Tão shakesperiano

03 julho 2011


Eu adoro viajar. E por isso amo ler. Vamos voltar ao século 12 e nos encaixar em uma romântica história Shakespeariana. A mais famosa, talvez. Romeu e Julieta. Casal filho de duas famílias que se odeiam, apaixonam-se perdidamente. Clichês à parte, os poetas românticos europeus ganharam destaque por isso.  "A paixão deve ser como a noite: eterna". Já dizia Shakespeare na última cena de Julieta. Mas seria isso mesmo? Quem ama, sofre, quem ama, morre? Amar não seria um sentimento perfeito, que só causa o bem? Nas paixões românticas, amar significa sofrer. Mais que isso, significa gostar de sofrer. Amar absolutamente significa morrer de amar. E nem incluo (sado) masoquismo nesse plano. É um sentimento de alma, de coração. Sofrimento por não ter a possa da amada, ou do amado.  E foi o que levou Julieta a se matar. Seu amor impossível por Romeu. Ela não tem outra opção a não ser amar e se matar. Nesses tempos, o amar era um sentimento trágico que muitas vezes só traziam mortes, guerras, como a de Tróia; E até desastres, como foi o caso de Henrique e Ana Bolena, que levou à separação das Igrejas Cristãs Britânicas. Há quem ama, há quem goste de sofrer. De se aventurar, de se entregar aos braços de uma paixão. "Quem ama o errado, certo lhe parece".  Nas histórias românticas, todo amor proibido tem um obstáculo a ser vencido e no fim sempre o amor prevalece. Dizem que existe um tempo para a paixão, a gente não vê quando o amor acontece. Por isso se desconhece como ele acontece. Trazendo pra realidade, uma pessoa que ama acima de tudo é internado em uma clinica de tratamento para loucos. Ora pois, quem se deixa ultrapassar o limite dos amores, que se não o por si próprio? Os tempos mudam, o amor muda. O amor mudou. Amor hoje em dia é restrito unicamente ao sexo. O amor ganhou um novo apelido: o amor carnal. Assistimos à essa histórica e romântica peça teatral e comparamos com a nossa realidade. O encanto de dois olhares, a paixão de duas almas perdeu-se no meio dos séculos e chegou ao XXI totalmente sem razão. “Amor é cristão, Sexo é pagão. Amor é latifúndio, Sexo é invasão. Amor é divino, Sexo é animal. Amor é bossa nova, Sexo é carnaval” Como diz Rita Lee na música Amor e Sexo, a vulgarização remeteu o amor à banalização do sentimento. Mesmo que não seja como Julietas, que exista obsessão. O amor pegou outro rumo, entrou em outro beco e saiu pela tangente.  Os casais de hoje viraram rotina. Viraram cobrança. São manipulados pelo ciúme. “Mas ciúme é a provação de que se ama. Quem ama cuida” Mas que amor é esse que só causa o mal? Talvez a história de amor seja pra isso: encorajar casais de não desistirem de encontrar a saída.  Que a saída esteja neles, esteja na crença do amor. De assistir filmes românticos agarradinhos comendo pipoca. De sorrir e se sentir. De sentir-se completo, mesmo já estando. Que o amor não seja só assim.. Apenas bodas de  prata.. de ouro, de papel. Que seja rígido. Que tenha base. Respeito e confiança. Que tenha sexo, mas com amor. Que ele não vá embora antes dos primeiros fios brancos aparecerem, muito menos antes dos famosos três meses. Que ele venha e fique.

Postado por: Alana Monteiro
Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

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