desenrola (capítulo xiii) - reta final

11 dezembro 2011



Meu celular tocou e era o Arthur, perguntando se eu estava bem e preparada para nossa nova jornada de trabalho.
- Acho que sim, começa amanhã, né?
- É. Mas você quer aproveitar o domingo e dar uma volta, ou pelo menos sair um pouco?
- Hum... Acho que é disso que estou precisando, vamos sim. Mas pra onde?
- Pensei em alugar duas bicicletas e sair pelo parque. Err, você sabe andar de bicicleta, né?
- Acho que ainda sei um pouco, sim. haha
- Então tá, passo aí em meia hora.
Sempre que sentia que o mundo ia desmoronar em cima de mim, que as coisas não estavam dando certo eu fazia uma coisa: me desligar. Seja dormindo ou fazendo qualquer coisa extremamente diferente que de alguma forma me fizesse esquecer da dor, e que me fizesse bem, por pelo meos alguns instantes, mesmo que tudo voltasse novamente.
Vesti um jeans e uma blusa florida, pra combinar com as cores que pintavam por todos os cantos aquela cidade, deixando ainda mais bonita, apesar do seu leve ar melancólico, digno dos grandes filmes.
Desci e esperei o Arthur no saguão do hotel, enquanto pessoas transitavam esperando suas malas chegarem para serem colocadas nos quartos ou que fossem trazidas para que pudessem partir. Toda essa movimentação me deixou inquieta. Na verdade, eu nunca fui fã de correrias, mas aquilo estava me perturbando. Mas felizmente, não esperei mais que dez minutos, e lá estava ele sorrindo para mim. Na aflição que eu estava nem consegui ouvir a recepcionista chamando meu nome com o telefone em mãos. Mas nada que pudesse esperar, ou pelo menos, nada que eu quisesse enfrentar, não agora.
- Gostei da blusa..
- É, eu gosto dessa.
- Mas é verdade, te deu um aspecto mais... feliz.
- A gente tem que, ao menos tentar, combinar com o ambiente em que estamos, não é?
- Gostei de ver.
Nos caminhamos por algumas quadras até achar um lugar onde se alugassem bicicletas. Não era muito caro, então decidimos usá-las por um pouco mais tempo. Afinal, era domingo e não tínhamos absolutamente nada pra fazer, até o dia seguinte.
- Olha, faz anos que eu não pedalo, então queria que você não saísse por aí, desenbestado enquanto eu fico pra trás, ok?
- Haha Faz assim, Mel. Você começa pedalando um pouco pra pegar o pique, e eu fico de olho, só pro risco de você... enfim.
- Você tá torcendo pra que eu tome um tombo, né Arthur?
- Isso seria muitíssimo engraçado, mas ainda prefiro você sã e salva. haha
Não vou mentir que eu me irritei naquele momento. Isso seria hipocrisia de minha parte. E pra compensar, a pessoa, inteligente como é, quis provar a si mesma algo que não sabia fazer direito - montei na bicicleta e sai pedalando a toda velocidade.
Sabe aquela adrenalina que sobe quando você faz algo absolutamente arriscado, só pra provar a si mesmo que você pode, que você consegue? Então, foi o que eu fiz.
Mas nessa de dar uma de "mestra na arte da pedalagem" esqueci de usar o freio na hora de curvar, e acabei no chão. O tombo foi horrível, e a minha unica sorte foi de estar com capacete, e de que a bicicleta ficou quase que intacta, porque quanto a mim...
- Melissa, você tá bem???
- Acho que vou ter alguns roxos, mas nada que uma boa noite de sono não melhore.
Eu estava mentindo, me sentia totalmente quebrada, mas ia aguentar, como fazia quando fingia estar bem pro meu pai, só para não vê-lo preocupado.
Entregamos as bicicletas e fui para o hotel, caminhando devagar.
Ao chegar na recepção, vi que a recepcionista olhava pra mim aflita, querendo me dizer algo. E logo entendi o que era. Ela explicou-se em poucas palavras que puderam ser bem captadas por minha cabeça, ainda tonta. E apontou para o saguão, onde um homem de chapéu preto estava sentado de costas para mim.
Ela disse que ele havia me ligado na hora que eu estava saindo, mas que não conseguiu me avisar. E que ele pedira pra esperar por mim desde que chegara, há uma hora atrás.
Peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem.
"Estou aqui, Mel"
- Excuse me, sir? 
Mas pra minha surpresa, os olhos que se escondiam debaixo daquele chapéu não me eram nada estranhos.

(Continua...)

Isabela Santiago

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