Doce Veneno, Capítulo 12

02 agosto 2016


Quando eu te vi andava tão desprevenido
Que nem ouvi tocar o alarme de perigo
E você foi me conquistando devagar
Quando notei já não tinha como recuar
 
- Isa, quero fazer as coisas de uma forma mais tranquila. Esse é o Flávio, meu companheiro
- Prazer, novamente, Flávio.
- Oi, Maysa. - ele trocaram um forte aperto de mãos com os olhos emocionados.
Caetano convidou a irmã e o namorado para se conhecerem melhor. Arrumou a mesa com pães, biscoitos e um delicioso bolo de chocolate. Era uma tentativa de reconciliar os dois.
Maysa começava a aceitar o namoro do irmão, ainda mais ao conhecer melhor Flávio.
...
- Cadu, faz tempo isso, mas você chegou a encontrar com a Nathalie durante o congresso?
- Que congresso?
- Aquele do Rio
- Ah, amor, já faz tanto tempo isso.
- Ou você fala ou vou começar a pensar que você está me escondendo alguma coisa.
À medida que Maysa ia falando Cadu ia se encolhendo, desviando o olhar.
- Começou...
- Você vai falar ou vou ter que perguntar pra aquela biscate?
- Ah, Maysa, que coisa chata!
- O que é chato? Você estar me escondendo algo ou eu não ser burra o suficiente pra ficar de trouxa?
- Para com isso, vai!
- Não vou parar até você abrir o jogo!
- Senta aqui. Eu achei que não fosse algo que deveria te contar, porque não queria te chatear. Você já tava mal por conta do seu irmão e eu simplesmente achei que não valia a pena falar.
- O que houve?
- Seguinte. Você lembra que foi a Nathalie que me falou desse congresso, certo?
- Sim, e...?
- Pois bem. Eu não dei muita trela, até porque você ia comigo. Eu não tenho nada a ver com ela a não ser interesses relacionados ao curso. Eu evitei encontrar com ela desde o início, mesmo quando você tava lá porque eu sei da sua rixa com ela.
- Hum...
- Só que ela descobriu onde eu tava e se mudou pro mesmo andar no hotel que a gente se hospedou. No começo eu achei que era coincidência, mas comecei a achar estranho o fato de encontrar com ela em todos os horários que eu descia. Até o dia em que ela me ligou no apartamento. Eu tava cansado, já tinha bebido um pouco e não consegui recusar o pedido dela de vir no meu quarto. Ela falou que queria falar sobre a palestra do dia seguinte. Eu tentei recusar, mas ela foi muito insistente. Enfim.
- Estou escutando.
- Bom... Ela veio no meu quarto, vestida de lingerie. Eu percebi que o intuito era outro e pedi que ela fosse embora. Ela insistiu e empurrou a porta do quarto. Eu tava meio bambo e não tive força para impedir sua entrada. Ela deitou na minha cama, mas eu pedi pra ela sair. Tive que puxá-la pelos braços, mas ela conseguiu me dar um beijo, um selinho, na verdade. Daí eu me irritei e empurrei ela.
Maysa começou a enrubescer desde o início da conversa, mas agora estava vermelha feito um camarão. Quando ouviu as ultimas palavras suas mãos tremiam.
- ELA O QUÊ?
Foi então que o ódio tomou conta de Maysa. Ela se levantou num rompante e começou a arremessar tudo o que via pela frente na parede.
- DESGRAÇADA! LADRA DE NAMORADO!
- Calma, Maysa! Pelo amor de Deus!
Cadu agarrou Maysa por trás, segurando os braços para que ela não quebrasse mais nada.
- Por favor, calma. Olha pra mim - girou seu corpo para que ficassem frente a frente - Isso não significou nada pra mim, acredita. Eu achei tão insignificante que não vi razão de te contar. Até porque eu sabia que você não ia reagir bem.
- Me solta! Me solta!
- Soltei. Agora me escuta. Aquilo não significou nada pra mim, e eu não quero que signifique pra você também. Porque eu te amo.
- Cadu, me dá um tempo!
- Que?
- Eu preciso pensar.
- Você tá me pedindo um tempo? É isso mesmo que eu tô ouvindo?
- É, é isso mesmo! Você me escondeu uma situação muito grave, Cadu. Eu nem sei se posso mais confiar em você.
- Como é? A maluca se atirou em mim, se enfiou no meu quarto, me beijou a força e eu vou ter que pagar pelas besteiras que ela fez? Ah, Maysa, você realmente não sabe o que tá dizendo. Mas quer saber? Que seja feita a vossa vontade! Não é assim sempre? Aproveite bem esse tempo.
Cadu saiu pisando fundo e deixou Maysa falando sozinha.
Por um lado ele estava errado, afinal de contas, bem ou mal, ele tinha que ter contado o que acontecera no Rio. Mas Maysa tinha exagerado. Cadu sempre fez de tudo por ela e para ela, e por conta de uma situação da qual ele nem sequer teve culpa, ela, mais uma vez, tripudiou dele.
O problema é que pela primeira vez Cadu não quis ceder à vontade dela.
Pela primeira vez ele sentiu o orgulho ferido.
Eram dois bicudos.
E todo mundo sabe que dois bicudos não se beijam.
... Não sei se eu traí primeiro ou fui traído
Não te pedi uma conduta exemplar
Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar...

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