De volta a superfície

23 setembro 2012



Estive tanto tempo perdida na profundidade de meus sentimentos que nem me dei conta ao chegar na margem deles. Senti, primeiramente, aquela sensação de liberdade, sabe?
Aquela cena em que a pessoa está no fundo de um lugar profundo, um mar, um rio, nas profundezas de algum lugar cheio de água, e depois de muito tempo lutando para manter-se viva, consegue, enfim, chegar a superfície e respirar.
Aquela puxada de ar forte e necessária que só se pode dar depois de muito tempo prendendo a respiração.
Acho que passei muito do meu tempo prendendo minha respiração.
Prendendo-me a sentimentos que, apesar de lindos e até mesmo necessários, só me fizeram mal. Prendendo-me a pessoas que não eram suficientes para me satisfazer, para me fazer um pouco feliz, talvez.
Prendendo-me a idéias, a expectativas exageradas, a sonhos quase impossíveis e a realidades imaginadas por mim mesma.
E agora, já não sinto tanto.
Não sinto tanta falta do meu romantismo exacerbado - a não ser quando se trata de meus textos e de minha inspiração pra escrever. Não sinto falta das coisas que eu sentia. Não sinto falta de muitas pessoas que eu achei que fossem arrancar um pedaço do meu coração caso se afastassem de mim. Não sinto falta das ausências, da saudade, do medo de perder.
Talvez, eu não sinta nem sequer falta dessa outra eu, que por si só, se fazia de forte, por não sê-la o suficiente para suportar a fraqueza existente em mim mesma.
Acho que aquela água que um dia pensei que iria me afogar acabou me limpando de tudo isso, mas em compensação resfriou grande parte de meu ser.
Evito pensar em sentimentos e tento, principalmente, não senti-los, quando sei que não me farão bem. Sei controlar (ou pelo menos tento) minhas vontades e consigo lidar um pouco melhor com mudanças e derrotas.
Mas até que ponto essa frieza me fará bem, eu não sei. Talvez até o momento em que ela inverta seu papel e comece a me machucar novamente.

Por : Isabela Santiago

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