Eternidade

25 agosto 2011


O mundo gira, as coisas se transformam. E tenho que dizer, sorte a nossa. Imagina, se os dias não passassem... Se ao acordar aquele pesadelo não tivesse ido embora. Se ele não tivesse sumido da sua vida, se outros não tomassem aquele vazio.  Das festas perdidas, e as recuperadas também. De amores platônicos, histórias repentinas. De outras tantas que você viveu, nem que só por uma noite. E que com o tempo, você tenha mudado seu conceito de amor. De paixão, carinhos. Tivesse desfeito as histórias encantadas e construído um mundo de razão. Algumas, conseguiram ladrilhar, blindar o coração. Um muro mais espesso que o de Berlin e sem dúvidas com mais fiscalização. Tudo isso por medo de viver. Mas uma história de amor só é uma história de amor se for ao mesmo tempo para as duas pessoas. Ninguém pode viver o amor da sua vida sozinho. Nem se contiver todos os sentimentos do planeta em si mesmo. Ninguém. Não nascemos para viver só. Tá no DNA, no RNA, no que for. Tá no sangue. Não tem como não tocar o coração, escutar uma música romântica. E não ter ninguém. Mas é que a gente sofre quando tem as expectativas devastadas... Todo mundo sofre. Acho que o mais difícil é assumir nosso sofrimento com dignidade e reaprender a continuar da melhor forma que puder. Sem se desrespeitar, se humilhar ou perder o amor-próprio... Sei lá. Lembrar do passado com boas lembranças. Rir daquele cafajeste, que só te fez andar pra trás. Rir da sua blusa que ficou transparente com a chuva que caiu, rir do mundo que deu voltas e te colocou justo no mesmo elevador que a sua primeira paixão. Sabe-se lá, se o moço que escreve as histórias de todo mundo não tirou férias e por isso uma vez ou outra tudo começa a dar errado. Quem não deveria te ligar, liga. Quem deveria tomar um chá de sumiço resolve aparecer na tua frente justo nas horas inapropriadas. O mundo gira, a lua que vejo hoje pode ser a mesma de alguém lá nas ilhas Cayman, mas não será a mesma lua do mês seguinte. Coincidências que te perseguem, amores que te fazem sorrir, histórias que deveriam permanecer apenas nos livros. As nuvens brancas que te assistem lá de cima; os dias, os meses, o ano. Porque é para isto que vivemos: para descobrir a eternidade que têm as coisas perecíveis: eternidade que está em nós.

Postado por: Alana Monteiro
Alana Monteiro Aquariana, Paraibana e atualmente morando no Maranhão. Flamenguista, pivô, escritora por diversão, ex-intercambista, futura diplomata e colecionadora de livros.

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