Gosto

17 julho 2011


Meu despertador natural já é projetado pra acordar antes do seu primeiro suspiro. Só pra te olhar dormir. E respirar lentamente. E quando seu primeiro olhar do dia fisgar o meu, iremos enroscar nossos pés descalços e projetar um abraço delícioso de bom dia. Dormirei com seu pijama, enquanto lhe empresto meus livros. E enquanto penso em uma roupa confortável pra esse dia frio, quero sentir o cheirinho de café vindo da cozinha, certamente você preparando a primeira refeição de um dia especial. Dois celulares desligados.  Quero também fotos da sua polaroid, presenteadas e grudadas no meio da agenda - só como recordação. Arrumarei a cama, enquanto você fecha as janelas, antes de sair. No colo um do outro, divagações sobre as catástrofes mundiais, intermináveis e suscetíveis. Jamais as nossas, porque, cá entre nós, de vez em quando chega a ser uma terceira revolução industrial. Consigo chegar ao teu pescoço, e por mais que as alturas sejam parecidas, os planos sejam idênticos, minha cabeça segue um rumo, e a sua outro diferente. Pra lá na frente nos encontrarmos e continuarmos de mãos-dadas seguindo um caminho juntos. Só nosso. Quero sempre ter você pela manhã, querendo fazer parte do meu dia todo. Almoço às três da tarde, chá às cinco e quem sabe um sushi às oito. E que quando eu viajar à trabalho, a volta seja esperada. As ligações constantes, e que a saudade torne o toque, as palavras, os gestos, o beijo.. Especial. Até mais do que já é. Que seja mais romântico, do que quando você tenha saido pra comprar o pãozinho quentinho, eu olhe no espelho da cama, um bom dia manchado de batom. E as chaves do seu apartamento. Beijar você do seu andar até o térreo, sem me dar conta que a porta abriu e o elevador chegou ao estacionamento. E principalmente, por desconhecer o que o futuro reserva; guardar tudo isso na memória, nas páginas mais bem decoradas, algumas com o cheiro do teu perfume; acessíveis para revisitar sempre, a qualquer hora. Como aquelas fotos que eu grudei no teu armário, e os versos que deixei no teu caderno. E mesmo que entre-sorrisos, aquela tua mania chata de me perguntar o que estava pensando.. nem suspeita você, que é na história linda que construimos até aqui. Sem desencontros.

Postado por: Alana Monteiro
Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

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