Doce Veneno - capítulo 7

27 janeiro 2016


Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade
Não tem nenhum engano nem mistério,
É tudo só brincadeira e verdade...

Passaram alguns dias desde que fora dada a largada para a campanha eleitoral do grêmio estudantil. As três chapas estavam bastante envolvidas em conseguir votos e cada um tinha uma estratégia para isso. A chapa Hora da Mudança, liderada por Nathalie e Eduardo, criou um site com suas propostas e ofereceu bottons para seus eleitores. Já a Chapa da Virada optou pela colocação de cartazes com as principais propostas e com a panfletagem nas salas de aula. Por ultimo, a chapa Pés no Chão optou pela divulgação de um aplicativo que mostrava as mudanças e melhorias propostas aplicadas no cotidiano da faculdade.
- Tô tão animada com tudo isso, gente! Nunca achei que ia dar certo, mas, independente da gente perder ou ganhar, eu tô muito orgulhosa do nosso trabalho em equipe. Peço desculpas pelos meus puxões de orelha e pelo meu mau humor. Mas agradeço a todos vocês que nos ajudaram nesses últimos dias. - Maysa falava pelo viva-voz enquanto tentava organizar o zona que seu quarto tinha virado depois que decidiu ser candidata.
- Ô Isa, nós é que ficamos feliz! Tô tão orgulhosa de você, da sua dedicação com algo que pode ser bom para todo mundo, sabe?! - disse Júlia, animadamente
- Ju, eu tô ouvindo mal ou tu tá me chamando de egoísta? - replicou
- Ah, Maysa, dá um tempo né?! - se intrometeu Rebeca - A gente te conhece muito bem e até você sabe que esse é um dos seus defeitos, migs. Só que tu tá provando que quer mudar isso, ué. E tá conseguindo!
- Nossa... cês me botam pra cima mesmo, hein?! Só falta fazer uma lista negra com os meus defeitos. Que tal me crucificarem também?
- Isa, falando sério, cada uma de nós tem os seus próprios defeitos e temos que assumi-los, por mais doído que seja. Mas isso que a Rebs disse é verdade: você tem mostrado que pode ir além desses defeitos e ser uma pessoa ainda melhor! - exclamou Fernanda.
- Poxa, meninas, obrigada mesmo. Não vou falar muito porque, de vez em quando, meu coração amolece. Enfim. Vamos ao trabalho. - continuou Maysa, organizando o que faltava para o grande dia.

...

Maysa acordou com um raio de luz vindo direto no seu rosto. Isto não seria problema se ela não estivesse totalmente tonta e sem saber onde estava.
- Oi gata... - disse uma voz sedosa a alguns metros de distância
- Quem tá aí? - perguntou, com a voz sonolenta
- Xiii... Efeito daquele tanto de tequila que cê bebeu ontem
Aquela voz era muito, muito familiar.
- Cê vai precisar de um café forte, pelo visto. Trago já pra você.
Ela olhou ao redor e viu lençóis brancos e roupas jogadas pelo chão. O celular estava vibrando, debaixo do seu sutiã de renda preto. No espelho redondo na parede ao lado, pôde se ver então. Com o cabelo bagunçado, os olhos cheios de olheiras e manchados de rímel, alguns hematomas nos ombros e pescoço e completamente nua.
"O que que eu fiz?", se perguntava mentalmente. "Onde eu tô? Como eu vim parar aqui?"
- Aqui, gata. - numa mão uma caneca fumegante de café e na outra uma camisa larga - Você pode se vestir com isso, enquanto sua roupa seca. Tive botar na máquina, mas te devolvo ela cheirosa e limpinha. - foi só aí que Maysa se deu conta que tinha passado a noite com Cadu.
Aquele homem alto, musculoso, levemente bronzeado, de cabelos e olhos negros estava lhe oferecendo uma caneca de café e uma camisa sua.
- Cadu?
- Amor, cê não lembra de nada?
- Tô tentando entender onde eu estou, primeiro.
- Vem cá que eu te lembro, minha gatinha manhosa - disse isso enquanto puxava o corpo de Maysa para perto do seu - Seguinte, ontem foi maravilhoso!
- Que?
- Me fala, você lembra até que momento de ontem? Fala que o que eu souber eu dou continuidade.
- Eu lembro... A gente ganhando as eleições. É, isso! A gente ganhou, não foi?! Depois fomos pra boate, eu, você, as meninas, um monte de gente...
- Ah sim. Aí você pediu pra trazer tequila, lembra?
- Sim.
- Então, eu te puxei pra pista de dança, lembra?
- Sim.
- E a gente ficou.
- Sim.
- E as coisas foram esquentando...
- ...
- Eu falei pra você que cê tinha bebido muito, daí você começou a me beijar
- ...
- As suas amigas pediram pra eu te levar pra casa, e eu fiz isso. Só que no meio do caminho, você implorou pra ir pra minha casa.
- ...
- De primeira eu resisti, porque, sei lá, você nunca me deu tanta trela assim. Mas aí, você veio me pedindo com jeitinho, não aguentei... Te peguei no colo e te trouxe pra minha cama. O resto você pode imaginar...
- Não acredito...
- Ah, gata. Que pena que você não lembra. Tenho certeza que você gostou...
- Quantas? Quantas vezes a gente...?
- Bem, você tava muito acesa. Então... Fora os amassos, umas três vezes...
O que estava feito estava feito. Maysa estava tentando buscar na memória algum dos momentos citados por Cadu, mas decidiu deixar pra lá. "Tá no inferno? Abraça o capeta", pensou.
- Cadu, você me dá licença pra eu me trocar?
- Claro, gata. Vou te esperar na mesa de jantar. Preparei um café da manhã deliciosa pra minha presidente. - beijou-lhe o canto dos lábios e saiu, vestindo uma camiseta branca, que deixava à mostra seu corpo definido e sexy.
Pegou o celular e pôde ver as cinquenta ligações. Pelo menos metade eram do irmão, as outras eram de várias pessoas e não tava com paciência para analisar uma por uma.
Mandou uma mensagem pro irmão, falando que tinha dormido fora, com um amigo, e que voltava pra casa logo.
Cadu era realmente um cavalheiro. Fez um verdadeiro banquete de café da manhã: frutas, pães, cereais, sucos variados, iogurte, torradas, geleias... Tudo o que poderia agradar sua donzela. Maysa comeu uma fatia de melancia, tomou um copo de suco de laranja e comeu alguns pãezinhos e brioches. Ele comeu três fatias, uma de melão, outra de mamão e a ultima de melancia. Tudo na maior elegância. Finalizou duas fatias de pão integral e tomou ainda uma xícara generosa de café preto. Quando terminaram tudo, Maysa retornou a falar:
- Cadu, eu... eu nem sei o que dizer. Na verdade, eu passei dos meus limites e perdi o controle.
- Gata, você não precisa me dar explicações. Eu sei que você bebeu demais, tanto que eu não queria que fosse daquele jeito. Mas você pediu, implorou! Qualquer um que tava na festa ontem pode te falar. O fato é que eu não ligo se você não lembra, porque pra mim foi mais que especial, porque foi contigo! Eu sei, eu tenho os meus defeitos, mas eu realmente gosto de você, Maysa, e depois disso tudo que aconteceu eu pensei que você pudesse me dar uma chance... Pra gente...
- Cadu, eu...
- Não precisa decidir nada agora. Vou te dar um tempo pra pensar no assunto. Mas eu preciso que você pense nisso, por favor.
- Tudo bem. - respondeu, ainda pensativa e desconcertada.
- Quando eu voltava do supermercado, passei por uma loja e decidi comprar umas coisinhas pra você. Desculpa se não for do seu gosto, mas acho que não ia ser legal cê chegar em casa com uma blusa minha... Acho que não deu tempo do vestido secar todo.
Numa sacola grande, havia um vestido floral tomara que caia, um par de sandálias e um conjunto de calcinha e sutiã.
- Você realmente pensa em tudo, não é?! - disse Maysa surpresa.
- Veja isso como uma pequena demonstração do quanto eu lhe quero bem, gata.
Ela deu um beijo leve em seus lábios e foi para o banheiro.
Mudanças.
Muitas mudanças.
"Talvez, quem sabe?!"

Mas e se o amor pra nós chegar, 
De nós, de algum lugar com todo o seu tenebroso esplendor?
Mas se o amor já está, se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?

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