Doce Veneno - Capítulo 9

13 abril 2016


Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...

- Amor, sabe a Nathalie?
- O que tem ela, Cadu? - respondeu Maysa com uma faísca de ódio acendendo nos olhos.
- Bom, ela me avisou de um congresso que vai acontecer no Rio daqui uns dias. E eu quero muito ir, de preferência com você do meu lado.
- Hum... Pensei que você fosse preferir a companhia dela.
- Jamais eu iria trocar a sua companhia por qualquer outra. Por favor, vamos?
- Vou pensar, Cadu. - enquanto ela rejeitava a proposta, ele a abraçou por trás e começou a beijar-lhe o pescoço - Eu já falei que vou pensar... Para com isso, Cadu!
- Poxa, amor... A gente fica num hotel de frente pro mar. De manhã a gente vai pro congresso, de tarde vamos à praia e a noite vamos sair.
- Tá, tudo bem. Me fala direito a data pra eu me organiz...
- Isso é um sim?
- Sim! Mas eu tenho que...
Cadu segurou Maysa pela cintura e beijou-a com paixão.
- Eu vou comprar as passagens e fazer a reserva do hotel. Nem acredito que vai ser a nossa primeira viagem como casal. Vai ser maravilhoso!
- Eu tenho que falar com o Caê. Acho que ele tava querendo ir pro Rio e seria uma oportunidade legal dele ir com a gente.
- Mas isso não significa que ele vai dividir o quarto conosco ne?
- Óbvio... que não, né Cadu. Até porque eu suspeito que ele tá de rolo com alguém, enfim.

... 
 
Os dias voaram desde então.
Caetano topou ir com Maysa e Cadu para o Rio. Mas ela não perdeu a chance para poder perguntar sobre a vida amorosa do irmão.
- Caê, me fala a verdade, cê tá saindo com alguém? - perguntou a irmã.
- E desde quando eu lhe devo satisfação, Maysa?
- Ah, irmão! Deixa de grosseria, que eu sei que algo tá acontecendo aí nesse coraçãozinho.
- Tudo bem, eu tô conhecendo alguém sim.
- EU SABIA! Quem é? É a Mariana? Ah, já sei, é aquela ruiva que vem sempre aqui em casa.
- Não, Isa.
- AH! Então é a Helena que estudou contigo no ensino médio!
- ...
- A Paola do curso de música?
- ...
- Alguma amiga minha? Ou pelo menos alguém que eu conheço?
- Maysa eu não vou falar. Para de encher o saco.
- Mas gente! Que coisa! O que custa me contar?
- Nada, eu só não vou contar enquanto não tiver certeza do que tá rolando, ué. Simples assim.
- Afff
- Cê já tá com tudo pronto pra viagem?
- Acho que sim. E você?
- Minha mala tá pronta já.
- Tá. Eu vou passar no shopping amanhã de manhã, antes da viagem. Cê precisa de alguma coisa?
- Se puder passar na farmácia, traz um remédio pra dor de cabeça. Tô precisando.
No dia seguinte, logo depois de comprar um biquini para a viagem, Maysa passou na farmácia para comprar o que o irmão havia lhe pedido e encontrou Flávio, o rapaz que, meses atrás, a salvou de um assalto.
- Oi, meu anjo da guarda!
- Oi! Maysa. né? Que bom te ver, como você tá?
- Ah, menino, tô me arrumando pra ir pra um Congresso no Rio com meu namorado e meu irmão.
- Que bacana.
- E você, como tá?
- Ah, tô bem também. Depois eu tenho uma coisa pra te contar.
- Posso te pedir pra ser depois que eu voltar? Eu tô super atrasada.
- Tudo bem, Isa. Mas de qualquer forma, foi bom te ver!
Maysa chegou em casa e estranhou o silêncio. Quando chamou pelo irmão, recebeu em troca uma resposta fraca e aparentemente cansada.
- Que foi, irmão? - Maysa entrou no quarto e viu o irmão debaixo do edredom, tremendo de frio - Caetano, o que houve? Você tá tremendo!
- Isa, eu acho que tô com dengue.
- Vou ligar pro Dr. Paulo e ele vai cuidar de você.
- Eu já liguei. Ele deve vir aqui ainda hoje. Mas eu não vou poder ir contigo. Desculpa.
- Caê, essa viagem tá acabada pra nós dois, porque eu não sou doida de te deixar aqui sozinho desse jeito.
- Isa, eu vou ficar extremamente chateado se você perder essa oportunidade pra ficar aqui, por favor!
- Mas, irmão...
- Eu vou ficar bem, Isa. Prometo.
Ela despediu-se do irmão com o coração pequeno e saiu as pressas para o aeroporto. Encontrou com Cadu na fila de espera, já impaciente.
- Pensei que tinha desistido - reclamou ao vê-la correndo
- Ai, Cadu, desculpa! O Caetano tá com suspeita de dengue e eu não queria deixar ele sozinho, só que ele quase que me obrigou a vir.
- Fica tranquila, tá? Vai ficar tudo bem, vem cá - ele puxou-a para si e a envolveu em seus braços fortes - Se você achar que o quadro dele piorou ou mesmo se você não conseguir se preocupar menos com essa situação, eu te coloco no primeiro avião de volta. Eu prometo.
O companheirismo e o carinho de Cadu fascinavam Maysa. Mesmo com todos os seus defeitos, ela era capaz de reconhecer o quanto ele a fazia bem. Mas nem isso foi suficiente para fazer com que a preocupação diminuísse. Maysa conseguiu passar dois dias disfarçando, mas no terceiro a preocupação já começava a dar sinais claros de urgência e ela acabou voltando antes da hora.
Ao chegar em casa, ela estranhou o par de sapatênis ao lado do sofá e uma tigela com resto de sopa em cima da mesinha de centro. Coisas nada típicas de Caetano que era extremamente metódico e tinha mania de organização.
A surpresa maior foi ao entrar no seu quarto e ver que o irmão estava dormindo abraçado com um rapaz. E esse rapaz era seu anjo da guarda, Flávio.

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos...


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