Saudade...sem definição

02 outubro 2011

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Era uma manhã de chuva. De sol. Dos dois ao mesmo tempo. Clareou o dia e eu continuei escrevendo. Noites sem dormir. Um cappuccino e um longo artigo por fazer. “Como a rotina abre espaço pra saudade.” Não havia encontrado soluções. Ainda não havia me acostumado com o clima britânico, mas ficava feliz em estar chuviscando e o sol batendo na janela. Não sei onde estarei próximo semestre, próximo ano. Então me obriguei a deixar isso pra depois e sair pra ver o mar. 

Coloquei um suéter e um sobre-tudo cor de marfim, achava sempre que combinava com meu tom de pele e meus cachos achocolatados. Uma boina vermelha que eu havia comprado em Paris no inverno de 2009 e meus oxfords confortáveis que me fazem caminhar e pensar, sempre. As ruas das cidades do sul me deixavam com uma tranqüilidade tão grande que a saudade de casa quase não me fazia lembrete. Braços cruzados, porque o frio doía os ossos e a cabeça em qualquer outro lugar do mundo. As ruas, calmas e sem nenhum barulho, me faziam estar em uma cidade quase deserta. Após o entardecer, um toque de recolher silencioso. Estranho que era essa hora que eu gostava de sair de casa. No silêncio. Mas hoje não (...)

Já havia passado por Toronto, Montevidéu, Paris, sul da França. Algumas cidades Irlandesas por poucos meses.. Nunca imaginei que o frio suave inglês me faria conviver com a saudade. Algumas mensagens instantâneas dizendo que sente minha falta, não era contento. Eu gostava de ver o mar pra lembrar dos feriados em que tínhamos tempo de viver pro mundo. 

De sair de mãos dadas olhando as pessoas na rua e sorrir como se tudo estivesse perfeito. Eu escolhi essa vida, esse amor pela minha profissão. Acima de qualquer amor, qualquer paixão. Fronteiras me causavam arrepios. Vozes ao telefone já não me fazia bem. Fotos me causavam náuseas. Só quando se convive com a saudade que te se tenta aprender a lidar com ela. 

Mas eu havia me adaptado. Como uma kamaleoa e meu sobre-tudo cor de marfim, passava transparente às ruas charmosas e vazias. Cada país mostra um pouco de mim e naquele momento eu era a frieza britânica. O calor humano brasileiro ficava só para o mês de julho, quando tivesse tempo. A rotina Nova Yorkina fica pra quando o coração estiver acelerado. Ou apaixonado novamente. Esses tempos não, me contento apenas em ver o mar. Sentir a brisa. A nostalgia que hoje toma conta de mim. 

Quero apenas a neblina deformando meus cachos e tornando-os densos, macios. Quero preparar meu rosto pra sorrir outra vez, mesmo que seja saudade, meu motivo. Mesmo que sem soluções, mesmo que as lágrimas corram pelos olhos, mesmo que ainda exista amor pra recomeçar.

4 comentários:

  1. Que lindo o texto *u*

    beijos sweetmakeups2.blogspot.com

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  2. Ah muito obrigada pela visita no meu blog (Coisas De Meninas). Eu amo o seu blog, ele é encantador, cheio de posts maravilhosos *-*. Já sigo aqui faz tempo viu querida. Amo muitão aqui, parabéns pelo blog :D

    Coisas De Meninas

    bgbg:*

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  3. Lindo o texto *-* vc acabou com os afiliados?
    Ah, fiz uma reforma no meu blog, me diz o que acha? (;
    Beeijos

    http://conspirantes.blogspot.com/2011/10/o-conspirantes-meio-revista-quemcurte.html

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  4. você acabou com os afiliados (2) ? Sumiram todos, Pamella..

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