desenrola (capítulo xii)

20 novembro 2011

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"Mel,
fiquei meses criando coragem para te mandar essa carta, para tentar explicar tudo que realmente me aconteceu, pra mostrar que, enfim, eu não sou esse monstro que você deve imaginar.
Existem coisas na vida que acontecem sem depender  da nossa vontade, e me separar de você foi, com certeza, uma dessas coisas.
Antes de querer rasgar essa carta, eu te peço que leia até o final para que pelo menos, entenda a minha situação e faça o que achar melhor depois.
Eu não escolhi me separar de você porque deixei de te amar. Pelo contrário, a única coisa que eu fiz esse tempo todo foi imaginar você, lembrar de nós dois juntos, dos nossos momentos e de que não cumpri com minha promessa de que ficaríamos juntos.
Saiba que doeu muito dizer o  que eu disse naquela maldita noite, mas foi preciso, Mel.
Foi tudo pensando no seu bem, somente.
Eu sei que me afastei e tentei não manter contato, mas sempre que sabia que você estava mal, e por minha causa, eu desencorajava. Mas eu sei que você está vindo pra Londres. É, eu estou morando aqui e por um motivo realmente sério, e peço que você atenda o meu pedido de que eu possa esclarecer tudo pessoalmente. Pode não ser a situação mais agradável por tudo que eu te fiz passar e por não saber se você está acompanhada ou não, mas, enfim. Eu sei que antes de qualquer coisa preciso te mostrar o meu lado. Sei que não é justo querer isso de você, mas pense nisso.
Por favor.
Eu sei que é o mínimo que eu posso fazer para tentar concertar o erro que foi ter te deixado.
Assim que você chegar, eu te procuro.
Beijos,
Renato."

Afinal, o Renato reaparecera, não fazia ideia de como nem porque, mas lá estava ele novamente, entrando na minha vida. Naquele momento depois de ver sua letra, de ver cada palavra escrita por ele e até mesmo em perceber algumas lágrimas sobre o papel, meus olhos se encheram d'água mais uma vez.
Porque, depois de tanto tempo, depois de eu começar a conseguir me reerguer, me sentir mais segura e pronta pra seguir em frente, porque ele tinha que reaparecer? Pra me dar esperanças novamente e ir embora, me deixando com o coração em pedaços, enquanto eu não sei nem ao menos o porquê de tal falta de consideração?
Fui do aeroporto para o hotel, sem prestar atenção na bela paisagem de primavera que me rodeava. A estação das flores agora já não era tão perceptível a mim quanto a minha sensibilidade em ter o coração partido. Mas, enfim. Cheguei ao hotel, nada de muito luxo, mas confortável e bom o suficiente para que eu pudesse me abrigar até encontrar uma morada fixa. Por incrível que pareça consegui me expressar razoavelmente em inglês.
Cheguei ao meu quarto, desfiz as malas e ao entrar no banheiro, para minha surpresa, tinha uma banheira de louça. Tudo o que eu sempre desejei em meu quarto. Pelo menos uma coisa boa devia me acontecer depois do caos que se formou dentro da minha cabeça após ler aquela maldita carta.
Peguei meu celular e liguei pro meu pai, pra avisá-lo que tinha chegado e também para o Arthur, para avisar que já estava devidamente hospedada. Ele preferira ficar com um tio dele que morava aqui.
Fui para cama e acabei dormindo.
Senti uma mão sobre os meus cabelos, a fazer pequenos cachos, a respirar tão perto de mim que eu quase poderia sentir sua pulsação. Seu corpo era tão quente e macio, que ao meu lado, era capaz de me aquecer por completo.
- Oi, meu amor.
Era ele. Seus olhos profundos, sua respiração calma e seu sorriso fascinante.
- Eu nunca deixei de te amar...
Mas sua imagem desaparecia a cada vez que eu tentava me manter com os olhos abertos até que me vi sozinha novamente.
Só um sonho, Melissa. Não era assim também com as coisas que você imaginou serem reais e eternas?

(Continua...)

Isabela Santiago

Um comentário:

  1. Amei as história, posta mais que eu to louca pra ler o resto *-*

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