Desencontros do Amor - Capítulo XIV (penultimo capítulo)

29 julho 2011

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Marina não pensou muito ao aceitar a carona de um completo estranho. Ele não fez sequer questão de subir a lente do capacete para mostrar seu rosto, mas ela, no estado em que estava não recusou o convite. Logo que subiu em sua garupa sentiu algo estranho - como se uma onda eletromagnética percorresse por todo seu corpo, involuntariamente.
- Segure firme! - foi só o que ele disse ao arrancar com velocidade.
Ele seguiu dando algumas voltas por caminhos estranhos até seguir numa direção que Marina não esperava - o caminho que ela fazia com Nando quando voltavam pra sua casa. Ela sentiu então a pulsação acelerar ao perceber que o corpo dele também parecia reagir ao seu toque. Mesmo com toda a velocidade e o vento que vinha-lhes ao rosto, ela conseguia sentir seu corpo aquecido sobre a camiseta preta.
Ao descer da moto, enfim, teve a certeza.
Era Fernando que pilotava.
- Desculpa por hoje, desculpa por tudo, Marina. É que você não faz ideia de como está minha cabeça agora. Sabe, eu conversei muito com meu primo sobre minhas lembranças e recordações, mas eu realmente não me lembro de você.
O choro começou a se formar nos olhos dela, seu rosto enrubesceu, mas antes que pudesse soluçar ele pegou seu queixo e continuou:
-Mas mesmo assim, de alguma forma, você me pertence. Sua imagem, sua voz, não me trazem nenhuma recordação, mas de alguma forma, quando eu sinto você é como se eu me redescobrisse. Como se algo que estava escondido em mim reaparecesse e me fizesse sentir completo outra vez. Tá vendo esse caminho que eu fiz? Eu não fazia ideia pra onde estava indo, mas quando você me abraçou foi como se uma chama se acendesse dentro de mim e me guiasse até um caminho que depois pareceu, simplesmente óbvio, porque eu já conhecia, não é?!
Marina parecia extremamente confusa.
- Eu sei que parece absurdo, mas quando eu encosto você, seja com um abraço ou um.. beijo, minha memória parece reacender lembranças de tudo aquilo que me faz bem, e principalmente, de você. Acabei de lembrar que era sempre esse o caminho que eu percorria quando trazia alguém para casa, só não sei quem... - ele parecia confuso entre suas lembranças ofuscadas
- Mas, e se você nunca se lembrar, se você nunca me enxergar como a pessoa que você amou?
- Marina, eu já te amo mesmo sem saber quem você é. Do fundo do meu coração. Sua pele, seu rosto, seu toque, seu cheiro são apenas detalhes, que já me deliciam, mas existe algo, uma conexão. Uma conexão entre mim e você. E vem do coração, e eu sei que você sente o mesmo, tá estampado na sua cara, nos seus olhos...
Marina não sabia ainda como reagir a tanta informação. Triste por perder um antigo amor, feliz por recuperar outro?
- Nando, eu prefiro pensar um pouco. Eu te amo, mas não tenho certeza ainda... e...
- É o seu namorado, não é? - ele disse, abaixando os olhos.
- Na verdade, terminei com ele hoje.
- É mesmo? - ele suspendeu o olhar, e seus olhos brilharam de felicidade.
- Sim, mas eu preciso de um tempo pra mim, entende?
- Não muito...
- Eu amo você, mas não sei se meu sentimento pelo Gabriel seria capaz de interferir no que eu sinto por você. É isso.
Ele parou um pouco, mas continuou:
- Eu posso esperar por você. Sim, quanto tempo for preciso, apesar de sentir que o melhor seria te ter nos meus braços nesse exato momento.
Essas ultimas palavras fizeram com que Marina ficasse vermelha, e mais um misto de emoção percorreu seu corpo. Era a excitação que sentiu ao perceber que era correspondida por Nando, em seu primeiro momento, quando ainda não tinha certeza de quase nada.
- Só não esqueça que eu te amo. - e surpreendeu-a mais uma vez, beijando-a com delicadeza e com a mesma voracidade que ela tanta sentiu falta. Era aquele beijo que marcava, que parecia que não tinha fim, mas não porque era ruim, mas porque parecia parar o mundo no exato momento em que era iniciado. - Conseguiu sentir o quanto eu preciso de você, Marina?
Ele aproximou para beijá-la novamente mais quando ela fechou os olhos, ele se afastou.
- Espero que sim, mas só vou fazer isso de novo quando você for só minha e de mais ninguém. Seja em pensamento, ou no dedo anelar. - e mostrou a ela a aliança de prata que tinha feito com o nome dela, há meses atrás, quando o mundo parecia conspirar ao seu favor.
Arrancou a moto e se foi.

Ao olhar seu celular, Marina se deparou com pelo menos cinco mensagens de Gabriel.
Olhou-as com certo desprezo.
' Eu não vou deixar você errar na escolha de novo'
' Por favor, Marina, não faça tamanha idiotice de me largar de novo'
' Eu preciso de você e você sabe disso'
' Eu quero você, pra mim. E só pra mim.'
' Eu te amo muito pra te deixar ir embora. '
Nessa ultima, Marina tomou a iniciativa e respondeu:
' Se você realmente me amasse, iria pensar no que é melhor pra mim, e não somente em você.'

(Continua)

Postado por: Isabela Santiago
Isabela Santiago 16 anos, vários desejos e sonhos e muito pra dizer pra caber nesse pequeno espaço. Aqui no blog faço contos e textos. Prazer, Isabela. :)

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