Inseparáveis - capítulo XXXI

10 maio 2012

Ele ficou uns cinco segundos em silêncio que já começaram a me deixar agoniada.
- Daniel.
Nada.
- DA-NI-EL.
- Não dá mais, Mel.
- Mas não dá mais o quê?
- Não dá mais para ficar longe de você, não dá mais para ir dormir sem o seu beijo de boa noite, não dá mais nada disso. Não dá mais pra jogar sabendo que você não vai estar lá para me dar um beijo e um abraço, eu ganhando e perdendo, você não se importando que eu estou todo soado. Não dá mais pra ficar só com esses caras nesse alojamento, eu preciso da minha menina, da minha princesa, da minha namorada…
- Ei, Dan… - eu estava quase chorando.
- Ei, não é para chorar - ele disse, já conhecendo o tom da minha voz.
- Não estou chorando - menti.
- Não né - ele deu um leve sorriso.
- Não, é gripe - sempre que um dos dois estava quase chorando e queria mentir para o outro, dizia que era gripe, era nossa clássica desculpa.
- Me dá um abraço - ele disse.
- Que saudade de você me abraçando, amor.
- Só mais um pouquinho e eu já estou chegando, prometo.
- Promete prometido?
- Prometo. E com medalha ainda, pode esperar - ele sorriu.
- E como estão as coisas aí? - descontraímos um pouco.
- Tudo tranquilo, amor. O time está indo bem, o treinador está satisfeito com a gente, mas estamos treinando todos os dias.
- E as líderes de torcida?
- Nem reparei.
- AHAM, sei que não - falei, rindo.
- Não mesmo - ele riu também.
Sabe, eu não era daquelas que brigava com o namorado se ele olhasse ou achasse outra menina bonita. Inclusive, quando nós saíamos juntos, eu sempre ficava mostrando as meninas bonitas para ele. Era engraçado ver a reação dele de ‘falo que é bonita ou não falo?’.
- E aí, como você tá? - ele perguntou.
- Tô surtando com tanto conteúdo, mas eu vou passar em enfermaria, você vai ver. Entre as dez primeiras ainda, me aguarde.
- Amor, não exige muito de você mesma, sério - ele repetiu o que sempre dizia.
- Não adianta, eu vou conseguir, eu vou exigir, amor.
- Desde que sobre um tempinho para ficar comigo… - eu não estava vendo ele, mas tive certeza que ele fez bico.
- Sempre, né meu amor.
- Amor, vou desligar, tá? O treinador está chamando. Eu te amo.
- Eu te amo mais.
- Só não começo a discutir porque eu tenho que ir mesmo, então pode achar que você ama mais, ok? Mas não ama nada. Beijo, se cuida - ele disse e desligou.
As semanas seguintes sem ele foram mais fáceis, nos falamos todos os dias, eu saí um pouco, fui à praça e ao cinema, relaxei e descansei.
Finalmente o dia que eles chegariam. Dan não quis me contar se eles ganharam ou não, disse que faria uma surpresa. 
O pátio da escola estava lotado de pais, alunos, professores e funcionários para a chegada do time. Desceu um por um, indo de encontro aos seus familiares.
Desceram todos já? Mas ei, espera, por que o Dan não estava ali?

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