Sobre corações pérolas e corações partidos

18 dezembro 2011



Hey, garota. Eu sei bem como é esse negócio de coração partido. Seja por um término, por um amor não correspondido, por uma perda que não pode ser reposta, traição. Dói né? Muita gente acha que não existe esse negócio de ter o coração despedaçado, de ter a alma danificada pelos outros, acha que é invenção de adolescente. Mas não é.
Porque dói. Porque machuca.
Você já sentiu como se seu coração fosse arrancado de dentro de você? Ou como se ele fosse cortado em partes e devolvido sem remendas, sem concerto, para que você o costurasse novamente, juntando o que restou dele?
Você já acordou com os olhos inchados de ter chorado uma noite inteira? Sabe mesmo o que é passar dias sem conseguir sequer sorrir?
Você já perdeu o sono, e simplesmente chorou por não conseguir pensar em outra coisa que não fosse a sua dor?
Se você respondeu sim a alguma dessas perguntas, com total certeza, sabe o que é ter um coração partido.
E já não importa como o mundo está a sua volta, porque nada parece mudar, melhorar, enfim.
Mas sabe de uma coisa? Ficar assim, com esses olhos baixos e essa cara emburrada só faz mal a você.
O tempo vai continuar correndo, levando coisas que você pode estar perdendo por esquecer de você mesma.
A verdade é que ser forte é pra poucos, porque crescer dói, ser forte machuca.
Você conhece a história de como uma ostra produz uma pérola? É bem simples: para se produzir pérolas, a ostra precisa ser ferida. O fato é que a pérola é formada a partir da entrada de uma substância estranha ou indesejável, como um parasita ou um grão de areia. Assim, como resultado tem-se a pérola. Mas uma ostra que não é "ferida" jamais produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
Então eu lhe pergunto, será que a partir dessa sua dor, desse seu coração partido, não se pode produzir também algo belo?
A força, a vontade de seguir em frente, vem do sofrimento, das perdas e da necessidade de mudança.
Pode não parecer tão fácil agora, mas a verdade é que só na maior parte das vezes o nosso crescimento interior vem da cicatrização de nossas antigas feridas. Não digo que não leve tempo, que não dê vontade de desistir, que não vá te fazer chorar por vezes. Mas o resultado final sempre vale a pena.
Afinal, se a ostra pode produzir pérolas através de uma pequena poeirinha, o que você não pode produzir através de seus próprios sofrimentos?
E lembre-se, garota, o caminho não é fácil, mas vale a pena tentar, afinal, como diria o mestre Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Isabela Santiago

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