A ponte

26 fevereiro 2012



Debrucei-me sobre a pequena ponte de madeira que cortava o pequeno riacho. Longe da cidade, da vida agitada e dos pensamentos loucos.
Enquanto via as águas se encarregarem de levar as folhas caídas das árvores, eu me aturdia com pensamentos um tanto confusos. 

Como poderia amar duas pessoas ao mesmo tempo?
Era estranho, mas a presença dos dois me fascinava. Um tinha a áurea iluminada e conseguia me alegrar com somente um sorriso. O outro já tinha me ganhado com as implicâncias, do eterno amor e ódio.
Duas pessoas tão diferentes, mas sabia que nenhum dos dois me pertenceria algum dia, não adiantava guardar esperanças de futuros inexistentes e impossíveis.
Quando a minha última lágrima pingou no pequeno riacho, iluminado pelo crepúsculo da tarde, duas imagens se fizeram ao lado do meu reflexo: meus dois homens, eternos garotos. Ambos riam, mas logo perceberam a minha tristeza e aturdiram-me perguntando-me o que me fazia chorar.
Abri então meu sorriso e com doçura, abracei os dois no meu eterno abraço enamorado. Depois toquei-lhes as bochechas com um beijo carinhoso. Encarreguei-me de disfarçar a tamanha tristeza em amá-los e não tê-los, como sempre fazia. 

E abraçados, seguimos os três enquanto o destino se encarregava de definir o tempo e suas possibilidades e limites. 

Isabela Santiago

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