desenrola (capítulo x)

04 novembro 2011


Acordei com os olhos inchados, imaginando estar despertando de mais um dos meus terríveis pesadelos. Mas não. Infelizmente tinha acontecido. Tudo que eu imaginei, tudo que eu sempre quis acabara de ir embora, sem que eu sequer soubesse o motivo de tal abandono. Era como se um buraco fosse aberto dentro de mim, como se tivessem carregado um pedaço do meu coração embora, algo tão doloroso quanto desumano. Mas ficar pensando nos porquês não me ajudaria em nada, e eu sabia disso, apesar de querer cada vez que me olhava no espelho chorar até me afundar em minhas próprias lágrimas.
Tomei um banho, lavando a cabeça para tentar me livrar da dor, do peso que se fizera em meu peito. A água quente lavava o corpo, o aquecia, mas quem seria capaz de aquecer meu coração?
Tudo me fazia lembrar dele, uma música, um sorriso que fosse, um casal de namorados, um abraço, uma cena de romance, uma briga, principalmente, mas nem ao menos seu nome, conseguia repetir, pelo simples fato de que dizê-lo parecia despertar ainda mais a dor que eu tentava esconder de mim mesma.
O tempo foi passando, e eu fui tentando. Tentando seguir em frente, tentando sorrir novamente e, principalmente, tentando me manter viva.

- Melissa, desculpa me intrometer, mas o que está havendo contigo?
- Oi? - tomei um pequeno susto quando meu colega de trabalho, o Arthur, se aproximou.
- Err, eu tenho percebido você cada vez mais distante, e o chefe veio me perguntar o que está acontecendo, porque suas matérias estão tão superficiais como jamais foram, como se não fosse você que estivesse realmente aqui.
- É mesmo?
- É, Mel. Eu vim te falar antes dele, porque gosto de você, e porque te admiro muito aqui na redação.
- Sabe, é tanta coisa acontecendo comigo que eu... às vezes eu não sou forte o suficiente pra aguentar, entende?
- Se quiser, eu tô descendo pra almoçar, e a gente pode conversar.
- Tudo bem então, deixa só eu desligar o computador e pegar minha bolsa.
O Arthur era um cara simpático, que pra mim, tinha o verdadeiro espírito jornalístico que qualquer jornal merece ter. E era aquele que eu considerava como meu ombro forte naquele lugar. Ele me apoiava e me mostrava no que eu estava errada, ao mesmo tempo. Coisa de amigo, mesmo.
- E então? O que está havendo contigo?
- É complicado...
- É o namoro? - aquela pergunta me trouxe uma maré de recordações que eu tanto tinha tentado esconder de mim mesma.
- Na verdade, não.
- Então é o que?
- Ele terminou comigo.
- Terminou? Mas assim do nada, aconteceu alguma coisa mais séria entre vocês?
- Infelizmente não. Ele falou que não podia continuar comigo e foi embora. - Nessa hora meus olhos já não conseguiam segurar a avalanche de lágrimas que estava por vir e comecei a sentir o pranto se formando em meus olhos - Ele me abandonou, entende? Sem sequer me dizer o motivo de tal maldade. E o pior é que eu fico achando que a culpa é minha, que eu fiz algo errado pra ele ter feito isso, só não consigo imaginar o que.
- Mel, não se sinta mal por ele. Provavelmente se ele foi capaz de te abandonar foi pelo fato dele nunca ter te merecido, mas não fique imaginando que foi sua culpa. Isso só vai te fazer mais mal. - ele se levantou e me levantou também, me dando um forte abraço, lugar onde eu pude abrigar, enfim, meu coração cansado.

- Tudo vai ficar bem, eu prometo.
E com essas palavras eu pude, depois de tantos dias , respirar mais aliviada, já que a partir daqui, eu teria alguém em quem confiar, como eu tanto precisava.

(Continua...)

Isabela Santiago

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