Como cão e gato (Capítulo 14)

29 junho 2012


Luciana

- Você tem sérios problemas, né?
Leonardo, apesar de ser irritante, conseguia me livrar de certos pensamento, às vezes.
Depois que o encontrei, fomos a uma lanchonete e ele me ofereceu um sanduíche e um refri. Quase não comi, pra variar. Fiquei olhando ele mastigando, e se melando com catchup, e ficando sem graça. Coisas tão bobas, mas que me fizeram rir. Eu preferi não me abrir sobre o que tinha acontecido, e ele parecia também não fazer muita questão de saber.
- Obrigada.
- Por nada. É chato comer sozinho.
- Ué, e sua namorada?
Ele abaixou a cabeça e respirou fundo, como quem tenta afastar a raiva que está sentindo por dentro de si.
- Ela não é minha namorada.
- Hã?
- Isso que você ouviu.
- Tá brincando, né?
- Não. Ela só falou aquilo por causa do seu namorado, pra que ele não desconfiasse do que aconteceu entre... enfim, você sabe.
- Nossa!
- Você achou mesmo que ela fosse minha namorada?
Eu sentia que minhas faces estavam ficando cada vez mais quentes, então me levantei.
- Claro, ué. Vocês até combinam. Vamos?
Ele pareceu um pouco chateado com o que eu disse sobre eles combinarem. Virou as costas indo pro caixa.
- Toma - entreguei uma nota de dez reais pra ele.
- Você tem mesmo sérios problemas se acha que eu vou deixar você pagar.
Ele retirou o dinheiro do bolso e pagou a conta.
- Não se fazem mais donzelas como antigamente, não é, meu jovem? - o balconista disse, falando com Léo.
- Com certeza, mas eu ainda vou ter muito tempo pra te ensinar várias coisas, não é, meu bem?
Ele sorria maliciosamente pra mim, estendendo a mão.
Eu virei de costas e sai caminhando.
Ridículo.
Não se podia dar muita corda pra esse garoto.
- Ah, para. Foi brincadeira, e foi engraçado!
- Você é patético.
- Eu sei.
Ele pareceu se conformar, de um jeito meio melancólico com isso que eu disse. Estranho.
- Então, sua prima te salvou de uma surra...
- Não mesmo, eu lutei karatê até os 15 anos. Quer experimentar?
- Mas...
Ele me puxou num golpe, que quase me fez cair de cara com o chão, não fosse por sua mão envolvendo minha cintura. Perto demais... Demais...
- Luciana, eu queria...
- Não, por favor...
Ele se conteve. E foi o melhor a ser feito.
Eu tinha namorado, estando brigada com ele ou não, eu devia respeito ao Victor.
- Desculpa.
A gente andou silenciosamente até a esquina da minha casa. Nos despedimos e ele se foi.
Quando cheguei na porta de casa, vi que uma sombra me seguia. Apressei o passo, até que alguém me puxou pelo braço.

Continua...

Por: Isabela Santiago

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