Doce veneno, capítulo 4

13 agosto 2015

Nunca pensei um dia chegar e te ouvir dizer: 
"Não é por mal, mas vou te fazer chorar...
Hoje vou te fazer chorar"


Passaram alguns dias e Maysa foi aos poucos se acostumando com a recente solteirice.

- Oi Ju, tá bem?

- Tô sim, e você?

- Me recuperando, né... Mas enfim. Bora sair hoje a noite? Vai ter uma festa de um conhecido meu e ele me deu uns convites. Já falei com a Fernanda e a Rebeca, só falta você pra completar o quarteto fantástico.

- Assim.. Eu já tinha combinado de sair com uma pessoa hoje...

- Não seja por isso. Tem convite pros acompanhantes das minhas amigas também.

- Tem certeza que não tem problema, Isa?

- Não. A Nanda vai levar o Felipe, mas a Rebs vai ficar do lado das solteiras.

- Partiu, então!

Maysa turbinou a maquiagem que deixou os olhos verdes ainda mais evidentes, mas preferiu um tom neutro para os lábios. Borrifou com delicadeza um pouco da fragrância laguna, vestiu uma calça jeans escura e uma blusa dourada com as costas nuas. Queria o máximo de conforto para poder se acabar na pista de dança. Dançar era a unica coisa que queria de verdade naquele momento.

Deu um beijo estalado na bochecha do irmão antes de sair.

As garotas combinaram o encontro na frente da boate. Maysa e Rebeca chegaram juntas, seguidas de Nanda e seu namorado. A surpresa foi quando Julia chegou acompanhada.

- Boa noite, gente. - disse timidamente a loira.

- Olá, todo mundo! - falou animadamente o rapaz que segurava sua mão.

- André? - exclamou Maysa.

- Isa? Que bom te ver de novo! - ele soltou a mão de Júlia e deu um forte abraço em Maysa.

- Nossa, Ju! Porque tu não me contou que seu acompanhante era o André?

- Eu fiquei na dúvida se você ia lembrar dele...

- E como eu iria esquecer um deus do ébano desses?

- Isa, a Júlia tá ficando sem graça... - cochichou Rebeca no ouvido da amiga.

- Sorry. - ela respondeu baixinho - Mas então, vamos entrar?

Dentro da boate, Maysa guiou os amigos até o andar superior onde ficava uma área restrita aos convidados de Carlos Eduardo ou Cadu, o aniversariante e dono da festa.

- Oi Cadu! Trouxe uns amigos. Espero que não tenha problema.

- Claro que não, minha gata. Fiquem a vontade, por favor.

- Trouxe um presentinho. - disse Maysa, entregando-lhe uma caixinha preta envolta num laço de fita cinza.

- Um rolex? Não precisava, Isa! - exclamou o rapaz, colocando o relógio no pulso esquerdo.

- Você gostou, Cadu?

- Vindo de você não tem como gostar. Mas eu realmente estou impressionado com o seu bom gosto. - disse puxando a garota para perto de si. - Mas você sabe que sua presença é muito mais importante do que qualquer presente, não é?

- Que isso, Cadu. Você é um querido! - quando Maysa tentou lhe dar um beijo na bochecha, Cadu desviou o rosto para que ela encostasse em seus lábios. - Opa! Vamos com calma, gato. A noite tá só começando.

Maysa só não percebeu que isso deixou o rapaz ainda mais aceso.

- Bom saber... Já volto pra te fazer companhia, gata. - e saiu acenando para os convidados que chegavam.

- Maysa, o que foi isso? - perguntou Rebeca com os olhos arregalados.

- Ah, meu namoradinho de infância. Coitado. Acha que ainda tem chance. Mas eu gosto dele, é super gente boa. Só é insistente demais.

- Uau! Queria um desses na minha cola!

Cadu era alto, tinha o corpo malhado e os ombros largos, além de um sorriso de tirar o fôlego.

- Isa, olha só quem tá aqui! - cochichou Rebeca apontando para o rapaz que se aproximava.

Era Eduardo. Maysa virou de costas e começou a dançar, fingindo não estar nem um pouco abalada com sua presença.

- Rebs, vou descer pra pista de dança, bora?

- Agora!

As duas desceram e foram direto para a pista. A música estava alta e Maysa deixou o corpo ser guiado pela batida. Não queria pensar, não queria sentir. Só dançar. Deixou seu corpo livre.

- Docinho, posso dançar contigo? - disse Cadu, se aproximando.

- Já tava te procurando.

- É mesmo? Que bom porque hoje eu tô afim de dançar.

Maysa aproveitou para se jogar na dança. O rapaz tinha ritmo e seus corpos iam se aproximando. Rebeca subiu de volta para o espaço de cima e deixou a amiga sozinha com o rapaz.

Porém, ao ficar frente a frente com o ex decidiu partir pra cima de Cadu.

Sensualizou de costas para Eduardo e de frente pra ele.

- Você tá demais hoje, Isa.

- Você não viu nada, meu bem. - ela enlaçou os braços ao redor do pescoço do rapaz, enquanto rebolava de costas para Eduardo.

Finalmente, ele agarrou Maysa pela cintura e roubou-lhe um beijo que, pouco ao pouco, foi sendo retribuído. Enquanto uma mão acariciava com força a nuca, a outra descia pela cintura dela, aproximando do bumbum.

- O que é isso aqui? - berrou Eduardo separando os dois.

- Ei, rapaz. Quem você pensa que é pra fazer isso?

- Sou o namorado dela! - Eduardo puxou com força o braço de Maysa para seu lado.

- Epa! Namorado? Não, não, queridinho. EX! EX-NAMORADO!

- Ah, ex-namorado e tá se achando no direito de tratar a gata desse jeito?

- Maysa, por favor. Você nem me deu oportunidade de...

- De que? De que, pelo amor de Deus? Você pediu um tempo, lembra? UM TEMPO! Agora faça o favor e me deixa em paz.

- Isso aí, cara. Deixa a minha gata em paz!

- Sua gata? - vociferou Eduardo.

- Sim, minha gata. Algum problema?

Eduardo levantou o punho para bater em Cadu, mas ele foi mais rápido e deu-lhe uma gravata no pescoço.

- Essa festa é minha e você tá atrapalhando, agora faça o favor de calar essa boca e dar o fora! - disse Cadu, empurrando o rapaz para fora.

Envergonhado ele saiu rapidamente de cabeça baixa.

- Bem, onde a gente parou?

- Desculpa, Cadu. Eu... Eu preciso... Dá licença. - respondeu saindo porta afora. - Edu! Edu, espera!

- Desculpa, eu sei que não tenho o direito de interferir na sua vida. Eu nem sei porque fiz aquilo!

- Não sabe mesmo? - questionou Maysa.

- Quer saber? Sei sim. Porque eu tenho ciúmes de você! Satisfeita?

- Bastante. Uma pena é que isso não vai me fazer voltar atrás na minha decisão.

- Porque não?

- Porque eu não sou boa o bastante pra você. Porque eu nunca vou ser a mulher que você sonha. Porque eu te conheço o bastante pra saber que você nunca vai estar satisfeito com o que eu sou. - enquanto falava, algumas lágrimas foram descendo pelo rosto de Maysa, que tentava ao máximo manter a pose de durona. - E eu não te julgo por isso. Mas eu não posso mudar o que eu sou. E eu não posso mudar o que você é. Entende? Eu te agradeço pelos bons momentos que a gente viveu juntos, mas acho que chegou ao fim. Desculpa.

Enquanto Maysa voltava para a festa, Eduardo tentava esconder a lágrima que teimava em escorrer.

... Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção

Pra você viver mais ...

Continua...

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