Desenrola (capítulo IX)

16 outubro 2011



Acho que cada coisa acontece em seu devido tempo, sabe? Essa foi uma frase ensinada por meu pai, ao longo dos anos e anos de convivência entre nós dois. Ele costumava dizer que nada acontece por acaso, mas por ser destinado a modificar de alguma forma nossas vidas, mesmo que nos aparente ser uma forma grotesca e dolorosa de mudança.
Então eu não me imaginava onde estava, empregada numa área que eu sempre amei, num lugar digno e onde meus escritos eram considerados bons.
Acho que, o que me fazia ser completa mesmo, além de tudo isso, era o fato de ter ao meu lado alguém que valesse a pena, que considerasse o amor tão importante quanto, sei lá, um trabalho. E isso pra mim fazia toda a diferença.
O Renato também já dera seus primeiros passos depois de finalizar a faculdade, e também fazia parte de uma equipe da área, só que no ramo de telecomunicações.
No fim de um ano, aconteceu.
Eu tinha feito um jantar diferente, uma macarronada encrementada com um molho que, cá entre nós, deu super certo. Mas o Renato ainda assim, parecia esconder algo, não muito comum ao que eu já estava acostumada, e por sinal, mal tocou na comida. Depois de jantarmos, eu tirei a mesa e segui para a janela, a olhar as estrelas e a lua. Ele chegou por trás de mim, percebi logo, mas havia uma certa frieza em seu jeito.
- Eu queria te falar uma coisa...
- É? Percebi...
- Percebeu?
- Você fica diferente quando esconde algo de mim. - ele pareceu vacilar ainda mais, quando eu disse isso. Esperei que ele se recompusesse, mas pareceu tempo demais. Preferi dar um primeiro passo e perguntar o que era. Ele abaixou os olhos, tentando escondê-los de mim.
- É que, não posso continuar contigo, Melissa.
Meu coração pareceu congelar no mesmo instante.
- Você o que?
- Eu não posso, me perdoe. Eu não queria nunca te ferir, te machucar, mas eu não posso ficar do seu lado.
- O que é isso, Renato? Algum tipo de piada? Você enlouqueceu de vez ou coisa parecida?
- Não, Mel. Infelizmente não. Mas não quero te fazer sofrer, por isso eu preciso ir...
- Então fala! O que aconteceu com aquele homem que me fez promessas, que me segurava pela cintura, que morria de ciúmes de mim, que me disse que nosso amor seria eterno? Onde foi parar o Renato que me prometeu ser meu pra sempre?
- Eu errei quando disse isso, por isso te peço perdão. Nunca quis te magoar, mas não posso continuar com isso...
- Isso? Tudo o que a gente construiu, viveu, agora é isso?
Ele nem sequer conseguia olhar em meus olhos, os seus estavam baixos e pareciam se segurar para não derramarem lágrimas. Mas mesmo assim, eu não me importei, não, porque o que ele estava me fazendo não doía tanto quanto o que eu estava sentindo.
- Você tem idéia do quanto vai me machucar? Do quanto eu vou te odiar por isso tudo? Eu não vou te perdoar, se você sair por essa porta está tudo acabado! PARA SEMPRE!
- Mel, por favor, eu não quero isso pra você. Não quero que você guarde de mim más recordações, eu queria que você me lembrasse como uma memória boa na sua vida, como alguém que te fez feliz pelo menos por um curto período de tempo. Eu não...
- Você não tem o direito de querer nada! Você... - quando me vi, já estava no chão, caída por tamanha aflição. Ele ainda tentou puxar meu rosto para que eu pudesse vê-lo, mas me recusei.
- Eu não quero te ver mal, Melissa, entenda. Só tô fazendo o que é melhor pra você, e pra mim, acredite. Ficar vai te fazer sofrer muito mais. Muito mesmo.
- Ir vai me fazer sofrer mais que tudo. Mas já que você quer me abandonar...
- Por favor, não complique as coisas ainda mais pra mim, eu... eu... preciso ir.
Ele correu para a porta e se foi.
E assim o capítulo que eu imaginei ser o mais belo e quizá eterno de toda minha vida, teve um fim.


(Continua...)

Isabela A. Santiago

Um comentário:

  1. olá vim conhecer seu blog e adorei , estou seguindo , se puder passa lá no meu? bjshttp://meumundinhopinky.blogspot.com/

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