Vamos Falar Sério? - Depressão

21 agosto 2015


Tive muita dificuldade de escolher o primeiro tema a ser trabalhado no Vamos Falar Sério? e a minha amiga, e também colaboradora do DDM, Júlia Savassi me aconselhou a utilizar o meu próprio exemplo pessoal pra começar um projeto. Como já falei no post de apresentação, a ideia é resgatar histórias que tratam de problemas dos mais diversos e que nos afetam diretamente.

Bom, desde muito pequena eu morava na casa dos meus avós maternos com meus pais. No início da minha adolescência minha avó foi diagnosticada com Alzheimer. Quando eu tinha entre 14 e 15 anos ela começou, gradativamente, a esquecer do marido, dos filhos, netos, irmãos... Por sorte ou amor em excesso, eu fui, junto com minha mãe, uma das ultimas pessoas a serem levadas de sua memória. O relacionamento entre eu e meu avô chegou ao limite, afinal, ele não aceitava a doença da esposa e seu temperamento não colaborava em nada para a nossa convivência. Fiz por um curto período de tempo análise, mas acho que não foi suficiente para conter a mistura de emoções que se debatia dentro de mim. Raiva, frustração, medo, solidão... Tive crises de insônia por muito tempo e isso me acabava. Fora as crises de choro.

Comecei a namorar pouco antes de completar 18 anos. Nesse meio tempo prestei vestibular pro curso dos meus sonhos - jornalismo - na faculdade dos meus sonhos - a UFMG. E passei. Me mudei pra casa dos meus tios aqui em Belo Horizonte e um novo mundo foi sendo construído. Novos amigos apareceram e um universo distinto daquele com o qual eu estava acostumada. Ao mesmo tempo, a saudade de casa, da família e do namorado fizeram com que a tristeza fizesse morada em mim.

Fui me tornando mais impaciente e intolerante, me isolando das pessoas e tendo crises de choro constantes. Não sentia prazer em coisas simples, fingia estar bem quando não estava, fugia da companhia de qualquer pessoa que fosse. Lembro de um dia entrar debaixo do chuveiro pra tentar disfarçar o choro convulsivo que vinha dentro de mim. Eu tinha pensamentos constantes de suicídio. Mas nesse dia eu tive certeza de que precisava de ajuda.

Marquei uma sessão com uma psicanalista e lembro de mal conseguir falar de tão fragilizada que eu estava. Depois disso fiz uma consulta com uma psiquiatra que, por fim, me diagnosticou com depressão. Uma das primeiras coisas que eu aprendi é que a depressão é uma doença e que precisa de um tratamento adequado baseado no tripé: medicamento + atividade física + análise. Desde então, de forma gradual, fui aprendendo a lidar com isso, aceitando o fato de que eu preciso de ajuda, mas, antes de mais nada, de que eu preciso me ajudar.

É preciso entender que o principal sintoma da depressão é a chamada tristeza patológica. Em momentos difíceis como a morte de um ente querido, problemas amorosos, desentendimentos familiares, dificuldades financeiras, é um tanto quanto normal ficar triste. A diferença é que uma pessoa sem a doença consegue superar essa situação, quem tem não. Aliás, nos quadros de depressão a tristeza toma conta da pessoa independente de haver ou não uma causa aparente. Humor deprimido, desinteresse pelas atividades, até mesmo aquelas que antes davam prazer.

Cerca de 350 milhões de pessoas no mundo têm depressão, que varia de intensidade - leve, moderada e grave - e duração. E as mulheres parecem ser mais vulneráveis à depressão, principalmente por conta da oscilação hormonal. Os principais sintomas, além da tristeza patológica e da apatia já mencionadas, estão alterações no peso (ganho ou peso) e no sono (insônia ou sonolência excessiva), perda de energia constante, culpa excessiva, dificuldade de concentração, baixa autoestima e até mesmo alteração da libido.

Hoje eu aprendi a lidar com a depressão, e ela se tornou um problema muito menor pra mim e para as pessoas que eu amo. Mas foi preciso coragem pra, em primeiro lugar, aceitar que eu tinha um problema e que eu precisava de ajuda. Depressão não é frescura ou coisa de gente que tem a mente vazia. Depressão é uma doença que deve ser tratada assim como qualquer outra, e quanto antes melhor.

O que você achou? Conhece alguém que enfrenta esse problema? Compartilha seu depoimento com a gente no email projetovamosfalarserio@gmail.com.

Você pode sugerir o próximo tema e ser a personagem da próxima história.

Aqui embaixo vou deixar algumas indicações de leitura e um programa de rádio que eu produzi falando tanto sobre a depressão quanto outros transtornos afins:


 

Um comentário:

  1. Que postagem maravilhosa, Isa. De verdade, que inciativa linda do Vamos Falar Sério e foi uma ótima primeira postagem. Depressão é algo sério, muita gente não entende a gravidade que isso pode tomar. Minha mãe já teve. No meu caso é ansiedade, e essas doenças psicológicas são tão problemáticas e difíceis quanto as físicas. Fico feliz por você ter superado e estar melhor. Muita força e um beijo.

    Com carinho, Beca; Café de Beira de Estrada ♥

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