Desenrola (Capitulo II)

26 agosto 2011

 
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Sempre fui muito otimista em relação às pessoas. Acreditar demais sempre foi um dos meus maiores erros.
Na minha infância, me machuquei muito com amizades não tão inocentes quanto eu acreditava, por isso, além de arranhões nos joelhos de minhas constantes quedas, sempre tive grandes chagas em meu coração.
Feridas sempre abertas, que nunca se cicatrizaram por inteiro, por mais que eu tentasse esquecê-las...
Bem, já se passavam quase dois meses desde que eu conhecera o Renato que, além de gato pra caramba, tinha um jeito encantador.
Mas não sei. Estava acostumada a ter amigos homens, então, nunca achei nada de mais tê-lo ao meu lado.
Por enquanto...
- Mel, eu precisava de uma ajuda sua hoje a noite, com a prova de segunda-feira. Tinha como eu passar na tua casa?
- Awn, tudo bem Rê. Passa lá pelas 8, tá? Vou dar uma passada na cafeteria e te espero lá em casa, então.
- Ok.
Passei a tarde numa correria só, indo a várias bibliotecas, buscando referências para um trabalho e, ao mesmo tempo, deixando meu currículo em algumas lojas do shoopping aqui do bairro.
Tava realmente precisando de uma ajuda finaceira, porque mesmo fazendo uma federal, isto é, não tendo gastos com os estudos, ainda tinha meu apê, alimentação e transporte para meu pai dar conta. É, eu sou orfã de mãe, desde que eu me conheço por gente.
Mas relevemos, certas coisas não precisam ser ditas.
Mas o que eu tava dizendo, é que eu precisava ajudá-lo com minhas despesas. Mesmo.
Era a hora para que eu mostrasse a ele o quão grata eu sou por tudo que ele me fez, e ainda faz. Mesmo longe.
Distribui meu curriculo por umas dez lojas, mais ou menos, e passei em todos os sebos e bibliotecas que me disseram existir na redondeza.
Carregando uma pequena pilha de livros, segui para o meu refúgio pessoal, minha querida cafeteria.
Abri a porta com um pouco de esforço e segui para minha mesa de sempre, mas já tinha alguém sentado ali.
Mas um dos livros tinha que me "ajudar" caindo sobre a mesa.
- Oh, me desculpa.
- Não tem nada, Mel. Eu tava te esperando...
Era o Renato.
Estranho.
Eu tinha combinado com ele às oito, e ainda não passavam das 7, não é?
- Sabe, eu precisava muito conversar contigo. Eu...
Ele parecia tão... frágil. Sim, frágil. Parecia um gatinho que acabara de levar um tombo e machucara feio uma de suas patinhas.
Tão, docemente, frágil que dava até vontade de pegar no colo e carregar pra casa.
- ...preciso de uma ajuda. Sua.
- Com a matéria?
- Não, é outra coisa...
- Pode falar, Rê. 
- Bem, na verdade eu queria uma opinião sua.
- Hummm... e sobre o que seria?
- Bem... Vejamos... Suponhamos que eu esteja gostando de alguém. E esse alguém seja uma amiga minha.
- Sim, o que tem?
- Bem... e que essa amiga não tenha a mínima idéia de que eu tô caidinho por ela. Você acha que seria certo me declarar ou não?
- Hum... Difícil hein? Sabe, já passei por uma situação dessas umas duas vezes. É incrível como a pessoa parece não enxergar uma coisa tão óbvia, não é? Como se uma barreira fosse capaz de separar a visão de algo que tá ali, explicito pra qualquer um ver.
- Exatamente.
- E o pior é o risco que a gente corre, o medo que temos de acabar com a amizade, de perder a pessoa. Mas ao mesmo tempo a vontade de tê-la para si. Um verdadeiro confronto pessoal.
- Isso, é isso que eu tô sentindo, Mel. Exatamente isso...
Estranho como as vezes consigo traduzir tão bem certos sentimentos. Talvez seja pelo fato de eu ter sentido todos eles da forma mais intensa e doída possível.
- Mas o problema é que eu não sei o que fazer... Se eu arrisco ou não. O que você faria?
- Olha, por experiência própria, eu não me arriscaria. Mas isso depende muito de cada pessoa. E principalmente, depende da pessoa da qual você está falando.
- Sei...
Ele ficou quieto desde então. Tive que desfazer o silêncio perturbador, que insistia em nos rondar.
Mas não sei, não consegui voltar a esse assunto.
Não porque ele me trouxesse más recordações ou algo assim, mas algo dentro de mim insistia em me dizer Sai dessa enquanto é tempo, Melissa.
Mas fazer o que se eu eu nunca escuto ninguém?!
Idiota, eu? Imagina...

Postado por: Isabela Santiago
Isabela Santiago 16 anos, vários desejos e sonhos e muito pra dizer pra caber nesse pequeno espaço. Aqui no blog faço contos e textos. Prazer, Isabela. :)

Um comentário:

  1. mudei o nome do blog, troca o "Doces Diferenças" por "Conspirantes" :*
    Beeijos

    conspirantes.blogspot.com

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