Nunca fui beijada - 6º capítulo

06 abril 2013


Depois de um banho quente, parei pra pensar no que eu tinha acabado de ouvir. Não que aquilo de alguma forma me afetasse diretamente porque desde o momento em que eu vi o Aly com o Gustavo, qualquer expectativa que eu tinha sobre ele se desfez.
Mas sabe aquela sensação de choque pós uma notícia bombástica?
Era mais ou menos isso que eu estava sentindo.
Daí parei pra pensar e vi o quanto eu estava sendo boba diante àquela situação, afinal, no fundo ele sempre foi um amigo e não seria isso que mudaria esse vínculo. Talvez por nunca ter convivido com pessoas, digamos, distintas de mim, esqueci da existência de tais coisas.
Enfim.

Dia 29 de maio

Hoje escrevi num bilhetinho de papel:
"Aly, não se preocupe. Tô contigo pro que precisar."
Ao lê-lo ele sorriu e eu consegui finalmente me sentir menos culpada pela minha falta de reação no momento certo.

Dia 11 de junho

O São João estava chegando e eu sabia que o que me restaria seria passar a noite servindo numa barraquinha. Um verdadeiro sonho pra qualquer solteirona de dezessete anos que nunca tinha sido beijada na vida. É sempre bom frisar esse detalhe de ser bv com a idade que eu tenho. Logo, esse tipo de evento me deixa levemente depressiva por ver que todo mundo vai poder curtir e, principalmente, acompanhado, e eu não.
- Dani, queria te perguntar uma coisa depois da aula, viu?
Foi engraçado porque eu nunca desviava muito minha atenção quando se tratava de aula de história, então considerei o que o Alyson tinha pra me dizer como algo completamente esdrúxulo, banal.
- Daniela!
- Oi, professor.
- Queria te fazer um convite, posso?
Na hora que o Ricardo disse de convite imaginei as seguintes opções:
Opção A) Acompanhá-lo até a diretoria para ouvir algum tipo de reclamação;
Opção B) Acompanhá-lo até a sala dos professores para levar sua pilha de livros;
Opção C) Participar de algum congresso sobre algo relativo à matéria dele.
Sorri meio sem graça e sem vontade e disse que sim, claro que poderia.
- Bem, me intimaram a participar da quadrilha na Festa desse ano, e eu pensei que você poderia ser meu par.
Eu fiquei paralisada sem ter o que dizer.
- E então, você me daria a honra de dançar comigo?
- Err... Eu.. Sim, porque não?
- Então te vejo nos ensaios, meu par.
Eu devia ter passado a ter todas as cores do arco-iris de tanta vergonha... Imagine só.
O patinho feio enfim seria transformado em cisne branco?

Continua...

Por: Isabela Santiago

3 comentários:

  1. Ótimos textos, estou ansiosa para o proximo, beijos line, derepentedezessete.blogspot.com.br

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  2. Ahhh.. continua! Tá cada dia melhor! haha! Parabéns! :)

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  3. Gostei dos seus textos,vc tem criatividade!! to ansiosa para os próximos cápitulos
    Beijos

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