Nunca fui beijada - Capítulos Finais

13 setembro 2014


No momento em que eu finalmente consegui abrir meus olhos, sem toda a sonolência anterior, me dei conta de duas coisas.
A primeira era que eu tava deitada e que não era na minha cama. Meu colchão é ortopédico e aquele que estava abaixo de mim era surpreendente mole, o que fazia minhas costas doerem.
A segunda era que eu não estava na festa.
Estranho...
Como eu iria sair de uma festa e parar numa cama que não me pertencia?
A memória veio fragmentada.
Lembrei do vestido.
Da dança com o Renato.
Do quase beijo.
De sentir muita vergonha.
De ir ao banheiro pra desviar da vergonha.
De encontrar com o Ricardo e discutir alguma coisa.
Depois tudo ficava escuro.
- Olá, dorminhoca. - Levantei de supetão e senti o puxão forte de algo que me prendia à cama. - Eu sei que isso pode parecer estranho pra você, mas eu te avisei antes. E quero que você saiba que eu lhe entendo, de verdade. Já busquei me relacionar várias vezes com outras pessoas para esquecer alguém. Mas eu quero que você saiba que esse seu alguém agora está aqui do seu lado, então você não precisa mais ficar procurando.
- Do que você tá falando? Porque eu tô presa?
- Calma, gatinha. Eu só me adiantei para que nós dois pudêssemos ficar juntos.
- Me sequestrando?
- Tomando conta do que é meu, na verdade.
Fiquei estática esperando que alguém entrasse ali e me dissesse que era uma pegadinha daquelas com câmeras escondidas e todo mundo rindo às minhas custas. Mas não.
Era verdade.
Fui percebendo outras coisas.
Vi uma escrivaninha sobrecarregada por garrafas que pareciam ser de vodka e algo branco num saquinho. Droga.
Ele estava altamente alcoolizado e drogado.
O cheiro era tão forte que ardia nas narinas.
O pânico começou a tomar conta de mim.
Eu comecei a chorar.
Chorar escandalosamente.
Soluçava alto.
Me debatia e sentia o peso do torpor e do cansaço juntos.
- Não chora, minha princesa. Olha, eu sei que isso é novo pra você, mas você vai se adaptar aos poucos, eu sei disso.
Ele tentou enxugar minhas lágrimas com os dedos, mas eu desviei o rosto de suas mãos. Vendo que não conseguiria nada, sentou-se à minha frente, numa poltrona de couro envelhecida.
Adormeci de novo.
Logo pude ver que estava numa prisão, acorrentada e sozinha.
Gritava a plenos pulmões, mas só ouvia o meu próprio eco.
Ouvi passos se aproximando. Era o carcereiro.
Só conseguia ver seus olhos em brasa, tilintando um vermelho pulsante.
Ao se aproximar pude vê-lo: Ricardo.
Acordei suando e senti que meu corpo, mesmo inconsciente, se debatia.
Fui controlando a minha respiração até conseguir, aos poucos, me acalmar.
Ele ainda estava sentado à minha frente, mas dormia. Parecia ser um sonho ainda mais turbulento que o meu, mas imaginei que fosse o efeito das substâncias que ele devia ter ingerido.
Eu estava perdida.
Mais que perdida: Presa com um maníaco.
E não tinha a mínima ideia do que fazer.

Continua...

3 comentários:

  1. Blog encantador,gostei do que vi e li,e desde já lhe dou os parabéns,
    também agradeço por partilhar o seu saber, se achar que merece a pena visitar o Peregrino E Servo,também se desejar faça parte dos meus amigos virtuais faça-o de maneira a que possa encontrar o seu blog,para que possa seguir também o seu blog. Paz.
    António Batalha.

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  2. Nossa que texto lindo flor, me diz é de sua autoria? olha só essa frase "esse alguém agora está aqui ao seu lado" lindo esse trecho do seu texto, lindo mesmo.
    Flor tem post novo, poderia me visitar? Claro que também sempre que tiver post novo me avisa que venho ver sempre.
    magrafelizpensa.blogspot.com

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