Linha tênue

19 agosto 2012


Sabe quando tu passa uma semana daquelas? Então, a minha foi assim.
De tpm, irritada, cheia de matérias para estudar, prestes a explodir... Era mais ou menos assim que eu estava na quarta-feira passada. Uma bomba-relógio humana.
E, por algo que não vem ao caso, acabei chorando.
Engraçado, né? Quando alguém fala de choro todo mundo já fica em alerta.
Enfim, chorei mesmo, e na escola, pra melhorar ainda mais.
Aí no dia seguinte ouvi de várias pessoas o óbvio "Porque tu tava chorando ontem?" e me pus a pensar: Das pessoas que me perguntaram aquilo, quantas e quais delas estavam realmente interessadas em saber o que eu estava sentindo naquele momento? Quantas realmente se importavam com o que me aconteceu, e o pior, será que elas não estavam me perguntando muito mais por curiosidade que por preocupação?
Ás vezes dói saber isso.
Que metade do mundo, do seu mundo, não está realmente interessado, mas simplesmente curioso, para poder fofocar, para poder fazer o que quer que seja menos o essencial - importar-se.
Porque existe uma diferença muito grande entre importar-se com alguma coisa e ter curiosidade sobre isso. E quando tu deixa de se importar com as pessoas, com as coisas, tu acaba fazendo somente isso, fuçando por curiosidade, tentando descobrir coisas que não lhe dizem respeito só para saciar uma vontade que é inválida, que é vazia e mesquinha.
Um  dos problemas do mundo atual talvez seja exatamente isso. Nada tem importância. Tudo é fútil, supérfluo demais, superficial demais, nada dura, nada tem profundidade.
Os sentimentos não valem mais quase nada, se é que já não perderam totalmente o valor.
E as pessoas, onde ficam?
Preferindo rodear-se por relacionamentos passageiros, usando aparelhos caros para mostrar uma falsa superioridade para uma sociedade na qual quem é bom é quem tem dinheiro.
Onde está o amor, a vontade de ser melhor, a busca pela harmonia, a verdade, enfim, a humanidade de cada ser humano?
Me pergunto se as pessoas que vivem de tal forma são realmente felizes, porque eu, apesar de meus dias cinzas, não consigo enxergar nenhum tipo de alegria em me manter como um ser inútil e vazio.
Não me faço de perfeita, nem digo que nunca erro. Pelo contrário, aceito-me como uma eterna errante, mas nem por isso deixo de querer ser melhor que antes.
Porque eu ainda acredito que atravessar essa linha tênue entre dar importância às pessoas e ter curiosidade sobre suas vidas de vez em quando não faça muito mal, a ninguém. O problema está quando se escolhe permanecer do lado da curiosidade e não mais voltar pro lado no qual as pessoas possam a valer a pena.

Por: Isabela Santiago

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