Sobre as paixões

12 julho 2011


Palpitações, mãos trêmulas, respiração ofegante.
Das cartinhas apaixonadas, à uma simples mensagem de texto. O mundo evoluiu. Quer minha opnião? ele apenas regrediu. Temos a tecnologia de ver em tempo real a pessoa amada que se encontra do outro lado do mundo, mas muitas vezes não temos um amor digno de fazer juz ao nome. Não conto nos dedos as paixonites que já tive pela vida. E os amores platônicos? impossivel lembrar. O que o mundo não entende, é que paixão é diferente de amar. Separados na maternidade, mas completamente opostos. A paixão, segundo platão; onde o coração bate mais forte por aparências, não chega aos pés de um amor avassalador. Que geralmente vêm e fica pra sempre.
Assistindo esses filminhos românticos, suspirava me perguntando o dia em o dia em que teria essas cenas dignas de um casal apaixonado. Novelas com velhinhos de cabelo branco ainda de mãos dadas, um olhar amoroso (jamais apaixonado, rs) perduram na minha memória. Mas somente nela. Será possivel, em um mundo intelectual, vivenciar um amor à moda antiga? Não me refiro á flores, cartinhas e chocolates. Me refiro ao respeito, à atenção e principalmente ao valor que existe no coração - clichês a parte, valorizo as pessoas que entendem no que me refiro. Vejo casais que todo dia terminam, voltam; valorizam atração fisica e muitas vezes exclusivamente carnal, e tornam o eu te amo uma frase tão comum como ''me passe o açucar''. Me pego imaginando: hoje, minha realidade é essa, e daqui há alguns anos? como meus netos se relacionarão?
Pode até parecer um desabafo, mas é simplismente um questionamento. Que eu de cara já até sei a resposta. 
A timidez que impedia o menininho de revelar seu amor à amada, sensibiliza apenas nos filmes. Fazer isso em hoje em dia, o minimo que vai escutar é um "cafona", "infantil". Cadê a apologia ao sentimento? Debaixo de fios e engrenhagens?
Quando é a pessoa certa você sabe. Não vêm em um manual, muito menos GPS de reconhecimento. Vocês se entendem por um olhar, aquele sorriso bobo aparece, e o brilho no olhar entra em campo. Em campo? O campo magnético. Vocês respiram sintonia. As mãos se encaixam perfeitamente, e o carinho chega a ser tão grande que só de saber que a pessoa está feliz, você imediatamente fica feliz também. Presentes são o de menos, para um amor verdadeiro, até o silêncio fala mais que um texto todo.
Dai vem os filhos, a prova da existência de um amor verdadeiro. Não nos tempos de hoje, em que "fazer uma criança" se tornou tão normal quanto "fazer um bolo". Naquele tempo, os filhos eram a concretização de que o amor foi tão intenso, que teve que criar raizes e expandir-se. E quanto mais filhos o casal tinha, sinal que mais irrigada era a familia, mais o amor prosperava entre aqueles seres.
O amor é uma dádiva de Deus. A união de dois corações em um só. Mas para algumas pessoas amor é só mais um exemplo de verbo que pode ser conjugado em todas as pessoas e tempos verbais. Eu amo, Tu amas, Ele ama, Nós amamos. Pra outras, o amor é só mais uma marca de celular que saiu no mercado. Um Iphone de última geração. Mas que em breve será lançado outro mais atualizado, com mais dados e informações, substituindo o antigo, velho e usado. Ou talvez como peças de roupas, onde a cada dia podemos trocá-la. Enjoou? Põe pra lavar. Pego na lavanderia em três dias e sai com cheirinho de novo.
Eu, sinceramente não vejo o amor assim. Longe disso, o amor está presente em cada um de nós, pronto pra ser dividido, compartilhado.. até que um dia encontre alguem para multiplica-lo, somado. Jamais subtraido. E caso seja, que venha para ser em dobro, e preencher o espaço vazio.

Se você um dia você já se apaixonou, é porque ainda não aprendeu a amar.

Postado por: Alana Monteiro

Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

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