Como cão e gato (9º capítulo)

14 abril 2012

Era mais um tiroteio atingindo a cidade. Estava ficando cada vez mais violento viver ali. E depois disso, não houve mais clima para nada.
- Eu, eu... vou pra casa.
- Não, Lu! Você fica aqui. Dorme comigo hoje.
- Não acho que tenha mais clima pra isso...
- Só dormir do meu lado te incomoda, é?
Ela sorriu, ainda com aquela carinha de quem está se recuperando de um susto.
- Jamais.
Ele pegou uma blusa dele e deu a ela.
- Vou escovar os dentes e já venho. – ele disse, indo para o banheiro.
Juliana aproveitou e pegou a bala de hortelã que sempre guardava em sua bolsa. Era melhor que nada. Não se sentiu muito confortável ao vestir a camiseta do namorado, as pernas ainda ficavam muito à mostra, mas enfim. Subiu na cama, e enrolou-se no cobertor, sentindo no travesseiro dele, seu perfume.
- Não aguentou nem me esperar e já foi caindo na cama, é mocinha? – ele estava parado, na porta, sem camisa, de samba canção. Luciana tentou desviar os olhos para não ficar ainda mais envergonhada do que já estava. – Tudo bem então, durma bem.
- Poxa, e o meu beijo de boa noite?
- Quantos você quiser, minha linda. - Ele passou os braços pelas costas dela, colocando-a sobre si. – Eu te amo, sabia?
- Aham. E eu te amo, muito, também.
Eles ficaram assim, até que ela caiu no sono deitada sobre o peito dele. Ele ficou passando a mão sobre seu cabelo, até que dormiu.
- Bom dia. – Victor estava com uma bandeja com ovos fritos, suco e pão quentinho. – Acordei mais cedo e dei uma passada lá na padaria. Não sei se...
- Psiu, fica quieto, garoto. Ainda estou absorvendo esse meu momento de receber café da manhã na cama.
Eles comeram, e ela foi ligar para a mãe pra explicar o acontecido. Apesar de ficar uma hora tentando explicar a ela que nada aconteceu, Luciana acabou conseguindo, além de uns bons sermões, que a mãe entendesse a situação.
- Tenho que ir agora...
- Ah... Fica...
- Para de me olhar assim, Victor!
- Assim como?
- Que nem cachorro pidão!
- Eu sei que você não resiste...
- Não mesmo – ela puxou-o para si e beijou-lhe. – Mas tenho que ir. Obrigada por tudo...
Era domingo, então Luciana aproveitou o dia para ver o que faltava de atividades na escola. Tudo pronto, já era de tarde. Victor disse que iria buscar sua mãe na rodoviária, e então provavelmente não iria vê-la no restante do dia. Lorena estava curtindo o final de semana com o namorado, então ficava inviável ter alguma companhia pelo resto do dia. Preferiu tomar um banho quente, botar seus bons fones de ouvido e descansar.
No dia seguinte, Luciana, enfim, se lembrou do acontecido com Léo. Com que cara ficaria na frente dele? Ainda mais com aquela aliança no dedo? Se bem que isso não deveria fazer a menor diferença, afinal, ele que a beijara, ela tinha namorado e amava-o. Então porque toda vez que pensava em Léo vinha esse frio na barriga?
Ela chegou  e sentou-se logo na frente, no canto esquerdo. Afastada de todo mundo e, principalmente dele, conseguiria prestar mais atenção na aula.
No recreio, conversou com Lorena sobre o que acontecera no dia anterior, exceto pelo beijo roubado. Depois da aula, Lorena saiu correndo atrás de Luciana.
- Lu, o Rick me disse que o Léo não veio hoje. Você não falou com ele ontem né?
- Na verdade, falei sim. Fui na casa dele pra ensaiar a apresentação dessa semana, mas ele não me falou nada. Então... sei lá... Deve ter adoecido, ou algo assim.
Mas por mais que dissesse isso, Luciana sentia no fundo que estava errada. E que, provavelmente, o motivo dessa falta de Léo, era ela.

Continua...

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