Como cão e gato (8º capítulo)

09 abril 2012

- Porque você fez isso? - Luciana foi se recompondo aos poucos, mas os olhos ainda estavam baixos e seu rosto ardia.
- Você ainda não entendeu?
- Acho que quem não entendeu alguma coisa aqui é você! Eu tenho namorado!
- Mas...
- Por favor, pare com isso! - ela saiu em passos largos em direção à saída, deixando Léo sem saber o que fazer.
Sua cabeça fervia enquanto caminhava ao encontro de Victor. Conseguiria manter isso longe do namorado, isso seria uma traição? Mas o beijo fora roubado, então não. Seus pensamentos eram constantes e confusos.
- Oi...
- Oi, meu bem. Você está linda...
- Err... Você também... Mas.... E então...?
- Ah  sim! Bem, hoje vamos fazer algo diferente.
- É?
- Vem.
Ele saiu segurando a mão dela, que suava frio.
- Você está bem, Lu?
- Aham... porque?
- Sua mão está gelada. Aconteceu alguma coisa?
Ela pensou um pouco. Nunca gostou de mentir, mas conseguia disfarçar bem, então optou por uma.
- Acabei me assustando com uma moto quando estava vindo em alta velocidade. Nada  de mais.
- Tá então.
A partir de então, ela conseguiu manter a calma e se concentrar apenas na companhia dele.
-NOSSA!
Victor a levou para o melhor restaurante da cidade. Era o mínimo, para combinar com a elegância de seu blazer preto.
- Porque isso tudo? Não precisava...
- Precisava sim! Eu tenho sido muito duro contigo nesses ultimos tempos e acho que precisávamos de algo diferente.
- Mas Victor, isso é muito caro!
- Ah, eu trabalho, né Lu. E aliás, olha a nossa mesa ali.
Não tinha como ser mais lindo. A mesa ficava de frente para a janela, com vista direta para o rio que cortava a cidade, próximo à praça. Uma bela iluminação lá fora deixava o ambiente com um aspecto ainda mais romântico. Eles jantaram, Victor com os olhos docemente fixos em Luciana. Ela se ruborizava com isso ainda, mesmo depois de tanto tempo juntos.
- Você fica ainda mais linda com vergonha.
- E você, ainda mais sedutor nesse blazer...
- Uau!
- O que?
- Você não é de dizer essas coisas.
- Mas  é a verdade, ué. - ela revirou os olhos.
- Hum... então devo acreditar?
- Claro. - ela sorriu docemente, esquecendo-se do ocorrido com Leonardo mais cedo.
- Você viu como está linda a iluminação lá fora?
- Aham... perfeita... - ela virou-se por alguns momentos, olhando para fora da janela, ficando quase de costas para Victor - Mas... o que é isso? - Ela se levantou e viu que na janela havia uma pequena caixinha dourada. Quando abriu, viu uma aliança de prata.
- A gente nunca usou, e eu, particularmente, sempre quis mostrar pra todo mundo que tinha dona.
- Awnn, Victor... - seus olhos encheram-se d'água
- Eu te amo, Luciana. Muito mesmo.
- Eu também, demais.
- Posso? - segurando a sua mão, colocou a aliança que cintilava na mão branca de Luciana - Sua vez. - Eça pôs a aliança na mão dele e ficaram os dois ali, abraçados por um longo tempo.

- Essa noite foi incrível, meu lindo. Obrigada por tudo.
- Bem... Ela não tem que acabar agora... - ele olhou com um sorriso malicioso.
- O que você quer dizer?
Ele puxou-a para si, dando-lhe um beijo intenso. Um pouco mais do que o normal. Talvez, muito mais. Sua mão começou a deslizar pelas costas dela, chegando na altura dos quadris.
- Victor, eu não...eu...
Ele continuou beijando-a, e ela não sabia se devia parar ou deixá-lo avançar.
- Acho que estamos prontos pra isso, Lu. Eu te quero mais que tudo. Cada diz mais... - e beijou-a com mais vontade - Eu te desejo a cada toque, a cada beijo, em tudo...
- Mas... eu não sei se estou pronta...
- Você não confia em mim? - ele parou.
- Não é isso. Você sabe...
- Tudo bem, só acho que poderíamos tentar... Se não der certo, tudo bem, mas me dê essa chance de te fazer feliz? De te fazer só minha?
- Mas eu já sou. - sua voz saiu quase falha.
- Mas não completamente... - ela sentiu a frustração em seus olhos. Porque tinha medo, então, se ela sentia o mesmo desejo de tê-lo como seu?
- Tá... Mas e se não der certo?
- Eu vou devagar, prometo. - disse isso, puxando-a para si novamente, com mais suavidade desta vez.
Levou-a para sua casa. Sua mãe estava viajando. Estavam a sós. Ele levou-a para seu quarto e sentaram-se na beirada da cama. Era de casal.
Ele pegou sua nuca e enquanto beijava-a, penteava seus cabelos com os dedos, algo que a fazia arrepiar.
- Eu te amo, Lu.
- Eu te amo, Victor.
Ele deitou-a na cama, enquanto ela ajudava-o a tirar o blazer, a gravata, desabotoar a blusa, deixando à mostra seu corpo esculpido.
- Você é lindo.
Ele começou a desabotoar os botões do vestido dela, lentamente.
- Você é perfeita...
- Sua.
- Minha.
Foi quando o tiroteio começou.
- Meu Deus! O que é isso?
- Vem, abaixa aqui, rápido!
Ele sentou-a em seu colo, sentando-se no chão até que os tiros cessassem. Ela permaneceu chorando, disfarçadamente, agarrada à seus braços. Eram as más lembranças jorrando à tona novamente.
- Está tudo bem, meu amor. Eu estou aqui.

Continua....

Por: Isabela Santiago

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