Nunca fui beijada - Capítulos Finais

17 outubro 2014


Eu não sabia o que fazer.
Na minha cabeça só passavam imagens sombrias do que estavam por vir.
O medo tomava conta não só da minha mente como de todo o meu corpo, paralisando meus músculos e nervos.
O que eu poderia fazer?
Meu Deus, o que eu poderia fazer??? 

Renato
O lugar pra onde o Ricardo tinha levado a Daniela era incrivelmente longe. Uma estrada de terra, cheia de curvas, percebi que estávamos fora da cidade. Ao mesmo tempo em que eu precisava manter distância para que ele não percebesse a minha presença, meu coração subia pela garganta, ao perceber no que eu estava me metendo.
Até que o carro parou em frente à uma cancela. Percebi que ali seria o seu refúgio e parei a moto alguns metros antes.
Ele abriu e entrou com o carro, estacionando em frente a uma casa que ficava a uns vinte metros da entrada. Vi o corpo adormecida da Dani sendo carregado pelas mãos trêmulas do psicopata e senti o medo aumentar.
Pensa, pensa... 
Eu não posso entrar porque ele pode estar armado. Não posso arriscar a vida dela... 
Ligar para ele e pedir para que ele vá para a escola?
Isso... mas hoje é sábado.
Pensa...
Ele teve aula de reposição hoje? Não, mas teve aula de recuperação e a prova é segunda! Isso! Ele vai ter que ir pra escola porque esqueceu de entregar o pendrive com o arquivo das provas de segunda-feira!
Deus me ajude, faça com que ele tenha esquecido esse pendrive.
Por sorte eu tinha o número dele no celular. Por algum milagre do passado.
Ele atendeu afobado e mau percebeu a minha aflição. Pude ver, de longe, que ele estava extremamente nervoso e pela sombra vi sua agitação. Provavelmente o efeito das drogas que estava usando. Mas ele acreditou e logo saiu da casa, cambaleando e xingando em alto e bom som.
Escondi minha moto detrás das árvores para que ele não pudesse me ver e logo que ele saiu, liguei para a polícia.
- Alô, é da polícia? Eu tô ligando pra denunciar um sequestro aqui na saída da cidade. Isso. O nome do sequestrador é Ricardo e a sequestrada é a Daniela, eles são professor e aluna. Sim. É uma casa que fica fora da cidade. Não. Você deve seguir pela BR 102, depois do Posto Bandeirantes. Ok. Aguardo reforços.
Mas eu precisava saber da Dani.
E se ele tivesse drogado-a?
E se ela estivesse ferida?
Minhas pernas tremiam só de pensar no pior, mas consegui andar até a casa.
A casa era escura, rústica, com poucos móveis.
Segui por um corredor que dava para três portas.
Uma era do que parecia ser um escritório.
A outra era uma sala ampla.
Por ultimo, o quarto.
- Dani?
- Quem está aí?
- Sou eu.

Daniela
Meus olhos mal acreditavam no que estavam vendo.
O Renato estava rente a porta com o rosto pálido.
Será que os anjos ouviram minhas preces?
- Dani, o que esse monstro te fez?
- Renato, é você mesmo? Ô meu Deus, meu Deus...
- Calma, tô aqui agora.
- Mas e o Ricardo? Ele pode te machucar! Por favor, vá embora!
- Ele saiu e eu chamei a polícia. Vai dar tudo certo, fica calma.
As lágrimas brotavam quentes nos meus olhos. O cansaço era tamanho que mal conseguia sorrir ao ver que minha liberdade estava próxima.
O meu herói veio em meu auxílio.
A esperança, enfim, surgia, apesar do medo.
- Mas a gente tem que sair daqui! Ele pode voltar a qualquer momento.
- Eu liguei pra ele e pedi que ele fosse na escola. Depois te explico.
- Mas mesmo assim. E se ele perceber que foi enganado?
- Ele não vai. Está muito drogado pra perceber qualquer coisa.
- Eu não quero mais ficar aqui! Eu não aguento mais!
- Tá bom, levanta.
- Tô amarrada.
Ele desatou os nós com força, e pude ver as marcas fortes que haviam ficado nos meus punhos. Por um tempo senti que minhas mãos formigavam com uma intensidade sem limites.
- Por favor, me leva daqui.
- Vão a algum lugar?
Era o nosso fim.


Continua ...

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