Como cão e gato (Capítulo 13)

24 junho 2012

Luciana

Não sei o que está acontecendo comigo. O mundo está dando voltas ao meu redor, tudo parece errado e totalmente estranho. Maldito o dia que conheci aquele garoto estúpido.
Não consigo sequer entender porque sua presença parece me fazer tão mal. Ou talvez não seja me fazer mal. Talvez seja me deixar sem rumo, sem noção do que eu realmente penso e sinto em relação às outras pessoas.
O Victor, por exemplo.

- Lu, tu tá em casa? - Lorena tirou Luciana  de seus pensamentos. - Queria sair um pouco.
-Tô sim. Mas, cadê seu namorado?
- Ele vai viajar com o teu para um campeonato, esqueceu?
Ainda tinha isso. Ficar longe do Vitor por ainda mais tempo, justo nas férias.
- É. Estou tentando não lembrar.
- Para com isso, arrume-se que eu vou passar aí daqui a meia hora.
Vesti um jeans velho e minha bata de renda azul, calcei meu all-star de cano alto e fiquei esperando a Lô na porta de casa. Quando o vi passando de moto.
- Luciana!
- Oi Léo.
- Eu queria conversar contigo, posso?
- Err... Eu tenho um compromisso agora.
- Victor?
- Não, ele está meio ocupado com a viagem.
- Com quem então?
- Com a Lorena.
- Menos mal.
- O que?
- Nada. Então... Posso te ligar depois?
- Tudo bem.
- Então, tchau.
- Tchau.
As coisas continuaram estranhas desde aquele dia em que a Lola disse que era sua namorada. Eu passei todo o tempo evitando-o ao máximo. E isso estava me doendo, de certa forma. Não é que eu o odiasse completamente. Ele era realmente muito insolente e irritante, mas de alguma forma conseguia mexer comigo, e eu acabei me sentindo estranha sem poder falar com ele.
- Lu, bora?
- Vamos, Lô.
Nós duas passeamos um pouco ao redor do parque da cidade, tomamos um sorvete e jogamos conversa fora, como sempre. Preferi não entrar no assunto Léo.
Preferi voltar pra passar na casa de Victor pra passar o resto do dia com ele, antes dele viajar no dia seguinte.
- Victor?
- Oi amor, entra.
Ele estava sem blusa, com o corpo delineado à mostra, só de calça jeans, arrumando a mala. Eu sempre ficava sem graça quando ele estava assim. E ele sabia, e adorava.
- Quer ajuda aí?
- Se quiser... - ele me puxou para si, me abraçando.  - Já tô sentindo sua falta, sabia?
- Aham, eu também.
- Humm... É mesmo?
- É sim. - eu disse, fazendo biquinho.
- Eu vou sentir mais...
- Não vou discutir então, meu bem.
- Claro que não. Você nunca vai ganhar de mim - ele me puxou ainda mais perto e começou a me beijar, desde a orelha, passando levemente pela nuca (algo que me causava intenso arrepios), pela minha bochecha, até chegar a minha parte preferida - minha boca.
- Quer que eu faça um lanche pra você?
- Seria ótimo. Acho que minha mãe comprou presunto e queijo, e tem pão no armário.
- Okay. - eu sai e deixei a bolsa e o celular em cima da cama dele.
Já estava acostumada com a casa dele. Quando estudávamos juntos, eu fazia um lanche, sanduíches, pipoca ou brigadeiro pra gente comer, já que a mãe dele nunca estava em casa. Era divertido.
Peguei o presunto, o queijo e o pão e cortei-os para que ficassem de tamanho e forma adequadas para caberem na misteira. Enquanto esquentava, eu peguei umas laranjas e liguei o espremedor. Nem vi quando ele apareceu segurando meu celular.
- Calma aí, mocinho. Tô quase terminando.
- O que significa isso, Luciana?
- Isso o que?
- Essa mensagem.

Posso passar na sua casa mais tarde? Léo

Que merda!
- Victor, eu combinei de me encontrar com ele pra conversar sobre o ultimo trabalho do semestre, nada além disso.
- Aé? E porque ele tem que passar na sua casa pra isso?
- Você tá ouvindo o que você ta falando? Eu tenho UM TRABALHO PRA CONCLUIR.
- Ah é, tenho certeza que é só isso.
- O que você está insinuando, Victor?
- Nada.
- Acho ótimo. Porque se tem uma coisa que eu odeio é ter de discutir com você, ainda mais sobre isso.
- Ah, então isso te incomoda? Porque não parece. Parece que você adora ter a companhia daquele playboyzinho.
- Se eu gostasse da companhia dele mesmo eu não estaria aqui.
- Agora eu é que pergunto, o que você quer dizer com isso?
- Nada.
- Fala!
- NADA! Porque você tem que estragar tudo?
Desliguei a tomada, peguei o celular e voltei no quarto pra buscar minha bolsa. Victor foi atrás de mim.
- Espera.
- Não, eu tô cansada disso.
- Lu, desculpa, eu...
Eu estava prestes a começar a chorar, mas preferi sair correndo.
Nada era pior do que brigar com ele. Nada era pior do que essa confusão que estava afundando minha cabeça.
Enquanto eu andava a passos largos, acabei esbarrando com a ultima pessoa que eu queria ver no momento: Léo.
- O que houve, Lu?
Eu já estava chorando. Ele só me abraçou e eu o abracei. Eu estava cansada demais pra pensar, só o abracei enquanto meu mundo parecia desmoronar.

Continua...

Por: Isabela Santiago

Um comentário:

  1. Oiii :D o meu mais novo post estamos conversando sobre quartos e suas bagunças, dá uma passada lá. Estou passando varias dicas para você que tem quartos bagunçados.
    http://brendacurty.blogspot.com.br/2012/06/bagunca-x-quartos.html

    Beijo :*

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