Nunca fui beijada - 15º capítulo

23 fevereiro 2014


Quando cheguei na sala na segunda-feira, me deparei com um Ricardo totalmente estranho. Seus olhos pareciam emanar um tom extremamente sombrio e pude sentir o peso de estar naquele ambiente.
A aula conseguiu passar mais rápido graças à uma prova extensa que eu consegui prolongar ao máximo só para não ter o desprazer de ficar encarando-o por muito tempo.
Terminada a prova, entreguei-a para ele e saí da sala.
Meu celular vibrou e vi duas mensagens na caixa de entrada.


Dani, adorei poder te conhecer pessoalmente! Mas aquele lance meio filme investigativo (o motoqueiro nos seguindo) me deixou um pouco encanado. Tá acontecendo alguma coisa? Qualquer coisa me liga. E vamos marcar mais vezes. Beijão. Rê.

Achei super fofa a preocupação dele, mas meu sorriso não se manteve em meus lábios o tempo que eu gostaria.


Arrumou um namoradinho e nem me contou nada?! Desse jeito eu vou ficar com ciúmes. Pena que isso não será nem um pouco legal. Para ele.

Dei uma olhada para trás na certeza de que o Ricardo estaria observando a minha reação depois de ler sua mensagem, mas eu estava sozinha.
Me mantive todo o intervalo dentro do banheiro, indo e vindo, sem dar muita importância para os olhares debochados das patricinhas de doze ou quinze anos que se achavam superiores pelo simples fato de usarem cosméticos importados e carregarem consigo seus celulares de ultima geração. Não fazia sentido me incomodar com a futilidade alheia.
Não naquele momento.
Havia coisa mais importantes a se pensar.

- Você nem respondeu meu SMS :(

- Eu tava na aula e acabei me distraindo.
- Sei...

O Renato tentava puxar conversa, mas eu não conseguia parar de pensar na mensagem do meu ex-querido professor de história.


- Tá acontecendo algo de errado contigo, não é?

- Eu tenho que ir agora, depois conversamos. Beijo.

Desliguei o chat antes que ele pudesse me responder, pois sabia que ele insistiria com o questionário em relação ao que havia acontecido.

Peguei o celular de volta e fiquei por quase meia hora lendo e relendo aquela mensagem.
Por fim, respondi:

Não tenho nem nunca vou ter obrigação alguma de lhe dar satisfação sobre o que faço ou com quem me relaciono. Você não vai me intimidar com uma cara fechada ou mesmo uma mensagem estúpida. Daqui pra frente você é apenas mais um dos meus professores. Nada mais que isso.


Apertei o botão enviar com uma sensação estranha, misto de alívio e pânico com o que poderia acontecer caso essa ameaça não fosse simplesmente para me intimidar, mas para me alertar sobre ele poderia fazer.


Continua...


2 comentários:

  1. Uau! Conheci seu blog agora e já estou adorando a história! Bejins.

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  2. Amo sua historia, continue postando! <3

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