de uma maneira tão natural, lembrando-a da maneira como faziam quando viam filmes juntos.
Ela não aguentou, e deixou que lágrimas escorressem sobre seu rosto.
Quando ele viu seu rosto brilhar, banhado pelo choro que tentava esconder, fez um gesto inesperado.
Pegou seu rosto de leve e trouxe para seu pescoço, como se quisesse dar-lhe um colo.
- Não precisa chorar, tudo vai melhorar. Você vai ver.
E ela soluçou ainda mais forte, ouvindo as palavras que o seu namorado sempre usava quando tinha problemas.
Ele, num instante de loucura, ou como se um lapso de memória lhe viesse a sua mente, olhou em seus olhos por instantes e beijou-a.
Ela sentiu novamente o gosto do primeiro beijo que ele lhe roubara em sua casa.
Mil coisas se passavam por sua cabeça. Até que ela cedeu e deixou que o beijo fosse apenas um sonho real.
Um sonho que se instaurara em sua mente desde que ele sofrera o acidente.
Mas era um pouco diferente. Era um beijo urgente, que parecia tomar-lhes o fôlego, que tentava aliviar a dor de uma perda, que era tudo o que ela precisava naquele instante.
Depois eles se mantiveram em silêncio, um olhando profundamente o outro até que o filme terminasse.

Os dois seguiram em silêncio até o corredor de saída, e Juliana ao perceber que a amiga pretendia conversar com ele, se afastou juntamente de Felipe.
- Err, eu, sobre o que aconteceu, eu... - Marina tentava falar, mas se engasgava em cada palavra que falava.
- Marina, eu nunca fiz isso, nunca beijei uma garota sem ao menos conhecê-la. Mas parece que eu te conheço há tanto tempo, como se você fizesse parte de mim, desde sempre. Como uma memória, meio apagada, mas ainda existente dentro de mim. - ele segurou seus punhos, enquanto ela tentava desviar o olhar do dele. - Eu não sei, mas é como se eu te amasse, sem ao menos te conhecer e...
- Ora, ora se não é você de novo, tentando me roubar a minha Marina, não é? - era Gabriel, com os olhos ardendo em ciúmes, a esmagar as rosas que trouxera para Marina.
- Sua Marina? Impossível... - contestou Fernando.
- Gabriel, eu preciso conv...
- Não. Você vai comigo. Agora.
- Mas eu preciso fal...
Gabriel puxou-a para si e saiu andando com seu pulso na mão. Não a olhou sequer uma vez até chegar ao seu carro.
- Você imagina como eu tô me sentindo? Acabo de chegar de viagem e tento fazer uma surpresa pra garota que eu amo, aparecendo inesperadamente para dar-lhe um buquê de rosas, e o que encontro? Seu ex-namoradinho segurando-a pelo pulso.
- Gabriel, você precisa me ouvir pelo menos um instante, eu...
- Não, Marina! Chega! Eu não quero ouvir suas desculpas, entende? Eu te amo, sou louco por você e você me trata assim, como se eu fosse seu brinquedinho que só tem utilidade quando você tá mal!
- Não é bem assim, Gabriel. Eu sempre fui muito sincera contigo em relação ao que eu sentia e nunca fui infiel em relação ao que eu sinto por você.
- Ah, não? Tem certeza?
- Sim, eu tenho.
- E não aconteceu mais nada hoje? Com aquele desmemoriado imbecil?
- Olha aqui, eu não admito que você trate uma doença como algo banal.
- Ah, então aconteceu, não é mesmo?
- Sim, se você quer saber! Ele me beijou!
- Eu vou quebrar a cara daquele idiota agora mesmo!
- Não vai, e sabe porque? Porque eu também retribuí o beijo.
Ele ficou pasmo, variando do vermelho de ciúmes ao branco de surpresa.
- E sabe do que mais, Gabriel? Eu até poderia ficar indecisa entre tentar amar você e esquecê-lo pra sempre, mas sabe, você se tornou uma pessoa pela qual não vale a pena lutar.
- O que você quer dizer com isso?
- Eu estou dando um basta. Desculpa, mas a gente não pode continuar.
- Você não pode fazer isso comigo, Marina. Eu te amo, eu, eu...
Mas já era tarde.
Marina saíra do carro e seguira na direção oposta.
Enquanto andava milhões de perguntas se formavam em sua cabeça. Mas todas elas se silenciaram quando um motoqueiro apareceu ao seu lado.
- Quer carona, moça?

(continua...)

Postado por: Isabela Santiago

Isabela Santiago 16 anos, vários desejos e sonhos e muito pra dizer pra caber nesse pequeno espaço. Aqui no blog faço contos e textos. Prazer, Isabela. :)

2 comentários:

  1. amo essa história :3 Louca pelo final (:
    ah, e já coloquei o seu blog (site, haha) nos meus afiliados ;)
    Beeijos

    docesdiferencas.blogspot.com

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  2. To adorando essa história!!! Muito bonita.

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