Desenrola (Capítulo VII)

01 outubro 2011

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Renato tinha pegado o carro do pai emprestado, e me segurou pela mão por todo o caminho até ele. Incrível como uma pessoa se sente ameaçada por uma coisa tão pequena. Fomos até o meu apartamento e coloquei minha mala em meu quarto enquanto pedia que ambos esperassem na sala, enquanto eu arrumava o quarto do Lucas.
- Posso entrar? – era o Rê, com os olhos intensos novamente em mim.
- Pode sim, meu amor.
Ele me segurou pela cintura, enquanto eu arrumava a cama para o Lucas.  Meu cansaço era tão intenso, daquelas “férias” em que passei mais tempo cuidando do que sendo cuidada, que me permiti ser abraçada com tanta força.
- Senti tanto a sua falta...
- Eu também meu bem, mas eu preferia que você voltasse mais tarde. Eu to derrubada de cansaço e necessitada de um bom banho. Vou só arrumar o quarto e desfazer a mala.
- Aham... E quem é esse seu amigo?
- Ah, sim! É o Lu, um grande amigo meu, de longa data. Ele pediu pra conhecer minha “nova vida” aqui, e veio passar três dias comigo.
- Hum... Pensei que você quisesse passar essa ultima semana comigo...
- Ué, mas vou.
- Fala sério, né, Marina?! Você entende o que quer dizer programa de casal?
- Mas eu posso muito bem dividir o tempo entre mostrar a cidade pra ele, e passar a noite contigo. E eu vou passar os outros dias todos com você, meu bem.
- Tá.
Ele nem me deu tempo de fazer cara feia e já me jogou de lado, roubando-me um longo beijo, o meu preferido.
De tarde, depois de ter arrumado tudo e cochilado um pouco, decidi levar o Lu pra conhecer a cidade.
- Vamos aproveitar que ainda é sexta e ver alguns lugares que eu amo!
Levei-o no shopping, tomamos um belo milkshake, entramos na loja de livros e ele insistiu em comprar um que eu estava de olho há dias. Não iria comprá-lo na sua frente, logicamente, ficaria pra próxima. Depois fomos ao meu querido Café, mas ele estava em reforma. Só abriria no sábado.
De noite, ao chegarmos, fui tomar um banho enquanto o Lu assistia TV. Quando cheguei no quarto lá estava sobre minha cama, um presente. O livro que eu tanto queria, com uma linda dedicatória do Lucas. Ele nem conseguiu esperar que eu o chamasse, já estava na porta para ver minha reação.
- Então, gostou?
- Você é vidente ou o que, garoto?
- Você tava querendo esse livro, é isso?
- Tava!
- Oba! Então acertei – e com aquele sorriso que sempre me fez tão bem, me deu um bom abraço de amigo.
Recebi uma mensagem do Rê, dizendo que iria dormir comigo, eu disse que sim, já estava acostumada a dormir da mesma maneira que aconteceu naquela primeira noite. Ele me segurando pela cintura, me aquecendo e nada mais.
- Ele dorme aqui sempre, Mel?
- Quase. Por quê?
- Bem, é que, quando éramos... você nunca quis...
- Não, eu nunca dormi nesse sentido, com ele. A gente dorme junto, ele do meu lado, eu do lado dele, e só.
- Ah, sim. Desculpa a pergunta indiscreta. Imaginei que você tivesse mudado seu ponto de vista em relação a virgindade, essas coisas.
- Não, pelo menos por enquanto haha
Ele preferiu dormir antes do Rê chegar, estava visivelmente cansado. Meia hora depois a campainha tocou.
- Oi, minha linda.
- Oi, amor.
Ele tinha um pacote na mão e me entregou desviando os olhos.
- É uma coisa que eu já estava pensando em fazer, não sei se você vai achar bobagem, mas...
- O que é?
- Abre.
- Uma aliança de prata?
- Sim, uma aliança de... namoro. Pra oficializar, só.
- Não precisa, meu bem. Eu já sou sua de qualquer forma. Obrigada. Te amo.
- Eu também, muito.
O preço que se paga às vezes é muito alto quando se dá tudo pelo outro, quando se confia demais no outro, acreditando que ele conseguirá entender suas próprias necessidades, sua liberdade de gostar de quem quiser, de amar quem quiser. Mas é o contrário, porque nem todo mundo é capaz de distinguir uma grande amizade de um grande amor. Foi o que aconteceu comigo.
(continua...)

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