Como cão e gato (Capítulo 15)

11 julho 2012

- AHHHH!
- Calma. Sou eu...
Era Victor, mas havia algo diferente nele.
- Você me assustou.
- Eu... vim me desculpar, porque não gosto de ficar brigado com o meu neném...
Ele a beijou de forma desengonçada e nada carinhosa.
- Você estava... Bebendo, Victor?
- Só uma dosezinha de nada, amor. Por favor, me perdoe. Eu... eu te amo, eu.. não posso viajar com você com raiva de mim. Por favor... Eu...
- Vem cá, você vai pra minha casa. Está muito tarde, e duvido muito que minha mãe deixe eu te levar em casa.
- Olha só... vai querer seu namoradinho com você é?
Ela enroscou seu braço na cintura dele e colocou o braço dele por cima de seu ombro, caminhando a poucos passos de sua casa.
- Luciana... Mas o quê?
- Por favor, mãe. Agora não.
Ela puxou Victor para seu quarto e arrastou-o até o banheiro.
- Hmm já estou gostando disso - ele dizia enquanto ela tirava sua camisa e calça jeans.
- Agora venha aqui.
Ele estava tão grogue que não percebeu quando ela o levou até o box e ligou o chuveiro na água gelada.
- TÁ GELAAAADA!
- É pra você aprender a não ser tão idiota.
- Mas... Tá muito frio isso aqui, pelo amor de Deus!
- Aguenta mais um pouco que eu vou buscar uma toalha.
Luciana chegou até a sala e explicou a situação para sua mãe.
- E ele vai dormir com você?
- Mãe, por favor. Nas condições que ele tá, ele não vai conseguir nem levantar a cabeça pra me dizer boa noite que dirá outras coisas.
- Toma esse roupão então, e pegue uma cueca do seu irmão. Coloquei um pacote novo na gaveta de cima, depois você compra uma nova pra ele. E aproveite que ele viajou, se não teríamos mais um morto pra ser noticiado nessa cidade.
- Você é um amor, mãe.
- Pra sua sorte, minha filha.
Luciana pegou o roupão e a cueca e levou para o chuveiro. Victor estava morrendo de frio, mas parecia que tinha retomado um pouco de consciência.
- Pronto, já pode desligar. Tem uma cueca e um roupão aqui para você se vestir. Vou trazer um café pra ver se você melhora.
- Desculpa, Lu. Sério mesmo.
- Tudo bem. - ela suspirou fundo.
Quando voltou ao quarto, ele estava sentado na cadeira giratória debruçado sobre a escrivaninha de Luciana, enrolado no roupão, olhando as fotos de seu mural.
- Trouxe pra você.
- Obrigado.
- Ainda não entendi porque você fez aquilo.
- Bem, é difícil explicar... Eu me irritei muito com o que eu pensei que fosse, enfim... Aí um colega me chamou pra tomar umas, mesmo sabendo que eu nunca aceitaria o convite, e pra sua surpresa e minha também, eu aceitei. Me desculpa, Lu. Eu não queria te envergonhar, eu sei que sou um idiota, mas é que eu tenho medo de te perder. De verdade.
Ela parou por alguns instantes.
Sabia que isso significava que ele sentia que o namoro talvez não andasse tão bem quanto deveria, talvez ele sentisse sua insegurança em seus sentimentos, apesar de nunca mencionar nada do tipo nem mesmo com sua melhor amiga.
- Sinto saudades dessa época. - Luciana apontou para uma foto deles dois mais jovens, com uns quinze, dezesseis anos. Ela num balanço e ele empurrando-a, ambos felizes.
- Eu também. A gente era mais unido, né?
Uma lágrima quis se formar nos olhos de Luciana, enquanto ela tentava engolir o nó que se formou em sua garganta.
Ela entregou-lhe o café e foi para o banheiro se trocar. Tentou não pensar em mais nada enquanto escovava os dentes e vestia seu pijama. Assim que terminou, voltou para o quarto. Ele ainda estava na mesma posição, olhando as fotos, com o olhar um pouco mais vago.
- Vem dormir.
- Hãn?
- Vem dormir.
- Vai me deixar dormir na mesma cama que você?
- Nós já fizemos isso uma vez, esqueceu?!
- Lógico que não. - ele sorriu maliciosamente.
- Nem me venha com esse seu risinho idiota. Você só não vai dormir no chão porque eu tenho um coração muito bom e meu tapete está na lavanderia.
- Olha só...
- Haha Tô brincando. Pode vir.
Ele deitou-se virado para Luciana, que estava de costas para ele, fazendo-lhes carinho em seus cabelos.
- Por quanto tempo você vai ficar fora?
- Bom, depende de quantos jogos ganharmos.
- Ah...
- Porque, vai sentir minha falta?
- Imagine...
- Hum...
- Vou né, bobão!
- Ah...
- Sinto sua falta sempre.
- É?
- Aham.
- Eu mais ainda. - e abraçou-a, como se estivesse com medo de que alguém a levasse para longe dele, e por alguns instantes Luciana pensou que poderia estar se afastando dele, mas logo que ele a beijou, que ele a pôs sobre o seu peito nu e pôde ouvir seu coração batendo forte, sentiu-se segura novamente, e esqueceu de tudo, só lembrando do quão perfeito era aquele momento em seus braços.


Continua...


Por: Isabela Santiago

2 comentários:

  1. A história vai ter continuação ? Gostei muito dela até agora !

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  2. posta a continuação por favor, ta muito boa a história

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