desenrola (capítulo xi)

12 novembro 2011

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O tempo foi passando e eu fui seguindo meu rumo, ou pelo menos fazendo o possível para conseguí-lo. Sabe, quando você desiste de criar expectativas em relação às pessoas, o mundo ao seu redor parece conspirar um pouco a seu favor.
Fui me desvinculando cada vez mais da imagem de amores, paixões e qualquer tipo de sentimento que me trouxesse algum tipo de sofrimento; me libertando de saudades, ou ao menos neutralizando-as; e tentando fazer tudo o que me fazia bem, como tomar meu café da tarde, sair para ver o pôr do sol, ler, e principalmente, escrever. Esse ultimo com maior paixão possível.
Já percebi que quando eu tô menos anciosa, feliz ou mesmo apaixonada, eu consigo adquirir maior inspiração para tudo que eu faço, principalmente escrever, e foi isso que me levou a ganhar, em pouco menos de um ano trabalhando na redação do jornal, uma bolsa para ser estagiária em Londres, junto com o Arthur. Realmente, um sonho! Imagina, começar trabalhando no que você mais ama e acabar numa redação em Londres?
- E então, já tá com as malas prontas, Mel?
- Quase! Vou comprar algumas roupas a mais, porque você sabe que Londres não é Brasil. Muito frio, como eu amo! haha
- Então eu posso ir contigo porque vou ter que fazer o mesmo.
- Mas você não vai me suportar, sou um porre fazendo compras, demoro horas no vestiário e...
- Não precisa se preocupar, fazemos assim: eu faço minhas compras e você as suas, e quando terminarmos, tomamos um café. O que acha?
- Perfeito!
Fomos juntos para o shopping, e saímos a busca de roupas de frio, sapatos, cachecóis e tudo possível para nos aquecer do frio britânico. Acho que demoramos cerca de três horas, ou pelo menos eu gastei esse tempo todo, porque o Arthur estava sentado em frente á pequena cafeteria do shopping quando eu cheguei.
- Demorei?
- Não muito.
- Então, deu pra achar alguma coisa? - ele levantou suas sacolas cheias.
- E você? - fiz o mesmo com as minhas sacolas, talvez quase o dobro das dele.
- Acho que isso responde alguma coisa. - sorri, com os olhos baixos. Algumas coisas nele me lembravam alguém que eu não precisava lembrar naquele momento.
- Vai querer o de sempre?
- Aham.
Esperamos um pouco, e depois de servidos começamos uma longa conversa sobre os planos para o futuro. Ele falava um inglês perfeito, e eu tentaria me aperfeiçoar à língua com o tempo, já que tinha alguns anos que fizera um curso intensivo ainda quando estudava.
Ele pensava em continuar na carreira de jornalista, e quem sabe, um dia, escrever seu próprio livro, assim como eu. Engraçado como éramos parecidos até mesmo nos gostos.
- Mel, eu queria te perguntar uma coisa, mas não sei se estaria invadindo demais a sua intimidade...
- Pode falar, Arthur. Você já é um grande amigo, pra mim.
- Eu queria saber como você está, realmente. Se você está conseguindo se recuperar de tudo aquilo...
- Olha, eu tenho sido forte em relação a tudo que passei, sabe? Eu tenho tentado me focar no trabalho e esquecer do resto. Deixar a vida seguir seu caminho, desde que eu não me machuque mais.
- Mas, você se sente pronta pra outra? Porque eu às vezes acho que ainda resta um pouco de tristeza no seu olhar.
Eu parei um pouco. Ele realmente me conhecia.
- Ah...
- Esquece, Mel.
Eu revirei os olhos, mas preferi responder.

- Eu talvez nunca acredite mais em certas coisas, porque quando você é abandonado como eu fui, você não consegue se sentir completamente seguro ao lado de alguém, com medo de que ele faça o mesmo, entende? Então não pretendo me envolver emocionalmente com ninguém tão cedo.
- Entendo.
Fiquei mais aliviada em dizer aquilo, porque por pior que parecesse, era a mais pura verdade.
Em uma semana, já com o passaporte tirado, viajei para ver meu pai e o Lucas, passando dois dias com os dois.
- Agora que você tá solteira de novo, podia mudar de idéia em relação ao Lucas.
- De novo essa história, pai?
- Ah, vai que dá certo dessa vez.
Revirei os olhos e fui atender a campainha. Era ele.
- Você poderia me carregar daqui só pra eu não ter que ouvir meu pai falar de você pela nonagésima vez?
- Ah, mas eu amo escutar ele falando que eu deveria ser o seu genro!
Empurrei-o pra fora antes que papai o ouvisse.
Fomos para o parque tomar sorvete.
- E como você tá, Lu?
- Ah, sim. Arranjei um emprego na contabilidade e tô ganhando razoavelmente bem. Até uma moto eu já tenho.
- Que bom, meu bem.
- E você, como tá?
- Ah, você sabe. Vou pra Londres e...
- Não é disso que eu tô falando, Melissa. Você sabe muito bem que eu tô me referindo ao seu coração, e não a sua carreira.
Tive que engulir um nó que se formava em minha garganta, algo que sempre acontecia ao mexer em certas feridas.
- Tô tentando superar, Lu. Só isso.
- E tem conseguido?
Meus olhos cheios d'água foram a resposta a tal pergunta. Disfarçar nem sempre foi o meu forte.
- Vem cá.
Ele me abraçou, e tratou de cuidar de mim, como fazia quando eu ainda era sua namorada.
- Sempre que precisar de um colo, de um braço, de um amigo, ou mesmo de um namorado, eu estou aqui, tá?
- Aceito o colo, o braço e o amigo, mas quero distância de certos tipos de relacionamentos.
- Tudo bem, então.
Malas prontas, meus queridos livros todos dentro delas, passaporte, carteira e celular. Tudo ok. Depois de um café junto a um sanduíche, desci as escadas ajudada pelo porteiro, que me ajudava com as malas.
- Senhorita Melissa, essa carta chegou para você ontem.
- Tudo bem, eu abro no vôo. Cuidem bem do meu ex-apartamento, e tratem de colocar alguém bem bacana no meu lugar, hein?
- Haha A senhorita vai fazer muita falta, muito sucesso.
- Obrigada meu velho português.
Peguei um táxi e logo estava dentro do avião, junto a uma barra de chocolate e meus fones de ouvido.
Até que me esqueci da tal carta, mas ao abrir a bolsa para pegar meu mp3 a vi e decidi abrí-la.
Mal sabia eu que seria ela que mudaria tudo, novamente.

(Continua...)

2 comentários:

  1. aaaah meeu Deuus, curiosa.

    Parabéns , tu escreve muito beem, viciei *-*

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  2. Oie!
    Quando vcs vão continuar???
    Tô mto curiosa!
    Já faz quase um mes que publicaram o capitulo cadê o outro???

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