Doce veneno, capítulo I

05 junho 2015



  Meu mundo caiu e me fez ficar assim
Você conseguiu e agora diz que tem pena de mim.

Já passava das dez da manhã e Maysa rolava na cama de um lado para o outro. De cinco em cinco minutos olhava o celular na esperança de que Eduardo tivesse voltado atrás, arrependido de tudo o que dissera na sexta-feira.

- Você acha que eu posso continuar com alguém exibicionista como você? Fala sério, Maysa! A gente ta junto há quase um ano e a única coisa que você tem feito é me colocar como o seu troféu ambulante!

- É isso que você pensa de mim?

- Pior! É isso que eu sinto!

- Isso tem a ver com aquela gorda ridícula que vive dando em cima de você, não é? Você não percebe que ela ta te colocando contra mim?! Que ela quer mais é te ver livre pra ela, Eduardo!

- A Nathi não tem nada a ver com isso, não muda de assunto! Eu tô de saco cheio de ver que sua única preocupação é ser popular e que eu sou apenas uma forma de você alcançar isso. Eu realmente gosto de você, mas não sinto que a recíproca seja verdadeira. Por isso tomei essa decisão pelo bem de nós dois: vamos dar um tempo.

Maysa perdeu o controle nesse momento e começou a arremessar todo tipo de coisa que estivesse na sua frente contra a parede. Eduardo ficou indiferente a mais uma cena de ódio dela e foi embora, como se já esperasse pela reação.

“O que será que significa ‘dar um tempo’ na linguagem masculina?” era o que Maysa se perguntava.

- Isa, bom dia!

- Bom só se for pra você.

- Ih, guarda seu azedume pra você, minha irmã. Pelo visto problemas com o namorado, não é?

- Caê, me explica uma coisa: quando um homem pede “um tempo” o que isso significa de verdade?

- Maysa, isso muda de pessoa pra pessoa. Pra uns, isso significa um pré-término, pra outros é mais um momento de reflexão pra o casal decidir se continua ou não. Normalmente é isso.

- Nenhum dos dois é bom.

- Venha, bora tomar café.

Maysa era a irmã mais nova de Caetano. Ela tinha 21 e ele 26. Os dois moravam no apartamento em que nasceram. O pai, Paulo Roberto, era senador em Brasília, onde passava a maior parte do tempo. A mãe, Laura, morreu quando Maysa tinha 8 e Caetano tinha 13 anos. Apesar da perda, eles sempre foram muito unidos. Ela era de escorpião e ele de peixes, tendo facilidade de se comunicar sem mesmo usar palavras.

Caetano era o nome do cantor preferido do pai.

Maysa era a cantora preferida da mãe.

E, apesar das diferenças que envolviam ambos, eles tinham um relacionamento de uma profunda amizade, talvez pra suprirem as ausências que sentiam.

- Aquele maldito não vai me ligar, não é?

- Maysa, para de drama! Que saco! Quer ligar, liga, ué.

- Tá louco?! JAMAIS!

Ela atirou a xícara na mesa e Caetano segurou antes que ela pudesse se espatifar no chão.

"Vou ver o que aconteceu ontem. Já que não posso me divertir, pelo menos posso ver o que a plebe fez." pensava. Foi quando num click seu rosto começou a mudar de cor.

Ouvindo os gritos, Caetano correu para o quarto a tempo de ver o tablet estalar no chão de mármore branco.

- DESGRAÇADO!

- O que foi???

- AQUELE DESGRAÇADO!

Na tela quebrada, ele viu uma foto com Eduardo entre vários amigos, com uma pessoa em destaque por estar com um vestido dourado e também por ter os braços em volta da cintura daquele que deveria ser seu cunhado.

- E AQUELA PIRANHA!

A piranha mencionada era a sua rival, desde a época de escola, Nathalie. A loira de curvas avantajadas estava sorrindo de orelha a orelha na foto que datava da noite anterior.

Maysa se debruçou com violência na janela, urrando de ódio. Do namorado, daquela biscate, do mundo.

O tempo tinha se fechado. Literalmente.

Uma chuva forte começou a cair. O vento tocou com violência as janelas.

Caetano saiu pelo apartamento fechando as portas e janelas, enquanto Maysa continuava ali, esperando que um raio atingisse sua cabeça.

- MAYSA, FECHA ESSA JANELA!

O irmão a puxou com força e a atirou na cama, antes que a tempestade de vento, trovões e raios penetrasse por todo o ambiente.

- Já chega disso! Vá tomar um banho e lavar esse rosto. - o tom que ele usava se assemelhava ao do pai, e Maysa o respeitava, por maior que fosse a raiva que estivesse sentindo.

Ela vestiu o roupão e ligou a água quente da banheira.

Deitada, deixou que as lágrimas quentes se misturassem à água morna.


                                                                                       ... Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar.

Continua...

2 comentários:

  1. Uau! Uma nova história, adorei!

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  2. Eu adoro a Maysa Monjardim. Tinha uma série dela, e daí a conheci e passei a admirá-la.

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