Desenrola (Capitulo III)

03 setembro 2011

 
Piquenique_large

Eu não entendo como consigo me envolver tanto com as pessoas. Sim, mas as pessoas que eu amo, logicamente.
Em tão pouco tempo, o Rê, como eu o chamava, tornou-se uma peça fundamental em minha vida, como se já fizesse parte dela há anos e anos.
Sabe aquele tipo de amigo que você quer levar consigo pra onde quer que você vá?
Mas, ainda existia algo de errado nisso. Algo errado nesse querer fazer tudo com ele, a todo momento.
Não somente por mim, que já sentia que um laço estranho se formava entre nós dois, mas por ele, que de alguma forma, já me refletia sinais de que uma amizade não poderia seguir por muito tempo entre nós dois.
' Mel, preciso te contar uma coisa. Me encontra no Café, lá pelas 15:30 que eu tenho uma surpresa pra você. Beijos. Rê.'
Era meu celular, que recebera essa mensagem enquanto eu me dirigia para o banho.
O que seria essa tal surpresa?
Enfiei a cabeça debaixo do chuveiro e respirei fundo, tentando não premeditar nada.
Enquanto a agua quente se espalhava pelo meu corpo e molhava meu cabelo, o celular entoava músicas animadas, me ajudando a renovar meu espírito há tanto tempo cansado.
Enrolada na toalha, ainda pingando água quente, abri meu guarda roupa. Aquele momento em que nada fica bem em você.
Arranquei metade das roupas dali, e nada me satisfazia, mas fazer o que? Sair nua era que não seria minha opção.
Peguei uma bata colorida e meu jeans azul. Sequei o cabelo, e passei uma base para disfarçar as olheiras das noites mal dormidas. Um batom levemente rosado, e tcharam! Estava eu, parecendo gente, enfim.
Peguei meu celular, minhas chaves, minha agenda e carteira, enfiei tudo na bolsa e desci escada abaixo.
Ao chegar na entrada do prédio, o porteiro, Seu Manoel, um português de idade, muito gente fina, virou para sua esposa que varria a calçada e disse:
- Olha só, mulher, como a Dona Melissa está bonita. Será que arrumou um namorado?
- Ora, deixe de coisa homem. A moça é bonita, só precisa se cuidar mais vezes, como hoje.
- Obrigada Seu Manoel, quando eu arrumar um namorado te aviso haha.
- Acho que não vai demorar muito, pelo visto haha


Olhei para o céu.
Estava de um tom alaranjado, incrivelmente lindo, com poucas nuvens. Já passavam das 4.
- Desculpa o atraso, Rê. Eu recebi seu sms em cima da hora.
- Tudo bem, Mel. Não se preocupa.
- Bem, e o que você tem pra me falar?
- Hmm... na verdade eu tenho que te levar... Vem comigo?
Como eu diria não àqueles olhos?
Mas ele nem deu tempo para que eu pensasse. Pegou-me pelo braço, e me carregou até sua moto.
- Toma o capacete, mas quando eu parar a moto quero que você feche os olhos tá?
- Tudo bem, Senhor Mistério.
- Segura firme, Senhorita. haha
Quando o abracei, pela primeira vez, senti algo diferente. Seu perfume me despertou um desejo profundo de encostar em sua pele macia e acariciá-la. De encostar os lábios em sua orelha, e sentí-lo mais e mais perto.
Incrível como tenho a capacidade de transformar o que sinto, seja pra melhor ou pra pior.
Intensidade, seu nome é Melissa.
Peraí! Chega disso! Ele é meu amigo e continuará sendo assim, essa só é mais de uma das minhas constantes carências pessoais e...
- Fecha os olhos, Mel.
Ele segurou minha mão e foi me puxando devagar até um lugar onde eu ouvia o som de água.
- Posso abrir?
- Hmm... Sim, agora pode.
Estávamos no parque da cidade vizinha, onde uma cesta de piquenique e uma toalha estava estendida sobre a grama verde, próximo do rio que ali corria, anunciavam um...
- Um piquenique! Nunca fui a um piquenique, a não ser na escola haha.
- Bom, esse foi feito especialmente pra você, senhorita. haha
Ele abriu a bolsa térmica e tirou duas latas de refrigerante, dois sanduíches caseiros, guardanapos e canudos.
Comi olhando a belíssima vista que ao meu redor se formava. Era o pôr do sol, enfim.
- Humm.. tenho morangos aqui, você quer?
- Aham.
Ele pegou um e tirou as folhas, para molhar numa lata de leite condensado.
- Como você sabia?
- Do que?
- Morango com leite condensado!
- Não sei. Sempre gostei de comer eles assim.
Fiquei tão encantada com o fato dele ter o mesmo gosto, até mesmo na forma de comer o morango que nem percebi quando ele se aproximou para dar-me um na boca.
Algo bem estranho de ser feito entre dois amigos... Diga-se de passagem.
Ele parecia estar tão perto que eu conseguia sentir ainda mais o seu perfume amadeirado, sua pele macia paracia cada vez mais convidativa ao meu toque...
- Abre a boca e fecha os olhos - ele disse.
Mas não era o sabor do morango que surgiu na minha boca.
Era o sabor dele.
Ele me beijara.
Com uma delicadeza que nenhum outro fora capaz de ter comigo.
Seus lábios eram macios e pareciam querer os meus, que ainda não sabiam o que fazer.
Separei-os, surpresa, com os olhos baixos e o rosto ardendo em chamas.
- Mel, eu...
Não consegui encarar seus olhos. Mas os meus insistiam em deixar lágrimas rolarem pelo meu rosto.
Levantei dali e andei pesadamente para a outra margem do rio.
Mas não adiantou muita coisa.
Seus pés ligeiros me alcançaram e seus braços fortes me puxaram mais uma vez para si.
- Eu te amo, Melissa.
E mais uma vez, pude sentir o sabor daqueles lábios.

Postado por: Isabela Santiago
Isabela Santiago 16 anos, vários desejos e sonhos e muito pra dizer pra caber nesse pequeno espaço. Aqui no blog faço contos e textos. Prazer, Isabela. :)

Um comentário:

  1. A parte final dá aquele gostinho de quero mais ! hahahah! vc escreve muuuito bem :)
    Beijos,
    www.theattitudeincluded.blogspot.com

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