Nunca fui beijada - 2º capítulo

23 dezembro 2012


Dia 15 de março
Apesar de minha mãe adorar repetir, em seu pânico com a internet, eu tenho sim amigos virtuais. Na verdade, amigos mesmo são apenas dois, e por incrível que pareça um mora aqui, na minha cidade: o Renato. Pelo que eu pude ver pelas fotos ele é loiro e tem um lindo sorriso. Ele é dois anos mais velho que eu, e adora falar sobre musica. Eu fico admirada na forma como ele consegue captar a ideologia e mesmo a alma do cantor e da musica em si. Enquanto eu que toco mal mal o básico no violão, ele vai além e toca guitarra e baixo, e passa grande tempo tentando me convencer a ouvir as mais diversas musicas. Eu ouço grande parte, mas enfim...

 Dia 20 de março
Hoje foi um dia daqueles...
Simulados durante toda a manhã, ok.
O pior mesmo foi a tarde. Eu tava na expectativa de buscar a Emília na Rodoviária com o Alysson, mas choveu. E não foi uma chuvinha qualquer, foi um verdadeiro toró. Ele não saiu de casa, nem eu.
Eu sei que no final a Emília chegou em casa trazida pelos pais fazendo birra, só pra variar.
- Vocês não tem consideração nenhuma comigo.
- Mas Emília, tava chovendo horrores!       
E foi uma das muitas discussões inúteis que eu sempre tenho que me fazer de culpada e pedir desculpas por algo que não foi minha intenção.

 Dia 31 de março
Uma das piores coisas do 1º de abril são as piadinhas sem graça que as pessoas insistem em fazer.
Mas como esse ano cairia num domingo eu fiquei menos despreocupada, até lembrar que tinha o aniversário de dezoito anos da Juliana. Ela já tinha entregue o convite há uma semana e eu ainda não fazia ideia do que poderia dar de presente, até porque eu fico super dura em final de mês. O jeito era recorrer ao meu pai e suplicar por uma grana pro presente + um biquíni novo. Não, eu não sou uma pessoa consumista, até porque não fui criada num ambiente onde todo mundo esbanja dinheiro. Eu sei o valor de cada coisa minha, mas realmente eu precisava de um biquíni  porque aliás, o outro que eu tinha tava bem desgastado e não tinha condição de ser visto numa festa de piscina de "gente bacana", como diria minha mãe.

Graças a Deus consegui achar um presente e um biquíni com um preço bom pra esse aniversário. Enfim, amanhã o Aly me busca e a gente vê se aguenta as tais piadinhas de 1º de abril.

Dia 01 de abril
Bem... Vou voltar um pouquinho no tempo pra contar tudo o que me aconteceu hoje.
Eu quase que acordei atrasada se não fosse um sms da Emília contando uma piadinha infame decorrente da data. Tomei um café preto e comi metade de um pão com manteiga correndo. Vesti o biquíni e coloquei uma blusa floral e um short jeans por cima, passando protetor solar no corpo antes de tudo, obviamente. Coloquei na bolsa de praia que minha mãe tinha me dado uma toalha, o protetor, meus óculos e meu celular, e fui esperar o Aly na frente da casa. Ele me daria carona de moto como meu pai tinha viajado no dia.
Coloquei os fones de ouvido no celular e fiquei viajando, prestando atenção apenas nas letras das musicas que eu ouvia.
- Dani?
- Hã? Ah! Oi Aly!
- Você tava em outro planeta pra variar né?
- Haha Fazer o que...
Eu subi na sua garupa e fomos para o churrasco.
Quando chegamos encontramos com grande parte da turma da sala e com um monte de gente que eu só via através das redes sociais em fotos de pessoas como a própria Juliana, a "nata da sociedade teen", digamos assim. Ele puxou uma cadeira para mim e uma para ele, e começamos a conversar por horas seguidas.
- Dani?
- Emília?
- Oi amiga! Que bom te ver aqui, não esperava que você viesse.
- E eu não esperava te ver por aqui.
- Ah, você sabe, ne. Eu conheço a Ju há anos, antes de te conhecer na verdade.
- Ah é?
- Eu estudei com ela logo que eu entrei na escola, você nem estudava com a gente ainda.
- Uhum.
- Você quer que eu leve o seu presente lá pra dentro? Ou melhor, o de vocês né. 
- Seria bom.
- Vocês já falaram com a aniversariante por acaso?
- Ela nos recebeu na entrada, Emília, não se preocupe. - disse Aly, tentando cortar o papo.
- Okay então, qualquer coisa que precisarem me avisem, tá. Vou ali. Tchau.
- Como ela tá mudada... - eu disse baixinho.
- O que você disse, Dani?
- Nada, esquece.
- Ah, não fica assim por causa de gente inútil não. Vamos dançar?
- E desde quando você dança?
- Desde sempre ué.
- Então você me guia porque eu sou uma zero a esquerda nesse quesito.
- O papel do homem é esse, gata, guiar a donzela.
Ele me puxou e começou a me ensinar passos simples de forró. Eu comecei a pegar no jeito até que ele inventou de fazer algumas voltas complicadas e me jogou naquelas cenas de cinema que a mulher fica um pouco caída e segurada ao mesmo tempo, mas a poucos centímetros dos lábios do homem,sabe?
Os olhos dele pareciam que iam penetrar nos meus de tão profundos que eram...

Continua...

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