A menina e a Lua

01 agosto 2012



Pensava nos amores e desamores que já tivera em sua breve vida enquanto apreciava a lua de sua janela. Sobre ela, recostava-se, reparando a imensidão que a rodeava enquanto percebia a brevidade de tudo o que existe.
Pensou quando conseguiria novamente...
Amar, novamente.
Depois de algum tempo, cicatrizando suas feridas, enxugando suas próprias lágrimas, refazendo seus costumes e hábitos, voltando suas orações para si mesma, e não para outro alguém... depois de tudo isso se sentia cada vez mais vazia de si, porque sabia que no fundo, era o amor que sentia - mesmo quando lhe feria fundo, arrancando-lhe lágrimas de sangue - que lhe fazia sentir como se a vida tivesse algum sentido.
Sabia que conseguia arrancar alguns suspiros, que quando queria conseguia ser seguida por certos olhares indiscretos, comuns aos homens, mas não era disso que precisava. Era mais.
Ela precisava de alguém que, não estivesse ao seu lado pela sua beleza, mas pelo seu caráter, seu interior. Não que fosse feita puramente de beleza, não mesmo. Passava alguns dias enrolada na coberta sem querer olhar-se no espelho dizendo que estava ridícula por causa de seu cabelo ou de uma espinha na testa. Era bonita, mas ficava ainda mais quando se sentia bonita, verdadeiramente. Quando, então, desistia de achar que seu corpo era ridículo o suficiente para ser mostrado em público e finalmente se vestia e saia, era então perfeita, à seu modo.
Mas quando olhava ao seu redor, não via ninguém. Era como se estivesse rodeada por uma multidão de sombras, que não eram capazes de serem tocadas, já que mesmo estando envolta de milhares de pessoas, continuava se sentindo sozinha.
Era esse o seu problema, lhe faltava alguém para lhe preencher o vazio que abastecia sua nobre alma.
E era por isso que ela continuava ali, sobre a janela.
Porque sentia que a Lua, assim como ela, vivia sob a mesma sina.
De estar cercada por outros milhares de seres, e permanecer sozinha.


Por: Isabela Santiago

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