Entrevista: Clarissa Corrêa

08 abril 2012

Não é Clarice, mas é Clarissa, gaúcha portadora de um dom: escrever muito bem. Sempre fui apaixonada pelos textos de Clarissa Corrêa, até postei um deles aqui no blog lembram? Pois bem, pensando nisso decidi que seria uma boa ideia entrevistar a "guria" que mandou tão bem em um de seus textos que foi citada por Pedro Bial, é mole? 


Além de seu blog, Clarissa tem dois livros publicados. Então, quer saber mais sobre ela? Leia a entrevista!

DDM:  Quando decidiu escrever e o que mais te inspira na hora de criar seus textos?

C: Eu escrevo desde pequena. Quando era criança escrevia longas cartas para meus pais. Ficava ao lado deles esperando alguma lágrima. Depois, já adolescente, escrevia em cadernos e engavetava tudo. Quando eu cresci descobri que esse "esperar alguma lágrima" significa gostar de causar qualquer espécie de emoção nas pessoas. Riso, choro, reflexão, felicidade, identificação, alívio. Tudo me inspira: a vida, as pessoas, cenas do dia a dia.

DDM: Leio seu blog sempre, e como leitora posso afirmar que o texto: “Meu lado Maria” foi o texto que mais me identifiquei. Você tem um lado Maria? O que te fez escrever esse texto?

C: Toda mulher tem um lado Maria. Antes da gente achar um grande amor, nos perdemos em pequenos "amores". Entre aspas mesmo. Paixões nos enlouquecem, nos tiram do prumo, fazem a gente perder a noção. O que me fez escrever esse texto foram as atitudes da Maria. Me vi ali. Vi amigas minhas ali, agindo daquela forma carente, buscando alguma atenção.

DDM: Estava vendo BBB no momento que ninguém mais ninguém menos que Pedro Bial comentou sobre ele. Qual foi a sensação de ter ali, em rede nacional sua visão sobre Maria?

C: Fiquei tri maluca. Saí gritando pela casa, chamando o Francisco (meu quase marido). Dizia "Francisco, Franciscoooooooooooo, olha isso". Foi uma doideira.

DDM: Você tem 2 livros já publicados, conte um pouco sobre eles.

C: Não é fácil publicar um livro. Aliás, se tu paga até é fácil. Mas no meu caso não foi. Não tive lei de incentivo, patrocínio, não paguei a publicação. Fui na cara dura mesmo. Enviei vários emails com meu primeiro original, bati em muita porta de editora. Levei vários nãos. Mas fui em frente, acreditava mesmo. Um Pouco do Resto é uma reunião de crônicas de blog e outras inéditas. É um livro engraçado, leve, todo mundo se identifica. Antes de lançar o livro, fiz um Twitter para colocar algumas frases dele. Com o passar do tempo, fui colocando coisas que vinham à minha cabeça. Então, surgiu a ideia de fazer um livrinho com frases. Essas frases falam de amor, vida, relacionamento, saudade, etc. Assim nasceu O amor é poá, não fiz com editora, fiz com gráfica mesmo. É um livro bem baratinho, vende tri bem. 



DDM: Quem mais te apoiou quando você decidiu escrever? O blog foi uma “ponte” para você escrever seus livros?

C: Meus pais não levavam muita fé. E não condeno, afinal, eu passei pra Turismo, fui um dia e desisti. Voltei a fazer cursinho. Então, passei em Direito. Fiz 3 anos. Só que eu sempre quis fazer Psicologia. Então, fiz vestibular novamente, passei e cursei 4 anos. Desisti porque não concordei com o sistema. Acho que a terapia não é pra te aprisionar e sim te libertar. Nessa época, surgiu na Unisinos (onde fiz Direito e Psicologia) um curso chamado Formação de Escritores e Agentes Literários. É graduação, o coordenador do curso era o Fabrício Carpinejar. Eu fiz, me formei e amei. Antes de me formar, comecei a trabalhar em agência de propaganda, como redatora publicitária. Eu tive apoio dos meus pais nessa troca de cursos, afinal, eles podiam ter dito "tu é obrigada a terminar". Mas eles ficaram do meu lado e entenderam que eu queria outra coisa pra minha vida. É claro que eles se preocupam, é uma vida incerta. Mas eu ADORO (em caixa alta mesmo) o que faço.


DDM:  Recebo diariamente perguntas de meninas que escrevem, e nada melhor que você, uma escritora responde-las: É difícil publicar um livro? O que te fez escrever um livro?
C: Se tu paga pela publicação não é difícil. Mas se tu vai atrás de editora, é. Editora grande não investe em autor desconhecido, eles não correm esse risco. Decidi fazer um blog em 2005. E muita gente começou a ler e curtir. Fiquei até meio espantada, pois não imaginava tamanha repercussão. Então surgiu a necessidade de publicar. Foi um sonho. E demorou. Meu livro demorou 9 meses pra ficar pronto. No dia do lançamento eu tive até dor de barriga.


DDM: Como blogueira leio vários blogs e encontro novas “escritoras” ainda uma pedra bruta, mas escrevendo com a alma. Quando leio seus textos, sinto eles. E você? Sente tudo que escreve?

C: Olha, hoje em dia é uma tristeza, pois qualquer um acha que escreve. Ter um blog não é escrever, não é ser escritor. Ser escritor exige disciplina, compromisso. Tu tem que ler muito, batalhar muito. Não é simplesmente fazer um blog e uhu, virei escritor. Sabe? Hoje em dia o que tem de blog por aí não é mole. Mas as pessoas não são comprometidas com o que fazem. Eu sinto o que escrevo, mas não vivo tudo que escrevo, entende? Tem gente que não sabe diferenciar o texto do autor. Minhas crônicas são invenção, verdade, mentira, sonho, viagem.

DDM: Qual o texto que mais gostou de escrever? Qual o motivo dele ser o seu “favorito”?

C: Puxa, isso é difícil. Gostei bastante do "1000 dias com ele". Fala dos 1000 dias que vivi ao lado do amor da minha vida. 



DDM: Você sempre escreveu desse jeito divertido ou já tentou escrever mais “sério”?

C: Acho que cada escritor tem um estilo. O meu é esse, mais solto, mais leve, com humor. Mas já escrevi "mais sério", sim. Meu terceiro livro, que vai ser lançado dia 21 de abril, na Saraiva do Iguatemi de Porto Alegre, se chama PARA TODOS OS AMORES ERRADOS. Ele fala de amores que não deram certo, de histórias que não tiveram um final feliz. Não é um livro leve, não. É de chorar mesmo.

DDM: Deixa um recado para nossas leitores que tem o sonho de escrever e ser quem sabe publicar seu próprio livro.

C: Quem quer escrever tem que ler, ler e ler. E ter disciplina. E coragem. E não desistir no primeiro não. E entender que nada cai do céu. 


Gostaram da Clarissa? Já conheciam? Comentem!

5 comentários:

  1. Amo os textos da Clarissa, entro no blog dela sempre e espero comprar o novo livro dela!

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  2. Adorei a entrevista minha princesa *-*

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  3. Alessandra Gomes de Melo9 de abril de 2012 14:04

    Clarissa é "massa". Sou muito fã dela. E ela merece todo esse sucesso e reconhecimento. É uma pessoa iluminada. Eu divulgo o trabalho dela, os textos pra todo mundo... As vezes faço apostilas e dou de presente. Amo Clarissa Corrêa.

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  4. Amei a entrevista, o blog e a Clarissa. Acho que ela é um ícone inspirador para muitas pessoas!

    http://umquaseprasempre.blogspot.com.br/

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  5. Clarissa é uma das minhas escritoras favoritas e também é a que eu mais me identifico.

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