Femismo

01 julho 2011


Nasci assim. Feminista demais. Talvez porque na familia 80% serem homens, nós mulheres temos a responsa de representar duplamente as mulheres da familia.
Saia curta, vestido justinho, salto 15, blush, rímel, pó. Quem me olha pela rua já deve com certeza imaginar o quão arrumadinha posso parecer, mas ainda bem que muitas vezes as aparências enganam. E definitivamente esse é o meu caso. Penso mais que falo, algumas vezes falo até sem pensar, tão humana quanto qualquer ser humano, erro, berro e volto atrás quantas vezes puder. Tentar, arriscar, sempre foi uma das minhas caracteristicas, e no meu horoscopo  já sei de cor: mente anos à frente, assim como Da Vinci, Tom Jobin, Michael Jordan. Mas e aí, homens de novo?
É preciso que seja calculado o equilibrio perfeito entre minha frieza e o calor de alguns atos, para que sejam transformados em amor. E que sejam recompensados devidamente, pra quem merece. Meu pacote veio de nascença, e nele vinham letras garrafais: cuidado. frágil. Cabeça dura, dura na queda, dura e rancorosa. Já ouvi me falarem que consigo lembrar de detalhes do passado tão bem quanto um livro de história, mas se me falares teu nome hoje, em 5 min já não lembro mais a letra inicial. Há quem diga que seja memória de primata: só guarda o que realmente importa. Se quiser passar por essa areia e deixar suas pegadas, faça por onde detalhes fiquem impressos. Garanto que eles fazem mais diferença que atitudes brutais.
Mas e que fique claro: nem sempre você me vê do jeito que sou. Posso sorrir delicadamente, mas apenas para espantar os fantasmas que aqui dentro habitam. Te olho fixamente, mas com certeza minha mente deve estar vagando pela esquina lá de casa. Posso falar entrelinhas, muitas vezes sem até perceber. Posso prender meu cabelo do jeito que for, e nem sempre será apenas pelo calor insurpotável. Posso escolher a salada muitas vezes sonhando com a pizza. São escolhas que meu insconsciente não me deixa fazer. Muitas vezes brinco que ele me conhece até melhor que eu mesma.
Se hoje te abraço, é preciso que corresponda me dando colo até que seja cordial aos mimos que preciso. Hoje em dia ninguém pergunta como foi seu dia sem nenhuma intenção, não pergunta se você conhece alguem por mera curiosidade ou lhe dá um presente não esperando nada em troca. É a lei do dar e receber. Mas será se muitas vezes vale a pena doar demais e não receber nem metade?
São rótulos, fachadas, muitas vezes herdadas, ou até caracteristicas de nascença. Algumas, que nem o fiel espelho pode me mostrar. Complicada demais? Quem sabe. Se for, comecei a conviver e aceitar essa complicadez. Aceitar essa dualidade, ou até mesmo transformar à meu favor.
Acho que tô com vontade de mundo. De descobrir. De algo que me desestruture e me mova. De mudança. De movimento. De explosão.

Postado por: Alana Monteiro
Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

Um comentário:

  1. nossa eu amei esse texto, tenho que confessar que estou virando fã dos seus textos kk, você escreve muito bem, e vou confessar novamente que esse texto fala sobre algo q mexe ecmg, o feminismo, sou feminista e com orgulho.

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