Desenrola - (Capítulo VIII)

08 outubro 2011

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Às vezes algumas pessoas aparecem em nossas vidas para transformá-las, seja de forma positiva ou negativa, mas é através dessas mudanças que aprendemos a ser mais humanos, mais próximos de nós mesmos.
O Lucas ficou nos dias previstos e foi embora em seguida. Iria deixar uma falta danada, já que ele me alegrava constantemente, e sabe, acho que ele finalmente conseguiu entender que éramos apenas amigos, e que o que aconteceu conosco ficou pra trás, como uma bela memória guardada.
- Pronto, agora já pode desamarrar essa cara, Renato. Temos mais seis dias.
- Pra mim ainda é muito pouco, eu sinto tanto a sua falta...
- Se você tá achando ruim eu posso voltar pra...
- Não, não! Não é o que eu gostaria, mas é suficiente.
- Você às vezes parece tão...
- Tão?
- Possessivo, Rê. Eu te amo, muito mesmo. E mesmo assim você duvida de mim, você sempre acha que eu não sinto a sua falta, que eu não me sinto mal por não estar do seu lado, que eu não me importo quando você não tá bem, e só você não consegue enxergar que pra mim é exatamente o contrário. Que eu me importo contigo, que sua ausência me machuca, que quando você não tá bem eu também não estou... - não sei se porque as palavras sairam rápidas demais ou porque eram parte de algo que eu estava sentindo há algum tempo, mas comecei a chorar.
Um soluço pareceu destancar em minha garganta, me fazendo correr para longe dele.
Ao abrir a porta do banheiro, ele me segurou pela mão e me puxou para si.
- Desculpa, Mel. Por favor, me desculpa. Eu sou inseguro em relação a você, eu tenho medo de não ser suficientemente bom para você e tenho medo que você descubra alguém capaz de ser o contrário, alguém que possa te completar de verdade...
- Mas você é pra mim isso tudo. Você é meu porto seguro, minha mão firme, minha esperança de uma vida tranquila, meu desejo de ser feliz.
- Tem certeza disso tudo?
- É isso que me machuca, Renato. Essa tua desconfiança sem lógica.
- Tá bom, eu prometo que nunca mais toco nesse assunto. Eu vou tentar mudar, mas por favor, me perdoe.
- Eu te amo, seu idiota, já esqueceu?
- É sempre bom lembrar haha
E lá foi ele me segurando pela cintura para poder olhar em seus olhos, aqueles mesmos que um dia eu encontrei no café, tão profundos e doces que eu tanto amava.
- Eu também te amo, muito, muito, muito, Mel.
Um ano se passou desde então, a faculdade estava finalizada e eu estava pronta pra seguir na profissão, como jornalista profissional. Já comecei a trabalhar em algumas matérias de alguns jornais pequenos, mas tudo estava mudando tão depressa que nem me dei conta quando fui chamada para trabalhar em um jornal digno da cidade. Tudo estava dando certo!
- Melissa, você vai trabalhar na redação. Então eu gostaria de saber quais são seus objetivos, e em quais areas você acha que estaria mais capacitada a escrever, apesar do fato de estarmos precisando mesmo um bom colunista para fatos diários, e comentários sobre o dia-a-dia da sociedade brasileira.
- Então já tem seu colunista.
- Ok, faremos um teste por um mês e se tudo der certo, você seguirá como a nossa mais nova colunista. Parabéns.
Eu não estava nem acreditando em tudo aquilo. Mas felizmente era real, e até mesmo palpável uma realidade em que minha vida desse certo.

(continua...)

Por: Isabela Santiago

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